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Qualificação
Brasil apresenta experiência em Aprendizagem Profissional na Oficina internacional da Unesco em SP
A experiência brasileira na política de Aprendizagem Profissional, reconhecida como uma das principais estratégias de inserção protegida de jovens no mundo do trabalho, foi apresentada nesta terça-feira (4) durante a Oficina Internacional: Diálogos sobre Juventude e Trabalho - Intercâmbio de Experiências entre Países da América Latina, promovida pela Unesco-UNEVOC na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em São Paulo. Além de representantes do Brasil, participam do evento, que segue até a próxima sexta-feira (6), delegações do Chile, Paraguai, Peru, Uruguai e México.
Representando o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o diretor de Políticas de Trabalho para a Juventude, João Victor da Motta Baptista, participou do painel “Da aprendizagem ao trabalho: emprego juvenil, engajamento da indústria e trajetórias de aprendizagem baseada no trabalho”, ao lado de especialistas do Brasil, México e Alemanha.
Em sua apresentação, João Victor destacou a trajetória histórica da aprendizagem profissional no país, instituída na década de 1940 e fortalecida com a modernização do marco legal a partir dos anos 2000, política pública que já beneficiou mais de 6 milhões de brasileiros.
“Atualmente, temos quase 740 mil jovens com contratos ativos de aprendizagem, em um modelo que combina formação teórica e prática profissional. Trata-se da maior política pública de inserção profissional de jovens no Brasil”, afirmou.
O diretor ressaltou que o modelo brasileiro possui características próprias, especialmente pela atuação das entidades formadoras como parceiras centrais da política pública. Segundo ele, essas instituições desempenham um papel que vai além da qualificação técnica, oferecendo apoio pedagógico, acolhimento social e orientação para jovens em situação de vulnerabilidade.
“Em um país marcado por desigualdades sociais e econômicas, as entidades formadoras ajudam na recuperação de aprendizagens escolares, no acompanhamento psicossocial e na articulação com outros serviços públicos. Elas são fundamentais para o sucesso da política”, explicou.
Durante o debate, ele enfatizou ainda o impacto econômico e social da política. Segundo o diretor, a aprendizagem profissional movimenta cerca de R$ 8 bilhões por ano em distribuição de renda, por meio do pagamento de salários aos jovens aprendizes.
João Victor também destacou que a aprendizagem profissional promove a permanência dos jovens na escola, amplia as oportunidades de qualificação e contribui para trajetórias ocupacionais mais consistentes, especialmente para aqueles em situação de maior vulnerabilidade social.
Experiência Méxicana
Representando a Secretaria de Educação Pública do México, Manuel Gerardo Delgado Linero apresentou a experiência do país na implementação da educação dual, modelo educacional que integra o aprendizado acadêmico à formação prática em ambientes de trabalho. Nessa modalidade, os processos de ensino e aprendizagem acontecem tanto na escola quanto em espaços de formação laboral, como empresas e instituições públicas.
Ao concluir o programa, explicou Linero, o estudante obtém dois certificados. O primeiro é o certificado nacional de conclusão dos estudos, que lhe permite prosseguir sua trajetória educacional no ensino superior. O segundo é um certificado de formação profissional, que valida as competências, habilidades e conhecimentos adquiridos ao longo da formação para o trabalho prevista no currículo da educação média superior.
“A educação dual se consolidou como uma trajetória formativa estruturada, que articula o ensino tradicional em sala de aula com experiências práticas em espaços de formação laboral, sejam eles empresas ou instituições públicas, seguindo critérios pedagógicos claramente definidos para cada área de formação. Isso resulta na dupla certificação”, destacou Linero.
Segundo ele, o México se inspirou nos modelos da Alemanha e da Suíça, mas os adaptou à realidade mexicana. O país reúne regiões com elevado desenvolvimento industrial e outras marcadas por características predominantemente rurais, com diferentes níveis de desenvolvimento econômico e oferta de oportunidades de formação.
“Por essa razão, o programa também incorporou instituições públicas como espaços de formação laboral. Isso permite que, em regiões onde o setor industrial não é suficientemente desenvolvido, prefeituras e outras instituições públicas possam oferecer oportunidades de aprendizagem aos jovens”, concluiu.
Agenda de quinta e sexta-feira
A Oficina continua nesta quinta-feira (5) com uma visita técnica dos representantes internacionais a duas escolas do Senai: uma na área de Mecatrônica, em São Caetano do Sul, e outra na área de Biotecnologia, no bairro do Bom Retiro, em São Paulo.
Na sexta-feira (6), a Oficina estará sob a coordenação do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em parceria com o Ministério das Relações Exteriores (MRE), por meio da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), e com a Organização Internacional do Trabalho (OIT). A programação será dedicada ao intercâmbio de experiências e à consolidação das discussões realizadas ao longo da semana, com foco na ampliação das oportunidades de qualificação e inclusão produtiva de jovens na América Latina.
A atividade ocorrerá no Senai Vila Mariana e contará com a presença do ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho.