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CONCURSO NACIONAL
MGI realiza posse coletiva dos primeiros servidores das carreiras de ATDS e ATJD
Esta matéria aborda ações realizadas pelo MGI durante o defeso eleitoral, com publicação após o término desse período - O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) realizou, em 3 de agosto de 2026, a cerimônia de posse coletiva dos primeiros integrantes das carreiras de Analista Técnico de Desenvolvimento Socioeconômico (ATDS) e Analista Técnico de Justiça e Defesa (ATJD), aprovados na segunda edição do Concurso Público Nacional Unificado (CPNU 2). O evento ocorreu no auditório da Escola Nacional de Administração Pública (Enap), em Brasília (DF), e contou com a participação da ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, de secretários do MGI e da presidenta da Enap, Betânia Lemos.
Criadas por meio da Lei 15.141/2025 para fortalecer a capacidade de atuação do Estado em áreas estratégicas, as duas carreiras integram o modelo de gestão transversal da força de trabalho do Executivo federal, que permite a atuação de servidores em diferentes órgãos e ministérios, conforme as necessidades da administração pública. A cerimônia marcou o ingresso da primeira geração de profissionais dessas carreiras, concebidas para atender a demandas relacionadas ao desenvolvimento socioeconômico, à justiça, à defesa e à garantia de direitos.
Durante a aula magna, a ministra Esther Dweck apresentou o contexto de criação das carreiras e destacou a importância da transversalidade para enfrentar desafios que envolvem diferentes áreas do governo. Segundo ela, a proposta é superar estruturas de pessoal restritas a ministérios específicos e ampliar a capacidade de articulação entre políticas públicas.
“A nossa visão de Estado, do futuro do Estado brasileiro, é que as carreiras precisam ter mais flexibilidade, mais capacidade de atuar nos grandes projetos, e não necessariamente nos grandes Ministérios”, afirmou a ministra.
Esther explicou que a criação da ATJD teve origem em uma demanda do Ministério da Defesa por uma carreira civil, posteriormente ampliada para contemplar áreas relacionadas à justiça, à segurança e à proteção de direitos. Já a ATDS surgiu de uma avaliação interna do MGI sobre a necessidade de profissionais capazes de atuar de maneira integrada nas diferentes dimensões do desenvolvimento socioeconômico, como indústria, agricultura, desenvolvimento regional e desenvolvimento agrário.
A ministra também ressaltou que os novos servidores terão papel relevante diante de transformações econômicas, sociais, tecnológicas e ambientais. Entre os temas abordados na aula magna estiveram as mudanças climáticas, a transformação digital, a inteligência artificial, a redução das desigualdades e os desafios da segurança pública.
“Todo servidor público tem que ter uma mentalidade digital, não existe mais servidor público que entre no serviço público com uma visão analógica. A gente já tem que entrar com a visão digital e sabendo usar as ferramentas de forma correta, de forma ética”, destacou.
Fortalecimento do serviço público
O secretário de Transformação do Estado do MGI, Francisco Gaetani, destacou que a chegada dos novos analistas representa um avanço na profissionalização da administração pública, especialmente nos ministérios responsáveis pela execução de políticas públicas.
“Vocês vão ajudar na revitalização dos ministérios finalísticos a tocar essas políticas”, afirmou Gaetani, ao ressaltar a necessidade de ampliar a capacidade técnica dos órgãos federais.
O secretário de Gestão de Pessoas do MGI, José Celso Cardoso, ressaltou o papel do CPNU na democratização do acesso às carreiras federais e na construção de uma força de trabalho mais representativa da população brasileira. Segundo ele, a realização das provas em diferentes regiões do país contribui para ampliar as oportunidades de ingresso no serviço público.
“A ideia de levar o concurso para todas as regiões do Brasil, por meio das 228 cidades onde a prova foi feita, é uma ideia não só de democratizar o acesso a vagas públicas de âmbito federal, como também de possibilitar o ingresso no serviço público de pessoas que, talvez, em outras condições, jamais teriam como acessar vagas dessa natureza”, explicou.
O secretário-executivo do MGI, Cilair Rodrigues, também destacou a diversidade regional dos aprovados e a importância da mobilidade profissional proporcionada pelas carreiras transversais. Para ele, a possibilidade de atuação em diferentes órgãos contribui para a formação dos servidores e para o aprimoramento das políticas públicas.
“Essa mobilidade gera também ganhos de saberes, saberes que vão reverter em melhor qualificação profissional”, afirmou.
Formação e integração das novas carreiras
Anfitriã da cerimônia, a presidenta da Enap, Betânia Lemos, destacou a complementaridade entre as duas carreiras e a importância da formação para a construção da identidade profissional dos novos servidores.
Segundo Betânia, os analistas de desenvolvimento socioeconômico contribuirão para o planejamento, a implementação e a avaliação de políticas voltadas ao desenvolvimento sustentável e à redução das desigualdades regionais. Já os analistas de justiça e defesa atuarão no fortalecimento das instituições responsáveis pela proteção de direitos, pela ordem jurídica e pela soberania nacional.
“A carreira de vocês, apesar de parecer muito distinta, elas, combinadas, tocam uma política econômica fundamental para o nosso país”, afirmou.
A presidenta também ressaltou o papel do Programa de Formação de Carreiras (PROFCAR), realizado pela Enap, no desenvolvimento de competências técnicas e na preparação dos novos profissionais para os desafios da administração pública.
“A posse marca o ingresso no serviço público. A formação que vocês vão receber marca o início da construção da identidade profissional de vocês”, destacou Betânia durante a cerimônia.
Expectativas dos novos servidores
Além de representar o ingresso no serviço público federal, a posse coletiva marcou o início de uma trajetória profissional para os primeiros integrantes das duas carreiras, que compartilham a expectativa de contribuir para o fortalecimento das políticas públicas e a construção de uma administração mais preparada para atender às necessidades da população.
Formada em Relações Internacionais, Evelyn Gabrielle Gomes, integrante da carreira de ATDS, destaca a diversidade de formações dos novos analistas e a importância de compreender o desenvolvimento para além dos indicadores econômicos.
“A expectativa é que a gente possa fazer jus à palavra desenvolvimento, que seja mais igualitário, que vise diminuir as desigualdades que a gente tem, econômicas, regionais e sociais”, afirmou.
Evelyn também ressaltou o significado de integrar a primeira turma de uma carreira recém-criada e a responsabilidade de contribuir para sua consolidação. Para ela, a diversidade de experiências e conhecimentos dos novos servidores poderá ampliar o impacto das políticas públicas.
Na carreira de ATJD, Karina do Socorro encontrou a oportunidade de unir sua trajetória acadêmica ao interesse pelo fortalecimento das instituições públicas. Professora de Direito Constitucional, ela ingressou no serviço público federal aos 50 anos, após ser aprovada no primeiro concurso público que prestou.
Entusiasta do CPNU, Karina considera que o modelo de seleção contribuiu para reunir profissionais de diferentes regiões, gerações e áreas de conhecimento, enriquecendo a formação e a troca de experiências entre os integrantes da carreira.
“Como integrantes da primeira turma, temos também a oportunidade e a responsabilidade de ajudar a construir a identidade e a memória institucional dessa nova carreira, com compromisso, responsabilidade e resultados concretos para a população”, destacou.
Para os novos analistas, a chegada ao serviço público representa não apenas uma conquista individual, mas também a oportunidade de participar da estruturação de carreiras voltadas ao desenvolvimento de políticas públicas e ao fortalecimento da atuação do Estado brasileiro.