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Discurso da Ministra, substituta, Embaixadora Maria Laura da Rocha, na abertura da exposição “Bancos Indígenas do Brasil: Rituais” - 11/11/2025
Senhores chefes de missões diplomáticas e demais membros do corpo diplomático em Brasília
Senhores colecionadores e curadores da Coleção BEI de bancos indígenas,
Senhores caciques, pajés, artistas, ativistas e lideranças indígenas que hoje nos honram com sua presença,
É com grande satisfação que a casa da diplomacia brasileira abre hoje suas portas para receber a exposição Bancos indígenas do Brasil: rituais. Trata-se de valioso acervo que vem sendo cuidadosamente formado pela Coleção BEI, ao longo das duas últimas décadas.
Nos próximos meses, todos aqueles que por aqui passarem terão o privilégio de conhecer e apreciar dezenas de peças criadas por artistas oriundos de mais de trinta povos indígenas do Brasil. Alguns desses artistas estão aqui presentes.
Mais do que bancos de inestimável valor ritualístico e artístico, estamos diante de testemunhos materiais da diversidade cultural que constitui nosso País.
Vocacionado a representar o País perante o mundo, o Palácio Itamaraty deve expressar essa diversidade em seus espaços e em seu acervo artístico. Aqui em Brasília, os traços de Niemeyer, os jardins de Burle Marx, o movimento de Athos Bulcão, as cores de Portinari e as formas de Maria Martins e de Marianne Peretti ganham a companhia da arte e das tradições dos povos indígenas aqui representados.
Trata-se de uma pequena, porém impressionante, amostra da cultura dos quase 400 povos indígenas no Brasil, que somam cerca de um milhão e setecentos mil cidadãos e cidadãs.
A mostra que hoje inauguramos une-se a uma série de ações de promoção da diversidade que o Ministério das Relações Exteriores vem implementando. Entre elas, destaco a criação de bolsas de estudos para candidatos indígenas à carreira diplomática e o Programa Kuntari Katu: Líderes Indígenas na Política Global, para a formação de lideranças em negociações de meio ambiente, clima, direitos humanos e outros temas internacionais de interesse dos povos originários.
Esperamos que a inclusão da presença indígena também no acervo histórico, artístico e de representação do Itamaraty, contribua para aumentar a representatividade de culturas, tradições e artistas historicamente invisibilizados. O Itamaraty enfatiza, assim, a contribuição determinante à formação do País e de nossa sociedade.
Senhoras e Senhores,
O simbolismo que envolve esta cerimônia adquire ainda mais força no momento em que o Brasil recebe a 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a COP 30.
No último dia 6, em discurso aos líderes que compareceram à Cúpula do Clima, em Belém do Pará, o Presidente Lula afirmou que devemos ser “inspirados pelos povos indígenas e pelas comunidades tradicionais”. Dar visibilidade às expressões artísticas e à cultura indígenas é também uma forma de materializar essa inspiração. É um necessário reconhecimento aos povos que, ao longo de séculos, resguardam a riqueza e a diversidade que garantem ao Brasil protagonismo em um dos esforços mais urgentes e complexos de nosso tempo: o enfrentamento à emergência climática.
Dar visibilidade às expressões artísticas e à cultura indígenas, bem como a seus autores, portanto, é também uma forma de reconhecer os povos que, ao longo de séculos, resguardam a riqueza e a diversidade que garantem ao Brasil protagonismo em um dos esforços mais urgentes e complexos de nosso tempo: o enfrentamento às mudanças climáticas.
Gostaria de expressar meu agradecimento a todas e todos que contribuíram para a realização desta exposição, no Itamaraty e na Coleção BEI, bem como aos apoiadores e patrocinadores.
“BEĨ” é uma palavra tupi que significa “um pouco mais”. Assim, convido todas e todos a apreciarem esta exposição e a refletirem, sempre “um pouco mais”, sobre as mensagens que esta mostra nos apresenta e sobre o “pouco mais” que cada um de nós pode e deve fazer para valorizar os nossos povos originários.
Muito obrigada.