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Ministério da Gestão destaca capacidade estatal, ação climática e transformação digital no World Governments Summit 2026
O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) participou do World Governments Summit 2026, realizado entre os dias 3 e 5 de fevereiro, em Dubai, fórum internacional dedicado ao debate sobre governança pública, inovação, transformação digital e desenvolvimento sustentável. A delegação foi liderada pelo secretário-executivo adjunto, Adauto Modesto, que integrou a Mesa Redonda Ministerial “Shaping Future Governments: Achievements and Challenges in the Global South”, apoiada pelo Centro Latino-Americano de Administração para o Desenvolvimento (CLAD), com a participação de ministros e altos dirigentes da América Latina, África, Ásia e Caribe.
Também integraram a missão o secretário-adjunto da Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (Sest/MGI), Pedro Cavalcante, e as servidoras Thais Oliveira, da Secretaria do Patrimônio da União (SPU/MGI), e Delciene Pereira, da Secretaria de Gestão de Pessoas (SGP/MGI), no contexto da conclusão do Brazil Executive Leadership Program, iniciativa voltada ao fortalecimento de competências de liderança e inovação na administração pública.
Na mesa redonda, o secretário-executivo adjunto Adauto Modesto destacou que a crise climática já produz impactos concretos nos países do Sul Global e exige maior capacidade de execução por parte dos Estados. Ao mencionar episódios recentes de enchentes e secas no Brasil, afirmou que “a crise climática já não é uma ameaça distante; é uma realidade presente que afeta de forma desproporcional os países do Sul Global” e ressaltou a necessidade de “avançar mais rapidamente dos acordos para a ação e da ambição para a entrega de resultados”.
Ao abordar as respostas institucionais a esse cenário, o secretário apresentou iniciativas conduzidas pelo MGI no campo da ação climática e do desenvolvimento sustentável. Entre elas, destacou o uso de Infraestruturas Públicas Digitais e Bens Públicos Digitais nos Planos de Aceleração de Soluções lançados durante a COP 30, além do Cadastro Ambiental Rural (CAR), disponibilizado como sistema georreferenciado voltado à preservação ambiental. Segundo ele, “a promoção de código aberto e da interoperabilidade é um componente fundamental do futuro da tecnologia para o clima. Durante a COP 30, lançamos um chamado à ação para um diálogo global sobre o compartilhamento de DPIs e DPGs no enfrentamento das mudanças climáticas e, nesse contexto, apresentamos o CAR como a primeira DPI e DPG do Brasil, um sistema georreferenciado para a preservação ambiental, disponível para qualquer país que deseje utilizá-lo em seu próprio contexto”, explicou.
Outro ponto enfatizado foi a Estratégia Nacional de Contratações Públicas Sustentáveis, tratada como instrumento de desenvolvimento econômico, social e ambiental. De acordo com o secretário, a política vem sendo utilizada para estimular a inovação, apoiar a bioeconomia, reduzir desigualdades e ampliar o impacto das compras governamentais. Nesse contexto, afirmou que o país utiliza a contratação pública “para promover o desenvolvimento verde, reduzir desigualdades, estimular a inovação e apoiar a bioeconomia” .
Ao tratar da estrutura do Estado para enfrentar esses desafios, Adauto Modesto defendeu o fortalecimento institucional e a coordenação entre órgãos públicos. Segundo ele, a atuação em ambientes cada vez mais complexos exige administrações qualificadas e integradas, capazes de formular e implementar políticas de forma consistente. Nesse sentido, afirmou que “os Estados precisam de fortes capacidades institucionais” e de “administrações públicas capazes, coordenadas e preparadas para atuar em ambientes complexos”.
No eixo da transformação digital, alertou para os riscos do uso da inteligência artificial sem orientação pública e para a importância do protagonismo dos servidores na governança dessas tecnologias. De acordo com o secretário, o avanço tecnológico deve estar associado à proteção de dados, à inclusão digital e à redução das desigualdades. Nesse contexto, afirmou que “se a inteligência artificial evoluir sem compreensão e direcionamento do setor público, ela corre o risco de aprofundar divisões e ampliar desigualdades”, destacando que os servidores precisam se apropriar dessas ferramentas não apenas para utilizá-las, mas para governá-las.