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Na Índia, Esther Dweck defende IA como ferramenta para reduzir desigualdades e enfrentar crise climática
A ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, participou, nesta sexta-feira (20/02), na Índia, de um painel dedicado às experiências do governo federal no uso de Inteligência Artificial (IA). A agenda faz parte da missão oficial do governo brasileiro no país, e contou também com participação de outros integrantes da comitiva ministerial do presidente Lula, como a ministra Luciana Santos (Ciência, Tecnologia e Inovação) e os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores), Alexandre Padilha (Saúde), Camilo Santana (Educação) e Frederico Siqueira (Comunicações), além de autoridades de diversos países.
Durante o painel, Esther Dweck destacou que a revolução tecnológica impulsionada pela inteligência artificial deve estar orientada pelas necessidades das pessoas e pela sustentabilidade do planeta. “Devemos lembrar que escolhas que fazemos hoje podem – e irão - moldar o caminho à frente”, disse.
A ministra ressaltou que a IA representa uma ferramenta com potencial para gerar benefícios significativos à sociedade, desde que seja adotada com responsabilidade e com diretrizes claras de governança. Segundo ela, a ausência de medidas adequadas pode ampliar desigualdades já existentes e comprometer avanços sociais. “A inteligência artificial jamais deve ser usada para exclusão ou dominação. Ela deve ser uma ferramenta para o benefício da população, para melhorar as condições de vida das pessoas, enfrentar a crise climática e reduzir as desigualdades. Este é o compromisso do Brasil”.
Durante o encontro, a ministra afirmou que, embora as tecnologias tenham evoluído significativamente nas últimas décadas, as desigualdades persistem. Segundo ela, a superação do hiato digital, a universalização de infraestruturas públicas digitais e a democratização da governança tecnológica permanecem como desafios centrais no sul global. Para enfrentar tal desafio, Esther Dweck defendeu a cooperação estratégica. “Não podemos ser meros espectadores. A cooperação estratégica entre os países do sul global nos dá a oportunidade de construir capacidades próprias, infraestrutura nacional e soluções voltadas aos nossos desafios”, disse a ministra da Gestão.
IA no setor público
A ministra também abordou os impactos da IA no serviço público brasileiro, destacando projetos e iniciativas do governo que já utilizam IA para impulsionar políticas públicas. Segundo ela, em 2025 o governo federal já utilizava 182 soluções de IA distribuídas em 58 órgãos.
Esther Dweck destacou a Base de Dados do Brasil, conhecida como Infraestrutura Nacional de Dados (IND), conjunto de normas, políticas, padrões e ferramentas tecnológicas implantadas no governo brasileiro para promover o uso estratégico e a interoperabilidade no âmbito do Poder Executivo Federal. Como exemplo, a ministra citou o trabalho realizado no ecossistema de dados territoriais, fundiários e ambientais, como o Cadastro Ambiental Rural (CAR), que já conta com mais de 7 milhões de registros, e o aplicativo Meu Imóvel Rural, com mais de 300 mil usuários.
Esther também trouxe à tona a necessidade de adotar critérios éticos e técnicos em todas as etapas de desenvolvimento das soluções de IA, especialmente na seleção e organização dos dados de treinamento. “Diante da expansão da tecnologia, o ministério tem priorizado a capacitação de servidores e trabalhadores, com trilhas de treinamento gratuitas, guias de boas práticas e ferramentas de autoavaliação de impacto ético”, afirmou.
Investimentos
Com significativos avanços, mas ainda com um longo caminho a percorrer, Esther Dweck destacou que o governo está investindo, na camada de infraestrutura básica da IND, mais de R$ 1 bilhão em empresas públicas como o SERPRO e a DATAPREV, para garantir nuvens de dados residentes e soberanas. Para isso, o governo conta com vários provedores, com o objetivo de garantir a autonomia operacional nacional, a integridade, a governança e a segurança da informação de dados.
Os investimentos também passam pela capacitação de servidores públicos, em parceria com a Escola Nacional de Administração Pública (ENAP). De acordo com Esther Dweck, o governo já oferece, de forma aberta e gratuita, 8 trilhas de treinamento em IA para 4 perfis diferentes: líderes seniores, gestores de TIC, curadores de dados e agentes públicos em geral, com mais de 200 horas de aprendizagem para cada perfil.
Projetos
A ministra da gestão destacou três projetos de grande impacto no desenvolvimento e aplicação de IA no Brasil a partir de arranjos institucionais colaborativos entre o governo e o ecossistema de inovação. São eles:
Centro de Inteligência Artificial do Nordeste (CIAN), parceria estratégica entre empresas públicas e privadas, o Consórcio Interestadual do Nordeste e várias universidades federais da região - incluindo a UFC, UFRN, UFPB e UFPI. O centro visa promover o desenvolvimento social e econômico do Nordeste, aplicando IA para gerar novas soluções em setores estratégicos, como administração pública, saúde, educação e segurança pública.
Programa INSPIRE - Inteligência Artificial no Serviço Público com Inovação, Responsabilidade e Ética, em parceria com o MCTI e o CPQD. O Inspire busca alavancar a qualidade e a escala dos serviços públicos com o desenvolvimento de IA com maior grau de soberania. Em parceria com empresas nacionais, o programa investe no desenvolvimento de soluções voltadas à ampliação do acesso e à personalização de políticas e serviços públicos.
Ideia Terra Brasil, que prevê uso de IA para integração e inteligência de dados fundiários, ambientais e climáticos. Com o programa, espera-se facilitar o combate ao desmatamento ilegal, reduzir o tempo de regularização fundiária e melhorar o acesso ao crédito rural pelos pequenos produtores.
“Queremos que a revolução tecnológica promovida pela IA considere as necessidades das pessoas e o futuro do planeta. Por isso, precisamos atuar, com senso de urgência, na democratização dos benefícios e na mitigação dos riscos da era digital”, concluiu Esther Dweck.