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TRANSFORMAÇÃO DO ESTADO
Governo do Brasil e PNUD lançam relatório "Futuros do Brasil: Sinais de Transformação"
Ministra Esther Dweck e outras autoridades durante o lançamento do estudo Futuros do Brasil: Sinais de Transformação . Foto: Jhonathan Braga (Ascom/MGI)
O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), lançou nesta segunda-feira (26/1), o relatório Futuros do Brasil: Sinais de Transformação (Spotlight), pesquisa colaborativa inédita que mapeia sinais emergentes de mudança em todo o país e apresenta quatro possíveis cenários para o futuro brasileiro até 2035. Com base em contribuições de mais de 500 especialistas, líderes comunitários e cidadãs e cidadãos de todas as regiões, o Spotlight identifica oportunidades e riscos críticos em 16 temas que incluem justiça social, transformação econômica e inovação em governança.
No lançamento, estiveram presentes a ministra Esther Dweck (MGI), o secretário extraordinário para a Transformação do Estado, Francisco Gaetani, o representante residente do PNUD, Claudio Providas, o embaixador André Correa do Lago, presidente da COP30, e a especialista de programa da Unidade de Governança e Justiça para o desenvolvimento do PNUD, Andréa Bolzon, que apresentou os principais resultados da pesquisa.
A ministra Esther Dweck destacou a importância da parceria com o PNUD desde o G20, depois na COP30 e agora com o estudo, para contribuir com as discussões e soluções sobre o papel do Estado nos desafios atuais. Diante de um período com grandes choques políticos, econômicos, tecnológicos, Dweck reforçou a oportunidade do estudo ao trazer questões desafiadoras como equidade, educação, saúde, diversidade e juventude. Para a ministra, muito do que está no relatório, dialoga com iniciativas do governo ou do próprio Ministério, além de reforçar a necessidade de que as políticas públicas e a participação social guiem a atuação do Estado e estejam no centro das decisões.
“Tem uma frase da Mariana Mazzucato, da qual eu gosto muito. Ela diz que a gente não pode simplesmente ligar e desligar o Estado. Agora está tudo bem, está calmo, desliga o Estado, demite todo mundo. Estamos vendo isso acontecer em algum lugar do mundo. Você demora anos para reconstruir essa capacidade do Estado de entregar políticas públicas e no MGI temos trabalhado muito nessa construção de capacidades estatais. Esse relatório traz essa ideia de potencial de transformação e de termos um compromisso coletivo de agir e montar esse futuro compartilhado. Eu espero que essa ferramenta seja utilizada para inspirar políticas públicas mais conectadas com a realidade brasileira, mais comprometidas com esse futuro justo, responsável e adaptado a todos e todas”, destacou a ministra.
Já o presidente da COP 30, André Corrêa do Lago, destacou a parceria do PNUD no processo preparatório de construção da COP 30 e ressaltou como o relatório mostra o quanto o Brasil tem circunstâncias particulares e excepcionais que podem ser usadas de maneira a fortalecer a união nacional, assim como foi feito durante a COP 30. “Tem um elemento importantíssimo nesse relatório que é diminuir essa ideia de que existe nós e outros e, na verdade, somos um só país, e nós precisamos dos outros e outros precisam de nós”, afirmou. Lago também salientou que o estudo aponta caminhos para o fortalecimento da democracia em um momento global tão desafiador.
Objetivos do estudo
O Spotlight oferece um guia para que lideranças em todo o país possam refletir e agir sobre o futuro do Brasil. Ele reconhece desafios estruturais ao mesmo tempo em que destaca a capacidade única de transformação do Brasil. Apesar de desigualdades persistentes e da polarização política, o país registrou avanços notáveis na redução da fome, na ampliação do acesso digital por meio de inovações como o sistema de pagamentos PIX, na consolidação de um forte setor agrícola e na liderança global em energia renovável, com quase 90% de geração elétrica limpa
O propósito do relatório é servir como um guia prático que ajude no planejamento das políticas públicas. Para isso, ele identifica as principais tendências do Brasil para os próximos cinco a dez anos (2030 – 2035) e mapeia desafios e oportunidades em áreas estratégicas como saúde, educação, energia, trabalho, governança e clima.
O secretário Francisco Gaetani reforçou que a iniciativa do estudo em parceria com o PNUD é uma disputa, no presente, pela consolidação da democracia, na aposta de um futuro digno, justo, inclusivo. “Esse relatório é uma coisa nova. Ele abre um caminho, um jeito diferente de pensarmos os nossos desafios no Brasil”, disse ele.
“O Brazil Signals Spotlight é mais do que uma análise – é um chamado à participação e à ação”, afirmou Claudio Providas, chefe do PNUD no Brasil. “É uma ferramenta estratégica de previsão projetada para provocar discussões sobre futuros imaginários e expandir o horizonte das políticas públicas”, completa. Ele destacou que em meio a um cenário de “policrises”, o estudo é uma ferramenta de previsão estratégica que funciona como bússola para agir proativamente. Destacou, ainda, que a polarização política atual muitas vezes sufoca a possibilidade de discussão sobre futuros possíveis para o país. “Este relatório se apresenta com esse objetivo, não como uma previsão estatística tradicional, mas como uma ferramenta estratégica de previsão projetada para provocar discussões sobre futuros imaginários e expandir o horizonte das políticas públicas”, defendeu
Virada Conceitual
Ao apresentar o estudo, a especialista do PNUD, Andréa Bolzon, apontou que o relatório traz uma virada conceitual ao apontar o futuro como uma função do Estado. Estados modernos, bons, não são só os estados hiper eficientes, que respondem bem a todo tipo de crise, de uma maneira reativa, mas o Estado que consegue antecipar as coisas para lidar com crises futuras. “É uma característica desse Estado moderno, ser um Estado capaz de antever o futuro”, argumentou. O estudo, portanto, não é conclusivo, mas aponta caminhos e convida para a reflexão sobre a ação coletiva direcionada para um futuro melhor, explicou.
Metodologia
Em todo o processo de pesquisa foram mobilizados representantes de diferentes ministérios do governo federal em articulação com a sociedade civil, com o meio acadêmico e com lideranças comunitárias de diferentes origens e regiões do país. O estudo foi desenvolvido ao longo de seis meses – de maio a outubro de 2025 – e compreendeu a identificação de 16 temas centrais relacionados ao futuro do Brasil e foram encontrados mais de 500 sinais de mudança.
Para identificar essas tendências, foram realizados:
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Treinamentos com mais de 50 integrantes do governo brasileiro em metodologia Prospectiva Estratégica, desenvolvida pela Universidade de Houston em parceria com o PNUD
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Entrevistas com 15 especialistas;
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Oficinas de discussão e análise de sinais de mudança com 90 participantes;
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Desenvolvimento de cenários possíveis para o futuro do Brasil;
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Questionários adicionais com mais de 150 respostas
Inovação e Resiliência
O estudo está organizado em três eixos temáticos principais: Futuros Justos (equidade, educação, saúde, diversidade e juventude); Futuros Responsáveis (emprego, setor privado, finanças sustentáveis, infraestrutura e energia) e Futuros Adaptáveis (governança, segurança pública, urbanização, biodiversidade e clima).
Entre os principais achados do Spotlight estão:
· Imperativo de Transformação Econômica: O Brasil enfrenta um déficit crítico de competências em um cenário de queda de natalidade e avanços tecnológicos. O relatório enfatiza que o emprego deve ser tratado como investimento estratégico na resiliência nacional e não como simples subproduto do crescimento.
· Oportunidade de Liderança Climática: A realização recente da COP30 oferece ao Brasil oportunidade contínua de moldar a narrativa global sobre governança climática, ao mesmo tempo em que enfrenta contradições internas entre proteção ambiental e pressões pelo desenvolvimento econômico.
· Potencial de Inovação em Governança: Apesar dos desafios institucionais, iniciativas de base emergem em todo o país – desde programas comunitários de segurança que reduziram a criminalidade em 80% até modelos de conservação liderados por povos indígenas e movimentos juvenis de ativismo climático.
· Mudanças Demográficas e Sociais: Com 78% dos jovens brasileiros enfrentando “futurofobia”, o relatório defende a reinvenção da educação, do emprego e da participação cívica para liberar o potencial das novas gerações.
O relatório está disponível nas versões inglês e português. Acesse: https://www.gov.br/gestao/pt-br/central-de-conteudo/futuros-do-brasil-sinais-de-transformacao