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ANA aponta SIN com 65,9% do volume útil e detalha panorama de rios, vazões e da seca na 4ª edição do Painel El Niño
Foi publicada, nesta terça-feira (29), a quarta edição do Boletim Mensal do Painel El Niño, referente a setembro de 2026. A publicação pode ser acessada nos sites da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). No documento, a ANA aponta que, em 23 de setembro, o volume equivalente dos reservatórios do Sistema Interligado Nacional (SIN) atingiu 65,9% do volume útil. A Agência também detalha a situação de bacias estratégicas, como Paranapanema, São Francisco, Tocantins, Madeira e Xingu, além do Sistema Cantareira, do armazenamento no Nordeste, da previsão sazonal de vazões e do comportamento do Monitor de Secas nas cinco regiões do país.
O boletim é resultado de ação conjunta entre o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a ANA, o Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (CEMADEN), o Serviço Geológico do Brasil (SGB), a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (SEDEC) e o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (CENSIPAM), e apresenta informações sobre o monitoramento e as previsões relacionadas ao fenômeno El Niño para o período de 2026 e 2027, bem como os possíveis impactos associados.
Segundo o documento, em junho de 2026 foram confirmadas condições compatíveis com o El Niño e os modelos climáticos indicam probabilidade de 100% de permanência do fenômeno até, pelo menos, o início de 2027, com alta chance de que se torne um episódio muito forte. A previsão para o trimestre outubro-novembro-dezembro (OND) de 2026 aponta chuvas acima da média em áreas da Região Sul e abaixo da média no centro-norte do País, cenário que, aliado a temperaturas elevadas, deve intensificar o déficit hídrico em parte do território.
SIN opera com 65,9% do volume útil; sistemas hídricos seguem na Faixa de Operação Normal
De acordo com o levantamento da ANA, na Região Sul, onde têm sido registrados volumes expressivos de precipitação, os reservatórios de regularização do SIN armazenavam 81,4% do volume útil em 23 de setembro. Dos reservatórios com previsão de volume de espera para controle de cheias na região, Salto Santiago e Passo Real, apenas Passo Real está em período de controle de cheias, mas ainda sem ocupação do volume de espera. A Agência informa que todos os sistemas hídricos com reservatórios do SIN que têm faixas operativas estabelecidas pela ANA encontram-se na Faixa de Operação Normal.
No Sistema Hídrico do rio Paranapanema, as afluências excepcionalmente elevadas em setembro, três vezes superiores à vazão média de longo termo (MLT) do mês, elevaram o armazenamento dos reservatórios de Jurumirim (73,2%), Chavantes (81,4%) e Capivara (90,3%). No rio São Francisco, operam na Faixa de Operação Normal os reservatórios de Três Marias (80,5%) e Sobradinho (66,6%). A mesma faixa de operação se aplica a Serra da Mesa (48,9%), no rio Tocantins.
Na Região Norte, as vazões estão em período de recessão e as defluências das usinas de Jirau e Santo Antônio, no rio Madeira, atendem aos requisitos mínimos para a navegabilidade da hidrovia. No rio Xingu, as vazões também estão em recessão. A ANA informa que a Resolução ANA nº 299/2026 flexibilizou, até 30 de novembro, a vazão mínima garantida ao Reservatório Intermediário de Belo Monte, de 300 para 100 m³/s, com vistas a preservar o sistema de transposição de peixes, a segurança eletroenergética e a navegabilidade na Volta Grande do Xingu.
Já o Sistema de Acompanhamento de Reservatórios (SAR) da ANA registrou, em 24 de setembro, armazenamento de 47,2% da capacidade total do reservatório equivalente da Região Nordeste, com pequena redução em relação a agosto (50%) e condição ligeiramente superior à observada no mesmo período de 2025. A Agência alerta, porém, que, mesmo com a situação regional adequada, 96 açudes monitorados estão abaixo de 20% do volume e podem demandar atenção local, e que 12 Sistemas Hídricos Locais estão em Estado Hidrológico Vermelho. Principal manancial da Região Metropolitana de São Paulo, o Sistema Cantareira apresentava 41,3% do volume útil em 25 de setembro e, em outubro de 2026, passará a operar na Faixa de Atenção.
Monitor de Secas indica seca grave em 16% do Nordeste e agravamento rápido no Norte; Centro-Oeste e Sul têm cenário mais ameno que em 2023
Conduzido pela ANA em parceria com outros órgãos, o Monitor de Secas mostra, na comparação entre agosto de 2023, ano do último El Niño, e agosto de 2026, que o Nordeste concentra o quadro mais severo do País, com seca grave (S2) em 16% da região. A seca atual já apresenta impactos de curto e longo prazo, o que indica uma duração mais prolongada e pode acelerar os efeitos sobre a segurança hídrica e o abastecimento, já que, em muitos locais, as reservas de água não se recuperaram antes da chegada do El Niño. A previsão de aumento das temperaturas do ar tende a agravar a seca mais rapidamente, elevando a demanda evaporativa e a perda de umidade do solo.
Na Região Norte, a comparação entre os dois anos fica comprometida, pois Roraima e Amapá ainda não faziam parte do Programa em 2023. O destaque em agosto de 2026 foi o rápido agravamento das condições de seca em Roraima, Acre e Amazonas, que chegaram a registrar aumento de até duas categorias de severidade em um mês. Nesses locais, já há relatos de municípios com dificuldades na captação de água e comprometimento da navegação. No Sudeste, agosto de 2026 registra apenas seca fraca e moderada, tal qual em 2023, mas com abrangência maior: 84% da região está afetada pela seca. Caso a próxima estação chuvosa apresente acumulados de precipitação abaixo do esperado, a situação poderá se agravar rapidamente entre a primavera e o verão.
Em sentido contrário, no Centro-Oeste, Mato Grosso, que responde por quase 60% do território regional, tinha seca grave (S2) e até extrema (S3) em 2023 e, em 2026, apresenta predominância de áreas sem seca, o que indica condição bem mais amena que a de 2023 apesar do El Niño de forte intensidade. Já no Sul, onde 29% da área estava sob seca em agosto de 2023, com seca grave no Rio Grande do Sul, os três estados aparecem completamente livres do fenômeno em agosto de 2026, e o principal risco passa a ser a ocorrência de grandes inundações.
Previsão sazonal da ANA indica vazões abaixo da média no Norte e Nordeste e maior risco de cheias no Sul
A previsão sazonal de vazões da ANA indica que, nas regiões Centro-Oeste, Norte e parte do Sudeste, embora a estiagem seja normal neste período, as vazões estão abaixo da média. Gradativamente, a estiagem perde força nessas áreas até dezembro, mas as vazões seguem abaixo da média em grande parte do Brasil, notadamente no norte da bacia do rio Paraná, em bacias do Nordeste, incluindo os rios São Francisco e Parnaíba, e na maioria dos afluentes da margem direita do rio Amazonas. Nos afluentes da margem esquerda do Amazonas (incluindo o rio Negro), na bacia do Xingu (margem direita) e no norte do Nordeste, a previsão é de vazões abaixo da média, inclusive com risco de estiagem (vazões menores que Q90) até dezembro.
Por outro lado, as previsões apontam vazões acima da média e maior risco de cheias (vazões acima de Q5) em toda a Região Sul, em parte da Região Sudeste e no alto rio Paraguai, com esse risco diminuindo até dezembro. Os detalhes da condição atual e das previsões estão disponíveis na plataforma SARDIM.
Salas de Crise e reuniões de acompanhamento de bacias
A ANA mantém Salas de Avaliação, Acompanhamento e Crise em diversos sistemas hídricos e bacias hidrográficas do País, que contam com apresentações de instituições como o INPE, o INMET, o CEMADEN, o SGB e o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Entre os encontros listados no boletim, estão a 9ª Reunião da Sala de Acompanhamento do Sistema Hídrico do Rio São Francisco (1º/9); a 114ª Reunião do Grupo de Assessoramento à Operação do Sistema Hidráulico Paraíba do Sul (8/9); a 9ª Reunião da Sala de Acompanhamento do Sistema Hídrico do Rio Paranapanema (16/9); a 9ª Reunião da Sala de Acompanhamento do Sistema Hídrico do Rio Tocantins (23/9); a 9ª Reunião da Sala de Acompanhamento do Sistema Hídrico da Região Hidrográfica do Paraná (24/9); a 8ª Reunião da Sala de Crise da Região Sul (29/9, às 10h); a 13ª Reunião de Avaliação das Condições Hidrometeorológicas da Bacia do Alto Paraguai/Pantanal (21/10, às 15h) e a 4ª Reunião de Avaliação das Condições Hidrometeorológicas da Região Norte (23/10, às 15h). Todos os encontros são transmitidos ao vivo pelo canal da ANA no YouTube.
Recomendações aos estados, municípios e à população
Diante do cenário de intensificação do El Niño, o Painel recomenda que estados e municípios revisem e atualizem seus Planos de Contingência, fortaleçam os processos de monitoramento, alerta e comunicação de riscos, e intensifiquem a articulação com os sistemas setoriais ligados a recursos hídricos, meio ambiente, saúde, assistência social e segurança pública. À população, a orientação é permanecer atenta às previsões, avisos e alertas oficiais e realizar o cadastro para recebimento de alertas das defesas civis locais, disponíveis por SMS, WhatsApp ou Telegram. Os cidadãos também devem buscar informações sobre os riscos de desastres em sua cidade e bairro e sobre os planos de contingência de seus municípios, que reúnem os locais seguros e as rotas de fuga.
O Boletim Mensal
Iniciado em julho deste ano, o Boletim Mensal do Painel El Niño apresenta informações sobre o monitoramento e as previsões relacionadas ao fenômeno climático El Niño, que ocorre com o aumento da temperatura da superfície do mar no Oceano Pacífico Equatorial, para o período de 2026 e 2027, assim como os possíveis impactos associados. O material resulta da ação conjunta do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (CEMADEN), do Serviço Geológico do Brasil (SGB), da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (SEDEC) e do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (CENSIPAM).
Assessoria Especial de Comunicação Social (ASCOM)
Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA)
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