Doença de Newcastle (DNC)
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Doença de notificação obrigatória à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), a doença de Newcastle (DNC) é uma doença viral contagiosa que acomete diversas espécies de aves, podendo também afetar répteis, mamíferos e seres humanos.
Segundo o Código Sanitário para os Animais Terrestres – OMSA, trata-se de uma infecção em aves domésticas causada pelo vírus da DNC, um paramixovírus aviário do sorotipo 1 (APMV-1) que reúne determinados critérios de virulência de índice de patogenicidade intracerebral ou de presença de múltiplos aminoácidos básicos.
A principal forma de propagação do vírus da doença de DNC é por meio de aerossóis de aves infectadas ou de produtos contaminados. Além disso, vetores como roedores, insetos e artrópodes também contribuem para a disseminação do vírus.
Portanto, aplicar medidas de biosseguridade nos estabelecimentos avícolas visando limitar a exposição de aves domésticas a outras aves é a principal medida de mitigação de risco para introdução do vírus da DNC no plantel avícola nacional.
A doença de Newcastle foi considerada erradicada no país em 2006, após contenção do foco em aves domésticas de subsistência no estado do Mato Grosso, atualmente considerada pela OMSA como infecção pelo APMV- 1 em non-poultry.https://www.oie.int/wahis_2/public/wahid.php/Reviewreport/Review?page_refer=MapFullEventReport&reportid=5103.
Após esse período, somente em 17 de julho de 2024, foi novamente confirmado um foco de DNC no país, em um estabelecimento avícola comercial de frango de corte, localizado no estado do Rio Grande do Sul, imediatamente notificado à OMSA.
Mais recentemente, em 18 de outubro de 2026, foi confirmado novo foco da doença, em estabelecimento avícola comercial de perus de corte, localizado no estado de Santa Catarina, igualmente notificado de forma imediata à OMSA.
Ambos os diagnósticos de DNC foram realizados pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária em São Paulo (LFDA-SP), reconhecido como laboratório de referência para influenza aviária e DNC pela OMSA.
As análises de sequenciamento genético detectaram o APMV-1 virulento, caracterizado pela sequência de aminoácidos 112R-R-Q-K-R116 na extremidade C-terminal da proteína F2 e um resíduo de F (fenilalanina) na posição 117 na extremidade N-terminal da proteína F.
No foco de 2024, a sequência de nucleotídeos obtida para o gene F apresentou 95,15% de identidade com a sequência do Pigeon paramyxovirus 1 (PPMV-1) depositada no GenBank sob o código KX097024.1, enquanto no foco de 2026, o percentual de identidade observado foi de 97,35%.
O PPMV-1 é uma variante antigênica virulenta do APMV-1. Assim, considerando que os vírus atendem aos critérios de virulência estabelecidos na definição de caso de DNC da OMSA e foram detectados em aves domésticas de produção comercial, os focos são de notificação obrigatória à OMSA.
Ambos os eventos da doença de DNC no Brasil estão disponíveis no WAHIS (OMSA).
As informações relativas ao foco de DNC registrado em 2026, ainda em andamento, podem ser consultadas por meio do link: https://wahis.woah.org/#/in-event/7913/dashboard.
Vigilância epidemiológica
O Programa Nacional de Sanidade Avícola (PNSA) além de estabelecer os critérios mínimos de biosseguridade a serem aplicados pelos estabelecimentos avícolas para o registro destes junto ao Serviço Veterinário Oficial (SVO), também determina os procedimentos específicos de prevenção e vigilância epidemiológica para IA, conforme o Plano de Vigilância de Influenza Aviária e Doença de Newcastle.
A Vigilância epidemiológica tem 3 objetivos definidos:
- Objetivo 1: detecção precoce de casos IA e DNC nas populações de aves domésticas e silvestres
- Objetivo 2: demonstração de ausência de IA e DNC na avicultura industrial de acordo com as diretrizes internacionais de vigilância para fins de comércio.
- Objetivo 3: monitorar a ocorrência de cepas virais da IA para subsidiar estratégias de saúde pública e saúde animal.
Dentre os componentes da vigilância epidemiológica, estão:
Vigilância Passiva - Investigação imediata de qualquer notificação ou caso suspeito de influenza aviária e doença de Newcastle em estabelecimentos avícolas
A vigilância passiva em estabelecimentos avícolas tem como base o pronto atendimento pelo SVO das notificações feitas por parte dos médicos veterinários responsáveis técnicos de granjas, produtores ou por qualquer pessoa que tenha conhecimento da ocorrência de mortalidade repentina de aves, associadas ou não a sintomas clínicos neurológicos ou respiratórios.
Essas notificações geram investigação a campo para caracterização ou não, por parte do SVO, de uma suspeita provável de IA e DNC.
Se a suspeita for caracterizada com provável, são colhidas amostras para diagnóstico laboratorial oficial, realizada investigação epidemiológica e a propriedade permanece interditada até conclusão da investigação e emissão do laudo laboratorial negativo.
Vigilância Passiva - Investigação imediata de suspeitas em abatedouros
Nos abatedouros frigoríficos, o critério para notificação de caso suspeito de Síndrome Respiratória e Nervosa das aves (SRN) é exclusivamente baseado na identificação de aves com sinais clínicos ou lesões (neurológicos, respiratórios ou digestórios), ou ainda a presença de aves moribundas ou mortas na plataforma de recepção, compatíveis com SRN.
Nesse contexto, o serviço de saúde animal da unidade veterinária local (UVL) dos Órgãos Executores de Sanidade Agropecuária (OESA) deve ser acionado para o atendimento no local e este deve avaliar se a notificação é caracterizada como suspeita descartada ou caso provável de SRN.
Se a suspeita for caracterizada como caso provável, são colhidas amostras para diagnóstico laboratorial oficial, o abate do lote suspeito deve ser realizado em separado e seus produtos apreendidos cautelarmente. A investigação epidemiológica também deve ser realizada na propriedade de origem das aves, a qual permanece interditada até conclusão da investigação e da emissão do laudo laboratorial negativo.
Vigilância Passiva - Investigação imediata de qualquer notificação ou caso suspeito de influenza aviária e doença de Newcastle em mortalidade excepcional de aves silvestres
A vigilância passiva em mortalidade excepcional de aves silvestres tem como base o pronto atendimento pelo SVO das notificações feitas por qualquer pessoa que tenha conhecimento da ocorrência de mortalidade repentina nas aves na natureza, principalmente em áreas de concentração para aves aquáticas migratórias, pontos aquáticos de parada e outros corpos d’água.
Entende-se por eventos de mortalidade excepcional em aves silvestres as situações em que são encontradas aves mortas ou doentes em número acima do normalmente observado e por causa desconhecida, excluindo-se, por exemplo, ações antrópicas (envenenamentos, acidentes químicos, morte por armas, bombas, armadilhas, etc.) e fenômenos naturais (tempestades, terremotos, secas, enchentes, furacões e florações de algas nocivas, etc.).
Essas notificações geram investigação a campo para caracterização ou não, por parte do SVO, de uma suspeita provável de IA e DNC.
Se a suspeita for caracterizada com provável, são colhidas amostras para diagnóstico laboratorial oficial, realizada investigação epidemiológica e adoção de medidas de proteção dos plantéis de produção da região.
Vigilância Ativa em avicultura industrial: estabelecimentos avícolas de reprodução, corte, postura comercial e outras aves
Plano de vigilância ativa em aves de reprodução, corte, de postura comercial e de outras aves, em um quantitativo de estabelecimentos selecionados para cada uma das 7 áreas de amostragem definidas no país, com a colheita de amostras segundo critérios estatísticos e epidemiológicos, baseados em fatores de risco.
A colheita de material é realizada no estabelecimento de criação das aves pelo SVO e encaminhado ao laboratório oficial do MAPA.
Vigilância Ativa em aves de subsistência em áreas de maior risco de introdução de influenza aviária
Plano de vigilância ativa em criações de aves de subsistência, principalmente aquelas localizadas em áreas de maior risco de contato com aves aquáticas migratórias.
A priorização da amostragem em criações de subsistência onde possa haver contato com aves aquáticas migratórias é uma importante estratégia a ser adotada para a detecção de IA e DNC, visto que a maioria dos casos de introdução do vírus e de ocorrência de surtos em outros países tinha essa relação.
Vigilância para certificação sanitária de compartimentos avícolas
Em 2014 o MAPA publicou a normativa de Certificação Sanitária de Compartimentação da Cadeia Produtiva Avícola, a qual tem caráter voluntário e tem por objetivo certificar subpopulações com status sanitário diferenciado, livres de influenza aviária e doença de Newcastle.
Vigilância em aves importadas
O material genético (ovos férteis e aves de um dia) e as aves ornamentais importadas também passam por vigilância ativa no país de origem e ao ingressarem no Brasil.
Para importação de material genético avícola (ovos incubáveis e pintos de um dia), são colhidas amostras para pesquisa de vírus da influenza aviária, vírus da doença de Newcastle, Salmonella Gallinarum, S. Pullorum, S. Typhimurium, S. Enteritidis, Mycoplasma gallisepticum, M. synoviae e M. meleagridis (somente perus).