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Discurso pronunciado pelo Chanceler Francisco Rezek por ocasião de jantar oferecido ao Chanceler da Austrália, Senhor Gareth Evans
Senhor Ministro,
Não poderia haver melhor augúrio para as relações entre nossos países que essa primeira visita de Vossa Excelência a Brasília, a qual celebra a primeira reunião do mecanismo de consultas bilaterais sobre assuntos de interesse comum que criamos em 1990.
Os encontros mantidos com as mais altas autoridades do Executivo e do parlamento brasileiros são garantia de que, embora rápida, sua estada na Capital Federal têm êxito seguro a refletir-se no crescente adensamento das relações entre nossos países.
À frente do Ministério dos Negócios Estrangeiros e Comércio, Vossa Excelência afirmou-se como um Chanceler dinâmico que soube projetar a merecida importância da Austrália para muito além de sua região geográfica.
O empenho pessoal de Vossa Excelência na busca de uma solução negociada para a questão do Camboja, cuja evolução, à luz da Conferência de Paris, encheu-nos a todos de otimismo, é marca de uma visão de mundo que correta e agudamente percebe ser necessário consolidar a distensão político-ideológica de nosso tempo com urna busca incansável pela paz.
Da mesma forma, o Brasil acompanha com o mais vivo interesse seus esforços em favor da conclusão rápida e positiva das negociações para a assinatura de uma Convenção sobre Armas Químicas, ainda no corrente ano. A apresentação, por Vossa Excelência, de um documento completo, abrangendo os vários pontos de consenso dentre as posições defendidas em Genebra, no âmbito da Conferência do Desarmamento, é, sem dúvida, uma iniciativa-chave para que avancemos no sentido da adoção de um documento final sobre esta matéria de evidente interesse universal.
São muitas, Senhor Chanceler, as convergências de pontos de vista que nos unem.
Juntos nos empenhamos, no âmbito do GATT e do Grupo de Caims, pela liberalização do comércio agrícola; ambos participamos de esforços de cooperação e de integração econômica regional que, de forma alguma, significam formação de blocos fechados à penetração dos capitais e mercadorias dos terceiros países.
Refiro-me, aqui, ao fortalecimento da «Asia Pacific Economic Cooperation», cuja criação muito deve à iniciativa australiana, e à criação do Mercado Comum do Cone Sul que, a partir de fins de 1994, se constituirá na abertura de um espaço muito importante para novos investimentos nessa sub-região latino-americana, entre os quais se inscreverão, sem dúvida, os australianos. Do ponto de vista das relações comerciais bilaterais, seu crescimento constante registrado ao longo dos últimos 5 anos representa grande estímulo à promoção de novos encontros entre nossos empresários e à diversificação de nossos laços de comércio e investimento.
Juntos também lutamos pela defesa dos direitos humanos não só na esfera dos direitos políticos, mas também no que tange às garantias individuais, de crianças e adultos, no campo e na cidade.
Defendemos, ainda, um mundo sem os perigos da proliferação nuclear, por meio da adesão a instrumentos internacionais de compromisso com o desengajamento de atividades de promoção dos usos de material nuclear.
Também na área jurídica - que muito particularmente nos une através de nossa formação comum em Direito - segui remos avançando nas negociações de um Tratado de Extradição que, somadas a novos exercícios de identificação de oportunidades de cooperação técnica, científica e tecnológica entre nossos países, contribuirão para elevar, ainda mais, o patamar das relações brasileiro-australianas.
O cenário mundial, Senhor Chanceler, marcado por histórico momento de distensão ideológica e de consolidação do interesse coletivo nos temas ligados a meio ambiente e a direitos humanos, cria campo propício à imaginação dos governantes para se aproximarem na construção de uma sociedade mais solidária e justa.
Estou seguro de que as relações entre Austrália e Brasil são exemplo de um trabalho proficuo em favor da democracia e do desenvolvimento econômico, únicos alicerces sólidos da prosperidade de nossos países e do bem-estar de nossos povos.
Nesse espírito, convido os presentes a me acompanharem no brinde que faço pela saúde de Sua Majestade a Rainha Elizabeth II e do Primeiro-Ministro Paul John Keating, pela sua felicidade pessoal e pelo futuro de crescente cooperação das relações australiano-brasileiras.