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DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO
Esther Dweck afirma que Brasil retoma crescimento com foco na redução da pobreza, justiça tributária e fortalecimento do Estado
A ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), Esther Dweck, afirmou nesta segunda-feira (01/12) que o Brasil vive um novo ciclo de crescimento com mais qualidade, marcado pela recuperação gradual da indústria, pela redução da pobreza, pela queda do desemprego com diminuição da informalidade e pelo aumento da renda das famílias. Segundo ela, o país volta a mudar seu padrão de crescimento e desenvolvimento após um período prolongado de estagnação.
A declaração foi feita durante participação virtual na Semana de Economia Brasileira CICEF-BNDES, organizada pelo Centro Internacional Celso Furtado, com apoio do BNDES. No evento, a ministra apresentou uma análise da conjuntura internacional, dos desafios estruturais da economia brasileira, dos resultados recentes do governo federal e da agenda de políticas em curso para sustentar o desenvolvimento de longo prazo.
A avaliação é sustentada pelos dados mais recentes apresentados pela ministra. De acordo com ela, nos dez primeiros trimestres do governo Lula 3, o crescimento da economia já superou todo o período do governo anterior, impulsionado não apenas pela agropecuária, mas também por uma retomada mais consistente da indústria. “A formação bruta de capital fixo voltou a ser protagonista. O investimento passou a crescer mais que o restante da economia, e isso muda tudo, porque é o investimento que puxa a indústria e melhora a qualidade do desenvolvimento”, afirmou.
A ministra afirmou que o atual momento combina expansão econômica com redução das desigualdades sociais, algo incomum na trajetória brasileira. “Tivemos poucos períodos na história em que crescemos reduzindo desigualdade. Um deles foi nos mandatos anteriores do presidente Lula e no governo da presidenta Dilma. Agora, voltamos a crescer com redução das desigualdades, o que é algo muito raro no Brasil”, explicou.
Para Esther Dweck, além da retomada da atividade econômica, o governo tem avançado sobre as causas estruturais da desigualdade. “Esse mandato enfrentou uma das raízes mais profundas da desigualdade no Brasil. A mudança tributária mais recente passou a alcançar fluxos de renda que não eram tributados, como lucros e dividendos, isentos desde 1995. Houve, finalmente, consenso político para enfrentar essa agenda”, disse.
A mudança tributária a que a ministra se refere é a nova política de isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil por mês, sancionada pelo presidente Lula, com entrada em vigor prevista para janeiro de 2026. Além de zerar a cobrança para essa faixa, a medida reduz o imposto de quem ganha entre R$ 5 mil e R$ 7.350 e transfere a compensação para contribuintes de alta renda, especialmente aqueles que recebem mais de R$ 1 milhão por ano. A expectativa do governo é que a mudança injete cerca de R$ 28 bilhões na economia em 2026, impulsionando o consumo, fortalecendo o mercado interno e ampliando os efeitos redistributivos.
Retomada do desenvolvimento como agenda
Para a ministra, o Brasil voltou a tratar o desenvolvimento como projeto nacional, para além de metas de curto prazo. “Voltamos a ter um projeto de desenvolvimento. Não é apenas crescer, mas discutir se esse crescimento redistribui renda, gera emprego de qualidade e é ambientalmente sustentável”, disse.
Segundo ela, o governo atua em três frentes integradas: fortalecimento da estrutura produtiva e tecnológica, redução das desigualdades e sustentabilidade ambiental. Esse tripé orienta políticas como a reforma tributária, o Novo PAC, a Nova Indústria Brasil, o Plano de Transformação Ecológica e o processo de modernização do Estado.
A ministra também ressaltou que a crise climática ocupa hoje o topo da agenda econômica internacional e relembrou as discussões realizadas recentemente na COP30. Para Esther Dweck, o Brasil tem uma oportunidade estratégica ao associar o enfrentamento das mudanças climáticas a uma agenda de desenvolvimento, de indução de investimentos, de reindustrialização sustentável e de geração de empregos de maior qualidade. “Hoje, quando a gente olha os riscos globais mais graves, eles estão todos ligados à questão climática. Não é mais só uma discussão ambiental. É uma discussão econômica, social e de desenvolvimento. Ou a gente enfrenta esse desafio agora, ou corre o risco de passar de um ponto de não retorno”, afirmou.
Redução da pobreza e mercado de trabalho aquecido
Na área social, Esther Dweck destacou que o Brasil voltou a sair do Mapa da Fome e registrou avanços consistentes na redução da pobreza e da desigualdade. “O redesenho do Bolsa Família e a focalização correta das transferências de renda permitiram reduzir novamente a fome e a desigualdade. Transferência de renda só faz sentido quando combate pobreza e insegurança alimentar”, disse.
Segundo a ministra, os avanços também passam pela recuperação do mercado de trabalho, com recorde de emprego formal, queda da informalidade e crescimento real da renda média. “Voltamos a ter uma economia com maior capacidade de distribuição de renda. A combinação entre crescimento, emprego e redução da desigualdade é rara.” Ela acrescentou que a inflação sob controle ajuda a preservar os ganhos reais de renda das famílias.
Desafios e próximos passos
Apesar dos avanços, Esther Dweck alertou que permanecem desafios estruturais, como a necessidade de elevar a taxa de investimento, aprofundar a recuperação da indústria e reduzir de forma mais intensa a concentração de renda. “Precisamos crescer em ritmo mais próximo ao das economias emergentes, ampliar o investimento público e privado e avançar ainda mais na justiça tributária”, segundo a ministra, esse processo depende diretamente da capacidade do Estado.
Ao concluir, a ministra afirmou que o desenvolvimento de longo prazo exige mudança estrutural e depende de um Estado reconstruído, fortalecido e capaz de induzir o desenvolvimento. Segundo ela, embora os avanços já sejam significativos, o atual ciclo ainda precisa ser consolidado. “Os resultados são importantes, mas é preciso ir além. Crescer mais, investir mais e reduzir mais as desigualdades. Essa é a agenda que está posta para o Brasil”, afirmou.
A ministra também apresentou a agenda de Transformação do Estado, conduzida pelo MGI desde janeiro de 2023, estruturada em três eixos: pessoas, digital e organizações. A iniciativa reúne 38 ações concluídas e outras em andamento, com foco na modernização da gestão pública, na valorização dos servidores, na ampliação dos serviços digitais e no fortalecimento das capacidades institucionais. “Essa agenda é parte essencial da estratégia de desenvolvimento do país, porque um Estado mais eficiente e inovador é condição para implementar políticas públicas e reduzir desigualdades”, concluiu.