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INSTITUCIONAL
Há sintonia entre o trabalho do MGI e o pensamento de Celso Furtado, diz Esther Dweck
Evento no Salão Nobre da Câmara dos Deputados celebrou a trajetória do Centro Celso Furtado e o lançamento de livro comemorativo. Foto: Adalberto Marques
A ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), Esther Dweck, participou nesta quarta-feira (27/11) da cerimônia em comemoração aos 20 anos do Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento (CICEF), realizada no Salão Nobre da Câmara dos Deputados, no Congresso Nacional. O evento marcou também o lançamento do livro “Intérpretes do pensamento desenvolvimentista – 20 anos do Centro Celso Furtado”. O evento também contou com as participações de Rosa Freire d’Aguiar, jornalista e tradutora e viúva de Celso Furtado, e de Carlos Pinkusfeld, diretor-presidente do Centro.
Durante sua participação, a ministra destacou a importância de Celso Furtado como referência para a compreensão do país e para a construção de caminhos de transformação. “Ele foi e continua sendo justamente uma das pessoas que faz a gente acreditar que o Brasil pode ser diferente. A interpretação dele sobre o Brasil fez com que a gente pudesse avançar muito e mudar a realidade de quando ele estudou a formação brasileira”, afirmou.
Ao relacionar o pensamento de Celso Furtado com a atuação do governo, a ministra afirmou que o Ministério da Gestão trabalha na transformação do Estado brasileiro, em sintonia com a visão do economista sobre o papel ativo do Estado no desenvolvimento. Ela destacou o significado simbólico de ocupar hoje o mesmo prédio em que Celso Furtado foi ministro. “Estar ministra no prédio onde o Celso Furtado foi ministro é motivo de orgulho”, afirmou.
A ministra destacou que o processo de transformação passa pelo fortalecimento dos instrumentos do Estado, com ênfase na valorização do serviço público e na adoção de novas tecnologias para ampliar a capacidade de atuação da administração. “Um dos principais instrumentos de qualquer Estado são os seus servidores públicos, e a gente tem trabalhado para modernizar o Estado digital, integrar a base de dados, fortalecer a governança das informações e simplificar processos”, disse.
Ao reforçar a importância das instituições para o desenvolvimento, Dweck retomou uma ideia central de Celso Furtado. “Ele acreditava profundamente na criatividade do povo brasileiro, mas sabia que, sem instituições à altura, essa criatividade poderia ser desperdiçada ou capturada.”
A criação do Centro e seus desafios ao longo dos anos
Ao relembrar a criação do Centro, a ministra enfatizou que a instituição nasceu por iniciativa do presidente Lula como forma de preservar e difundir o legado de Celso Furtado. “Ele nasce ali da decisão do presidente Lula de homenagear o Celso Furtado, logo depois de sua morte.” Sobre as diretrizes da instituição, destacou que o Centro foi estruturado em três eixos. “Preservar a memória, irradiar propostas e formar pessoas”, explicou.
A ministra lembrou os desafios enfrentados pela instituição após 2016, período que classificou como especialmente difícil para seu funcionamento. “Foi um momento muito difícil para o Centro, posso dizer, quase de uma retaliação, achando que isso faria então que a instituição morresse, tentando fazer um certo apagamento institucional da instituição.” Ainda assim, destacou que o Centro se manteve ativo.
Com a volta do presidente Lula, segundo a ministra, teve início uma nova fase para a instituição. Ela afirmou que está em andamento o trabalho para que a sede do Ministério da Fazenda, no Rio de Janeiro, passe a abrigar definitivamente o Centro. “A gente tem feito esse trabalho para que a sede do Ministério da Fazenda lá no Rio passe a ser a sede do Centro Celso Furtado, dentro do nosso programa Imóvel da Gente, com uma entrega formal, para que ninguém possa expulsar o Centro de lá.”
Ao comentar as iniciativas em curso, a ministra destacou o fortalecimento das parcerias, a retomada da cooperação com o BNDES, convênios com organizações da sociedade civil e articulação com o Estado da Paraíb, e agradeceu à Caiixa Econômica Federal pelo apoio aos projetos desenvolvidos em parceria com o Centro.
Ao abordar o contexto internacional, a ministra ressaltou o aprofundamento das desigualdades e seus efeitos sobre as democracias. “Nas últimas décadas, vimos aprofundamentosde desigualdades em múltiplas dimensões, de renda, de gênero, de raça e de território, com efeitos diretos sobre a saúde das democracias”, explicou.
Para Dweck, Celso Furtado teria orgulho das transformações recentes e da nova posição internacional do Brasil. “Hoje o Brasil já tem outra relação com o centro hegemônico. O Celso Furtado ficaria muito orgulhoso de ver o presidente Lula nesse papel.”
Ao final, a ministra agradeceu ao Centro Celso Furtado pela atuação crítica em períodos de ameaça institucional e reafirmou o compromisso da pasta com o fortalecimento do Estado. “Persistir na complexidade, na historicidade e na análise da estrutura de poder é um serviço ao Brasil. Por parte do Ministério da Gestão, fica o compromisso de reconstruir e fortalecer a capacidade do Estado brasileiro, não como um fim em si mesmo, mas como parte de um projeto maior”, finalizou.