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Discurso da Secretária-Geral na abertura do Seminário sobre o Dia Internacional da Mulher na Diplomacia - Auditório do Instituto Rio Branco, 24/6/2025
É com muita satisfação que participo desta mesa de abertura deste seminário dedicado à celebração do Dia Internacional das Mulheres na Diplomacia e também dos 80 anos da assinatura da Carta da ONU e dos 25 anos da adoção da Resolução do Conselho de Segurança sobre a agenda “Mulheres, Paz e Segurança”.
Não poderia deixar de mencionar a feliz coincidência de celebrar essas datas no ano em que o Instituto Rio Branco celebra seus 80 anos de existência. Primeira academia diplomática das Américas e uma das mais antigas do mundo, podemos dizer agora que o Instituto Rio Branco também é uma instituição que busca adotar ações afirmativas para a inclusão de mulheres na diplomacia.
Como todos sabem, desde 2002, o Instituto implementa o programa de bolsas vocação para a diplomacia, que visa a apoiar a preparação de candidatas e candidatos negros para o concurso de admissão à carreira diplomática. A partir de 2023, o programa passou a dedicar 50% das bolsas para mulheres negras, de forma a incentivar maior preparação de mulheres para o concurso. Além disso, em 2024, novos programas de bolsas com distribuição paritária de gênero foram criados no âmbito do Plano de Ação do MRE para o Programa Federal de Ações Afirmativas, uma ação específica para mulheres de baixa renda.
Ainda no âmbito das ações afirmativas, convém destacar o mecanismo de chamada a maior de candidatas mulheres da primeira para a segunda fase do concurso, que permitiu, em 2024, atingirmos percentual de 32% de participação de mulheres entre os 50 candidatos aprovados.
Das 16 mulheres aprovadas, 8 (50%) foram beneficiadas pela ação afirmativa. O resultado final mostrou que as quatro mulheres com as melhores classificações no CACD 2024 foram beneficiadas pela Ação Afirmativa: 2º, 3º, 6º, 13º lugares. A medida afirmativa contribuiu, portanto, para manter na competição mulheres que ficariam de fora do concurso, mas que estavam altamente preparadas para a prova.
Creio ser a primeira vez que me dirijo a essas mulheres diretamente, então gostaria de parabeniza-las pessoalmente pelo êxito e dizer que vocês personificam o firme compromisso do Ministro Mauro Vieira e meu de contarmos com mais mulheres no Itamaraty.
Os números de mulheres na diplomacia permanecem muito baixos de modo geral e no Brasil isso não é diferente. Há muito ainda que ser feito para alcançarmos níveis de participação mais igualitários na política em geral e na diplomacia em particular.
Considero importante utilizarmos celebrações como a de hoje para recordar que as mulheres correspondem a pouco mais de 50% da população brasileira e também mundial e, por isso, precisam estar representadas em espaços públicos de tomada de decisão e também de negociação e representação internacional.
A contribuição das mulheres para a diplomacia, para o multilateralismo e para a paz está na sua capacidade de incluir as visões de mundo da metade feminina da população mundial, com suas experiências socialmente construídas, suas necessidades e seus anseios por um mundo sustentável, harmonioso e próspero para todos os povos.
Em tempos turbulentos como esse em que vivemos, nunca foi tão importante reativarmos a crença na diplomacia e no multilateralismo como instrumentos para paz e não há desenvolvimento nem paz possíveis sem a participação da metade feminina da população mundial.
Desejo a todas e todos um excelente seminário.
Muito obrigada!