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Discurso na III Reunião de Estados-Membros da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul - Brasília, 22 de setembro de 1994
Senhores Chanceleres,
Senhores Representantes dos países do Atlântico Sul,
É com grande satisfação que recebo esta visita tão cara. Tenho sido informado pelo Chanceler Celso Amorim do bom e profícuo desenvolvimento dos trabalhos da III Reunião dos Estados-Membros da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul.
Durante a Primeira Reunião dos Estados-Membros da Zona de Paz, realizada no Rio de Janeiro, em 1988, os Estados-Membros expressaram a esperança de receber no seio da Zona representantes de uma Namíbia independente e uma África do Sul livre do apartheid. Em 1990, em Abuja, na Nigéria, registramos a satisfação de acolher uma Namíbia livre e nos rejubilamos com a libertação de Nelson Mandela. Hoje, temos a alegria de contar com a presença de representantes do Governo de Unidade Nacional da África do Sul.
A adoção, em Brasília, de documentos importantes, como as Diretrizes sobre a Proteção do Meio Ambiente Marinho; a Declaração sobre a Desnuclearização do Atlântico Sul, bem como do compromisso de incentivar o desenvolvimento de laços comerciais entre os países da região sul-atlântica, augura um bom futuro para a nossa comunidade sul-atlântica.
Além das vertentes acima referidas, o Brasil considera que o aumento dos laços esportivos entre os nossos povos muito contribuirá para fortalecer o sentimento de pertencer a uma mesma vizinhança. Esperamos que a reunião de autoridades esportivas, prevista para realizar-se no próximo ano, seja a semente dos futuros jogos do Atlântico Sul, espaço de encontro de uma juventude oriunda de países democráticos e solidários.
A construção da paz e da prosperidade do nosso espaço oceânico requer a urgente solução do conflito que atinge o sofrido povo de Angola. Devemos persistir no esforço conjunto de contribuir para que a próxima Reunião da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul registre o retorno da concórdia naquele país irmão.
A Reunião de Brasília marca a extensão da Zona de Paz e Cooperação a todos os países situados nas margens latino-americana e africana do Atlântico Sul. Três nações da América do Sul e 21 países africanos, do Cabo da Boa Esperança até Cabo Verde e Senegal, formam essa comunidade de Estados que se revitaliza com o fim da discriminação racial institucionalizada e o fortalecimento da democracia.
Rogo aos senhores que transmitam aos respectivos Chefes de Estado o nosso agradecimento por tão expressiva presença na capital do nosso país, e queiram aceitar minhas congratulações pelo trabalho realizado.
Muito obrigado.