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ANCINE apresenta panorama do setor audiovisual brasileiro para o Conselho Superior do Cinema

Informações confirmam a relevância econômica e estratégica da atividade audiovisual, e vão subsidiar a formulação e o planejamento das políticas públicas para o setor
Publicado em 17/09/2021 16h33
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A ANCINE participou da 1ª Reunião Ordinária do Conselho Superior do Cinema (CSC), que aconteceu em Brasília, no dia 2 de setembro. A Agência foi convidada a apresentar um panorama do setor audiovisual brasileiro. A apresentação faz parte de um cronograma para a elaboração do novo Plano de Diretrizes e Metas para o Audiovisual (PDM). 

Após a abertura dos trabalhos pelo Secretário Especial de Cultura Mário Frias, e o detalhamento das estratégias para a modelagem do novo PDM pelo Secretário do Audiovisual Bruno Graça Melo, coube ao diretor Tiago Mafra, representando a ANCINE, a apresentação do panorama setorial. 

Os dados levantados no panorama têm como objetivo fornecer subsídios e auxiliar tecnicamente a avaliação, o planejamento e a formulação das políticas públicas do setor do audiovisual.  

As distorções provocadas pela pandemia de COVID-19 foram identificadas no panorama, revelando os segmentos de mercado que mais sofreram com a retração econômica.  

Muito embora o setor do audiovisual, como grande parte da economia do país, tenha sido impactado pela pandemia, em especial o segmento de exibição cinematográfica, os dados mostram que o setor continuou bastante ativo, com destaque para o segmento de Vídeo sob Demanda (VoD), que apresentou forte crescimento no período. 

Em 2020 foram produzidas mais de 2.900 obras, 16% abaixo da média anual obtida entre os anos de 2015-2019. Desse total, cerca de 1.592 foram filmes e séries, não incluídas as obras videomusicais. Deste universo de filmes e séries de ficção, documentário, animação, além de programas de variedades e reality shows, 945 obras, ou seja, mais da metade, foi produzido por produtoras independentes.  

No mesmo período de 2015-2019, em média, 340 obras foram produzidas anualmente com algum tipo de financiamento público gerido pela ANCINE (Leis de incentivo e/ou Fundo Setorial do Audiovisual). Em 2020 foram 311 obras com financiamento público, ou seja, uma redução de 9% na média anual, mesmo durante a situação da COVID-19 e suas restrições sanitárias. 

Quanto à evolução do número de empregos no setor, no período analisado de 2010-2019, a TV Aberta foi a atividade econômica que mais gerou vínculos de emprego, com uma participação, em 2019, de 57% do total de postos de trabalho gerados pelo setor audiovisual. Os dados e informações relativos à 2020 serão atualizados tão logo disponibilizados pelo Ministério do Trabalho e Previdência. 

No mercado de TV Paga destacou-se a redução da base de assinantes, que se manteve em 2020 com a mesma tendência de queda já registrada, retornando em meados de 2021 a patamares inferiores aos de 2012. Entretanto, o panorama identificou que, em 2020, em termos gerais, a média de participação de programação de obras brasileiras nos canais de filmes e séries permaneceu nos mesmos patamares dos anos anteriores, para produções independentes ou não. 

Apesar de uma recuperação no início da pandemia, a audiência da TV Paga como um todo vem mantendo uma trajetória de queda. Em contraste, vem crescendo a audiência de conteúdos não-lineares, incluindo serviços de streaming ao vivo ou sob demanda.  

Outro indicador importante que corrobora essa queda está ligado ao share da audiência dos canais de TV Paga. O share de audiência mostra o quanto um canal, ou conjunto de canais, representa em relação ao total de televisões ligadas. Ou seja, se em determinado momento 30% das pessoas assistindo TV estão sintonizadas em um canal, o share desse canal é de 30%. 

Observou-se que, cada vez mais, o conteúdo consumido via TV tende a ser destas outras fontes, que não são canais de conteúdo linear. 

Os dados apontam que, nas faixas de 4 a 11 anos e de 12 a 17 anos, a participação do conteúdo não-linear nas TVs assistidas já está em patamares similares, em média, que o dos canais de TV Paga ou Aberta, com tendência de aumento. 

O panorama ressaltou também dados sobre o valor adicionado do setor audiovisual no período anterior à pandemia, publicados no Observatório Brasileiro do Cinema e do Audiovisual (OCA).  

O Valor Adicionado (VA) é um indicador que busca medir a relevância econômica do setor. Em termos macroeconômicos, ele permite conhecer a contribuição do setor para a produção total de bens e serviços ou, sob outra ótica, para a geração de renda no país 

Utilizando a última atualização de dados do IBGE, as estimativas da ANCINE apontam um crescimento do valor adicionado pelo setor até 2014, mantendo patamares similares nos anos seguintes, até o valor de R$26,7 bilhões em 2018.  

Pode-se observar que o VA do setor audiovisual foi maior que de setores como o da fabricação de produtos têxteis e de produtos farmoquímicos e farmacêuticos.  

Em 2018, a TV Paga ainda respondia pela maior parte do VA gerado pelo setor, mas em um percentual que começou a se reduzir a partir de 2016. Por outro lado, observou-se forte crescimento na participação do valor adicionado pelo VoD a partir de 2017, chegando a responder por cerca de 20% do VA do setor em 2018. 

Outro destaque do panorama é a migração verificada nos investimentos de publicidade das mídias tradicionais para as mídias digitais. Conforme Pesquisa do Conselho Executivo das Normas-Padrão (CENP), realizada a partir de uma amostra de agências de publicidade, em 2020 o investimento total em publicidade caiu 19% na comparação com 2019. A TV Aberta perdeu R$ 1,9 bilhão no período (-20,4%); a TV Paga teve queda ainda maior, indo de R$ 1,21 bilhão para R$ 844,1 milhões (-30,6%); e a maior queda em receitas de publicidade foi nos cinemas (-78,89%). O único meio que incrementou o faturamento de mídia foi a internet (+1,7%), que registrou uma participação de 26,7% do bolo publicitário de 2020, contra 21,2% em 2019. 

Para as salas de cinema do país, o ano de 2020 foi desafiador, encerrando o período com um público de aproximadamente 39 milhões de espectadores, o que representa uma queda de mais de 77% em relação a 2019. 

Após passar a maior parte do ano de 2020 sem atividades nas salas de cinema do país, a partir de setembro de 2020, inicia-se um processo de reabertura, que é interrompido no fim do 1ª trimestre de 2021, quando os indicadores de contágio voltaram a subir e novas medidas de distanciamento social foram tomadas. Mais recentemente, o avanço da vacinação e a diminuição no número de casos proporcionou uma nova reabertura, fazendo com que o número de salas em funcionamento na semana 31, em meados de agosto de 2021, fosse o maior desde o início da pandemia. O movimento de reabertura vem atingindo todas as regiões do país, com destaque para o eixo Rio-São Paulo, onde se concentra a maior parte das salas do parque cinematográfico e que, no fim do segundo trimestre, possuía cerca de 90% do total de salas abertas em relação à mesma semana de 2019. 

No fim do segundo trimestre, pela primeira vez desde o início da pandemia, o público semanal das salas de cinema superou 1 milhão de espectadores. Esse número, apesar de significativo, ainda é inferior à média de público semanal ocorrida entre 2017 e 2019, que foi de cerca de 3,2 milhões de espectadores. Da mesma forma, o público total acumulado até o fim do primeiro semestre de 2021 foi de aproximadamente 7,5 milhões, cerca de apenas 8% da média de público para o mesmo período entre 2017 e 2019. 

Sobre o processo de reabertura da economia no país, as perspectivas são positivas. Pesquisa Datafolha/Itaú Cultural apontou que o cinema é a atividade que os brasileiros mais sentiram falta durante o período de fechamento dos espaços dedicados a atividades culturais e entretenimento. 

Além das melhoras no cenário sanitário do país, o período recente foi marcado pela volta dos grandes lançamentos cinematográficos, que ajudam no retorno do público às salas de cinema. Dos dez filmes de maior público desde março do ano passado, nove estrearam no segundo trimestre de 2021.  

Finalmente, o panorama demonstrou a necessidade de modernização da regulação, a partir da consideração e inserção das novas tecnologias, no escopo de criar um ambiente econômico mais competitivo e com menos assimetrias, aumentando a eficiência da política pública para o setor.