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Parque exibidor brasileiro

Segmento de salas de exibição ainda sob fortes efeitos da pandemia de Covid-19

Dados atualizados até a sexta semana cinematográfica, encerrada na Quarta-Feira de Cinzas, demonstram redução de mais de 90% do público em relação ao mesmo período de 2020.
Publicado em 24/02/2021 13h20 Atualizado em 24/02/2021 13h23
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Após encerrar o ano de 2020 com uma queda de cerca de 77% em público e renda em relação ao ano anterior, o segmento de salas de exibição iniciou o ano de 2021 ainda sob os fortes efeitos da pandemia de COVID-19.

Nas seis primeiras semanas cinematográficas do ano (7 de janeiro a 17 de fevereiro) o público total ficou abaixo de 2 milhões de pagantes, com uma renda acumulada de aproximadamente R$ 30 milhões. Em 2020, neste mesmo período, considerado relevante em função das férias escolares e da concentração de grandes lançamentos, as primeiras seis semanas levaram mais de 27 milhões de espectadores às salas de cinema, com uma receita de mais de R$ 400 milhões.

Para o cinema brasileiro o impacto é ainda mais significativo, uma vez que este período do ano vinha sendo marcado por grandes lançamentos do cinema nacional. Entre 2017 e 2020, o público acumulado dos filmes brasileiros nas seis primeiras semanas do ano oscilou de 2 a 8 milhões de espectadores. Em 2021, esse montante sequer superou cem mil pagantes.

O número de salas de cinema em funcionamento, de acordo com o Sistema de Controle de Bilheteria da ANCINE (SCB), vem apresentando uma trajetória relativamente estável desde meados de novembro de 2020, com um pico nas últimas semanas de 2020, quando 2087 salas registraram atividade. Após uma queda nas primeiras semanas do ano, o total de salas abertas voltou a apresentar pequeno crescimento na sexta semana de 2021, de 11 a 17 de fevereiro, com 2034 salas em atividade. Vale dizer que, em 2020, o SCB registrou 3373 salas abertas na mesma semana. No total, o número de salas em funcionamento na sexta semana cinematográfica de 2021 foi de 60% da mesma semana em 2020.

É importante mencionar que a reabertura de salas não ocorre de forma homogênea nas diferentes regiões do país. Enquanto os estados do Rio de Janeiro e São Paulo registraram na semana 6 cerca de 70% de salas em funcionamento quando comparado com o mesmo período de 2020, em outras regiões como Nordeste e Centro-Oeste esse percentual é pouco superior a 60%, e no conjunto de estados da região Sul, Minas Gerais e Espírito Santo, chega próximo de 50%. Destaque para a forte queda apresentada na região Norte, que inicia o ano de 2021 com menos de 40% de salas em funcionamento. No fim de 2020, havia cerca de 70% de salas em funcionamento.

De qualquer forma, vale destacar que o número de salas em funcionamento indica apenas parcialmente o desempenho do setor.

A receita de bilheteria, por exemplo, após um rápido crescimento ocasionado pela reabertura dos cinemas se estabilizou até a estreia do longa-metragem Mulher-Maravilha 1984, em 17 de dezembro. A partir daí, no entanto, a arrecadação passou a apresentar tendência de queda no início de 2021.

Assim, apesar de contar com 60% das salas abertas em relação ao mesmo período de 2020, a receita de bilheteria nas primeiras semanas de 2021 chegou a, no máximo, 10% da média semanal entre 2017 e 2019. Ainda, o público por sala em 2021 vem se mantendo em patamares abaixo de 200 espectadores por semana, quando entre 2017 e 2020, a média semanal de público por sala nas seis primeiras semanas girou em torno de 1.200 pagantes.

Ainda que seja observado um leve incremento na renda de bilheteria e público a partir da quinta semana cinematográfica de 2021, os números indicam que ainda é cedo para falar em uma recuperação do setor, uma vez que boa parte dos indicadores vem se mantendo estáveis ou com tendência de queda, com valores inferiores, praticamente a metade, daqueles obtidos na semana de lançamento do filme Mulher-Maravilha 1984, a de melhor desempenho após a reabertura gradual das salas. A sexta semana de 2021, que se encerrou na Quarta-Feira de Cinzas, totalizou a renda de R$ 5.737.021,00, números bem inferiores aos obtidos na 51ª semana cinematográfica de 2020, que gerou R$ 11.309.640,88 de bilheteria.

A dinâmica da recuperação no curto e no médio prazo tende a ser diretamente influenciada tanto pela situação da pandemia de COVID-19 no país quanto pela estratégia a ser adotada em relação aos grandes lançamentos previstos para os próximos meses.

Abaixo, alguns gráficos que ilustram a continuidade dos impactos da pandemia de COVID-19 e a grave crise vivenciada pelo setor de salas de exibição nos anos de 2020 e 2021.

 

 

 

 

 

 

A atualização semanal dos resultados do cinema brasileiro em 2021 está disponível na página da ANCINE, no Observatório Brasileiro do Cinema e Audiovisual – OCA.