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Discurso proferido pelo Chanceler Francisco Rezek por ocasião da visita à Tunísia
Excelentíssimo Senhor Ministro dos Negócios Estrangeiros, Doutor Habib Ben Yahia,
Em meu nome e no de minha comitiva, agradeço as palavras amáveis e generosas com que Vossa Excelência acaba de nos saudar.
O Brasil mantém com este país laços de sincera e estreita amizade. Encaro como um privilégio a oportunidade de acrescentar, no curso de minha visita, novo capítulo à história de nossas relações.
Com esse ânimo, trago ao povo tunisiano, por intermédio de Vossa Excelência, a palavra de estima e solidariedade de todos os brasileiros.
O Brasil acompanha, com grande interesse, os êxitos que a Tunísia vem alcançando na consolidação de seu processo democrático, no fortalecimento de sua estrutura social, no desenvolvimento econômico e na estabilidade institucional.
O Brasil reconhece e valoriza o papel construtivo que a Tunísia desempenha no cenário internacional. Sua política externa, como a brasileira, orienta-se por princípios basilares como os da soberania e igualdade jurídica dos Estados, da autodeterminação dos povos, da não-intervenção em assuntos internos, da solução pacífica e negociada das controvérsias.
Interesses comuns e visões convergentes aproximam nossos países. O relacionamento diplomático tem-se desenvolvido invariavelmente em um ambiente exemplar de cordialidade e compreensão recíproca, que incentiva a busca permanente de oportunidades de cooperação.
A grave crise econômica mundial exige uma cooperação mais estreita entre os países em desenvolvimento, que enfrentam, como o Brasil e a Tunísia, sérios problemas de endividamento externo, alta dos juros internacionais, entraves protecionistas à comercialização de seus produtos nos mercados industrializados, deterioração dos preços das matérias-primas, restrições e dificuldades em matéria de capacitação tecnológica. São, hoje, nossos países exportadores líquidos de capital. Na luta pelo progresso, na construção de sociedades modernas e estáveis, e no propósito de extrair pautas concretas e duradouras de seu intercâmbio bilateral, devem as nações em desenvolvimento exigir a urgente transformação das estruturas iníquas e ultrapassadas que dominam a economia internacional.
A promoção de uma nova ordem econômica, mais justa e equilibrada, continua sendo um objetivo de crucial importância a unir o Brasil e a Tunísia, bem como os demais países em desenvolvimento.
No âmbito da política internacional, vislumbro de maneira realista e construtiva a possibilidade de ampliar o entendimento entre nossos países.
O Brasil e a Tunísia coincidem, por exemplo, na defesa do desarmamento geral e completo, sobretudo no campo nuclear, sem que tal objetivo implique na proibição do acesso dos países em desenvolvimento a tecnologias mais avançadas.
É clara e conhecida, Senhor Ministro, a posição brasileira a respeito da questão do Oriente Médio. Reconhecemos os direitos do povo palestino à autodeterminação, independência e soberania pelo reconhecimento do direito de todos os Estados da Região a viverem em segurança dentro de fronteiras internacionalmente reconhecidas. Temos a esperança que as negociações, ora em curso, permitam o estabelecimento da paz duradoura que todos os países envolvidos vêm buscando há longo tempo.
Senhor Ministro,
Minha visita é uma continuação do movimento que aproxima nossos países desde o estabelecimento das relações diplomáticas. Em novembro de 1990, seu antecessor, o Ministro Habib Boulares, honrou-nos com sua visita. Na ocasião, nossos Governos firmaram o Acordo Comercial e o Acordo sobre a criação de uma Comissão Mista de Cooperação, destinados a dinamizar o intercâmbio comercial e tecnológico entre os dois países.
Agora, criam-se condições para que sejam avaliadas, em profundidade, as possibilidades de maior cooperação. Ambos os Governos, demonstrando sua vontade de estendê-la e diversificá-la, acabam de convir na necessidade de reunir, no mais breve prazo possível, aquela Comissão, à qual caberá analisar todos os aspectos do relacionamento bilateral e, em especial, os do intercâmbio econômico, comercial e técnico.
Senhor Ministro,
Além de manifestar minha satisfação pelo bom resultado das conversações que venho mantendo com Vossa Excelência, quero deixar consignados meu relacionamento e meu apreço pela elevada honra que me concedeu o Presidente Zine El Abidine Ben Ali ao receber-me para um encontro que considero da mais elevada importância. Tive, na ocasião, a honra de entregar a Sua Excelência o convite pessoal do Presidente Fernando Collor para a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, que se realizará, em junho próximo, no Rio de Janeiro.
Receba, Senhor Ministro, meus agradecimentos pessoais, os de meus acompanhantes, pela acolhida, que traduz, fielmente, os sentimentos de amizade que ligam nossos países.
É assim, com profundo contentamento que convido os presentes a erguerem suas taças em um brinde à Sua Excelência o Senhor Presidente Zine El Abidine ben Ali, à fraterna cooperação entre o Brasil e a Tunísia, à prosperidade do povo tunisiano e à felicidade pessoal de Vossa Excelência.