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Nota de pesar pelo falecimento de Raul Jungmann
- Foto: Zeca Ribeiro
Ex-ministro de Estado e atual presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Raul Jungmann faleceu na noite de ontem (18/01/2026), em decorrência de um câncer. Nos últimos anos, ele se destacou como uma das principais vozes em defesa do potencial do Brasil na área de minerais críticos e estratégicos, entendendo que, graças a suas grandes reservas, o país poderia se posicionar como um dos protagonistas globais no novo cenário de transição energética.
Por meio de artigos, entrevistas e participação em eventos públicos, atuou fortemente em defesa do potencial geológico nacional, entendido como uma importante vantagem competitiva. Em sua visão, a disponibilidade de grandes reservas aliada à estruturação de políticas públicas adequadas poderia colocar o Brasil em condições de protagonizar a nova era global marcada pela corrida das nações em direção aos minerais críticos e estratégicos necessários para a fabricação equipamentos essenciais para a economia de baixo carbono.
Ao longo dos quatro anos em que esteve à frente do Ibram, Jungmann manteve interlocução constante com a Agência Nacional de Mineração. A relação resultou, entre outras coisas, na assinatura de um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) em novembro de 2024 com foco no desenvolvimento de um programa de capacitação conduzido pelo Instituto e direcionado ao corpo técnico da autarquia.
Durante debate promovido pela comissão especial da Câmara dos Deputados sobre transição energética e produção de hidrogênio, em outubro, o ex-ministro destacou a importância da iniciativa de se construir uma Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE). “Trata-se de um assunto vital para a transição da economia fóssil para a sustentável. Este projeto [PL 2789/2024] tem o papel importante de dar clareza ao conceito. Cada país tem seu conjunto de minerais críticos e estratégicos, e o Brasil precisa definir o seu”, apontou à época.
“Nos últimos anos, Jungmann se consolidou como um dos nomes mais importantes dentro do setor mineral brasileiro, contribuindo na construção de pontes entre o setor regulado e o poder público. Seu trabalho à frente do Ibram deixa um legado inestimável para o país, trazendo avanços significativos em temas como mineração responsável e transição energética”, resume Mauro Sousa, diretor-geral da Agência Nacional de Mineração.
Trajetória
Nascido em Recife (PE) em 1952, Jungmann construiu uma história sólida nos campos da reforma agrária e segurança pública. Iniciou sua trajetória política como secretário de Planejamento do Governo de Pernambuco, entre 1990 e 1991. Ao longo daquela década, presidiu importantes instituições, como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
Foi ministro de Estado em quatro ocasiões, chefiando as pastas da Política Fundiária (1996-1999), do Desenvolvimento Agrário (1999-2002), da Defesa (2016-2018) e da Segurança Pública (2018-2019). Além disso, exerceu o mandato de deputado federal por seu estado de origem em três diferentes legislaturas (2003-2007, 2007-2011 e 2015-2019) e, em 2005, atuou como um dos líderes da Frente Brasil Sem Armas, no referendo sobre a comercialização de armas de fogo no país.
Em março de 2022 passou a ocupar a presidência do Ibram, entidade que reúne mais de 300 associados responsáveis por 85% da produção mineral do Brasil. Desde então, destacou-se no cenário nacional como um dos principais nomes do país na promoção da mineração responsável.