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Discurso proferido pelo Ministro Francisco Rezek por ocasião da visita ao Reino de Marrocos
Excelentíssimo Senhor Ministro dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, Doutor Abdillatif Filali,
Desejo, antes de tudo, expressar meu agradecimento e o de minha comitiva pelas palavras amáveis e generosas com que Vossa Excelência acaba de nos brindar.
Espero que essa visita represente contribuição eloqüente ao fortalecimento dos vínculos entre nossos dois países.
Creio oportuno recordar haver sido o Marrocos o primeiro país da África e do Mundo Árabe com o qual o Brasil estabeleceu, não só relações consulares, ao criar, em 1844, o Consulado em Tânger, mas, também, diplomáticas, ao acreditar, em 1906, junto a Mulai Abdelaziz, um Ministro Plenipotenciário, residente em Portugal.
Em todos esses anos, nossas relações bilaterais têm-se caracterizado pela correção, com entendimento e cooperação, que se repetem em posições comuns assumi das nos foros internacionais, no relaciona mento Sul/Sul e no diálogo Norte/Sul.
O Brasil reconhece e valoriza o papel construtivo que o Marrocos desempenha no cenário internacional. Sua política externa, como a brasileira, se pauta nos princípios incontestes da Carta das Nações Unidas. Membro do Grupo dos 77 e do Movimento dos Países Não-Alinhados, o Marrocos se destaca como defensor das genuínas concepções e finalidades que inspiraram a criação daqueles foros, dentro do espírito de moderação e equilíbrio que vem orientando sua conduta internacional.
Estou consciente da prioridade que é atribuída, pelo Governo marroquino, à cooperação Sul/Sul. Esta constitui uma necessária opção política, que o Brasil também segue, de forma a evitar uma excessiva dependência com relação aos países industrializados, em uma conjuntura internacional desfavorável no plano econômico, comercial, financeiro e tecnológico.
Essa cooperação toma-se indispensável quando se compreende o interesse em realizar empreendimentos em campos e áreas em que a experiência dos países desenvolvidos não pode ser aplicada por motivos determinados pela própria natureza, pela diversidade cultural ou pelos diferentes estágios de desenvolvimento econômico e social.
A cooperação Sul/Sul adquire sua plena expressão quando extravasa o quadro das afinidades de vizinhança e aproxima países em desenvolvimento situados em continentes afastados, por condições de similaridade e complementaridade, que tornam sua tecnologia mais adequada à solução dos problemas específicos que compartilham.
Nosso Governo vem afirmando enfaticamente que o mundo em desenvolvi mento não pode ficar à margem da revolução tecnológica, sob pena de ver consolidado, em definitivo, e ampliado, o já tão largo fosso que o separa do mundo industrializado. Nosso Países não podem se resignar a serem espectadores passivos de uma nova divisão internacional do trabalho, com base na discriminação ao acesso à tecnologia, e que separe o mundo em dois universos distintos - o das sociedades pós-industriais e o das atrasadas e caudatárias.
Acredito que a cooperação entre países em desenvolvimento é um importante acelerador de seus respectivos processos de crescimento econômico. Mais ainda, tem revelado a experiência que, para ser verdadeiramente eficaz, essa cooperação deve ser baseada em uma autêntica partilha de conhecimentos, orientada para a criação de estruturas que propiciem um desenvolvimento tecnológico autônomo e adaptado às condições ecológicas e sócio econômicas.
Senhor Ministro,
Parece-me de toda conveniência para países como o Marrocos e o Brasil explorar e intensificar as formas possíveis de colaboração horizontal, para que se aufiram integralmente todas as vantagens de um modelo de cooperação internacional fundamentado nos princípios de solidariedade e respeito mútuo.
Confio em que nossos dois países muito poderão beneficiar-se dessa cooperação, assim como acredito que a densificação de nossas relações culturais, econômicas e comerciais só poderá resultar em proveitos recíprocos cada vez maiores.
Senhor Ministro,
Além de manifestar minha grande satisfação pelo bom resultado das conversações mantidas com Vossa Excelência, quero deixar consignada a expectativa do meu Governo por uma expressiva participação do Governo do Marrocos na Conferência sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento que, convocada a nível de Chefes de Estado, deverá realizar-se, em junho próximo, no Rio de Janeiro.
Receba, Senhor Ministro, os meus agradecimentos pessoais, e de meus acompanhantes, pela gentil e calorosa acolhida que traduz os sentimentos de amizade que unem nossos países.
É assim, com profundo respeito e emoção, que convido os presentes a ergue rem suas taças em um brinde à Sua Majestade o Rei Mohamed Hassan II, à cooperação fraterna entre o Brasil e o Marrocos, à prosperidade do povo marroquino e à felicidade pessoal de Vossa Excelência.