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SERVIÇO PÚBLICO: O LADO HUMANO DO ESTADO
O trabalho de quem faz o Estado acontecer ganha novas formas de organização e valorização
Antes de um benefício chegar a uma família, de uma política pública sair do papel ou de um órgão oferecer atendimento à população, existe o trabalho de muitos servidores. São profissionais que organizam pagamentos, acompanham contratos, orientam colegas e resolvem questões administrativas que nem sempre aparecem, mas fazem diferença no funcionamento dos serviços.
Na semana em que se comemora o Dia do Servidor Público, celebrado em 28/10, esse trabalho ganha destaque. Valorizar esses profissionais também significa oferecer condições para que possam exercer suas atividades com mais organização, aproveitar seus conhecimentos e dedicar menos tempo a procedimentos repetitivos.
É com esse objetivo que o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) vem promovendo mudanças na organização dos serviços administrativos, nas carreiras e nas formas de planejamento do trabalho no Executivo federal.
Uma dessas mudanças pode ser percebida em uma tarefa que antes exigia até 60 dias: calcular a divisão de despesas compartilhadas entre órgãos. Com o SplitGov, esse procedimento passou a ser realizado em minutos, reduzindo o trabalho manual e facilitando o acompanhamento dos gastos pelas equipes.
Segundo o secretário-executivo do MGI, Cilair Abreu, a ferramenta permite que os gestores consultem informações oficiais e acompanhem com mais clareza as despesas dos órgãos. “Com o sistema, os gestores dos órgãos vão saber exatamente o que é devido em cada contrato de forma on-line. O Splitgov automatiza processos de trabalho para aumentar a produtividade dos servidores públicos, dando clareza às informações sobre os custos compartilhados entre os órgãos”, explica.
Mais integração para facilitar o trabalho das equipes
O SplitGov faz parte do ColaboraGov, modelo de serviços compartilhados que reúne atividades administrativas de diferentes órgãos, como gestão de pessoas, compras, contratos, tecnologia e logística.
Instituído em 2023, o modelo atende atualmente 13 ministérios e permite que equipes especializadas compartilhem sistemas, procedimentos e conhecimentos, evitando a necessidade de manter estruturas separadas para realizar atividades semelhantes. “O ColaboraGov é o centro de serviços compartilhados do governo federal. Ele foi estruturado dentro do MGI para prestar serviços de suporte administrativo para 13 ministérios em Brasília e a quase 38 órgãos nos estados. O ColaboraGov é a espinha dorsal, que centraliza serviços especializados – como limpeza, pagamentos, manutenção predial, serviços de nuvem - gerando ganho de eficiência e de produtividade”, explica a secretária de Serviços Compartilhados, Isabela Gebrim.
Esse apoio também está presente em situações comuns da vida funcional. Para esclarecer dúvidas sobre férias, contracheques ou procedimentos administrativos, os servidores contam com a Central de Atendimento de Pessoal (CAPE), presente em 25 estados e no Distrito Federal. Já o Catálogo de Serviços reúne mais de 200 serviços, com orientações sobre os atendimentos disponíveis.
A estrutura também contribui para respostas do governo em momentos de emergência, como na crise humanitária Yanomami e nas enchentes do Rio Grande do Sul, quando o ColaboraGov apoiou contratações e soluções tecnológicas necessárias ao atendimento à população.
No Rio Grande do Sul, esse trabalho chegou a pessoas como Adriana Aparecida Braz, que precisou deixar a própria casa por orientação da Defesa Civil após as enchentes. Ao procurar atendimento do MGI para acessar a plataforma do Governo do Brasil, relatou sua dificuldade com a tecnologia. “Eu não tenho inteligência com a internet, eu não mexo”, contou.
Mesmo enfrentando as consequências da enchente, Adriana procurava valorizar o que havia sido preservado. “A gente está na casa dos outros, mas está bem, está com vida e saúde, não está indo em hospital”, relatou. Com a orientação recebida, conseguiu realizar sua solicitação.
A experiência mostra como o trabalho de quem organiza e apoia os serviços públicos também pode chegar diretamente à vida das pessoas, especialmente nos momentos em que mais precisam de atendimento.
Novas carreiras ampliam as possibilidades profissionais
Valorizar os servidores também envolve reconhecer suas experiências e criar oportunidades para que seus conhecimentos contribuam em diferentes áreas do governo. Essa é uma das propostas das carreiras transversais, que permitem a profissionais de uma mesma carreira atuar em diferentes órgãos, de acordo com suas competências e as necessidades da administração. Sob gestão do MGI, o número dessas carreiras passou de duas para oito.
Uma das mudanças foi a criação da carreira de Analista Técnico do Poder Executivo Federal, composta pelo cargo de Analista Técnico Executivo (ATE). A nova estrutura reuniu 66 denominações de cargos, preservando especialidades como administração, comunicação, contabilidade, arquivologia e biblioteconomia.
Na prática, o modelo permite aproveitar a experiência desses profissionais em diferentes instituições, ampliando suas possibilidades de atuação sem deixar de considerar a formação e as atribuições de cada especialidade.
A renovação também contempla as carreiras de Analista Técnico de Desenvolvimento Socioeconômico (ATDS) e de Analista Técnico de Justiça e Defesa (ATJD), criadas pela Lei nº 15.141/2025. A Lei nº 15.367/2026 estabeleceu 750 novos cargos para cada um desses perfis, e o Concurso Público Nacional Unificado (CPNU 2) ofereceu as primeiras 500 vagas, divididas igualmente entre os dois cargos.
São profissionais que passam a contribuir com a formulação, implementação e avaliação de políticas públicas, reforçando as equipes de diferentes áreas do Executivo federal.
Mais clareza e autonomia na organização do trabalho
Para quem trabalha no serviço público, conhecer as prioridades da equipe e compreender como suas atividades contribuem para os resultados do órgão também faz parte de uma rotina profissional mais organizada.
Essa é a proposta do Programa de Gestão e Desempenho (PGD), que orienta o planejamento das atividades a partir de entregas pactuadas entre servidores e chefias. Atualmente, o programa conta com cerca de 149 mil participantes em 190 órgãos e entidades federais. O modelo pode ser adotado presencialmente ou em teletrabalho, nos regimes parcial e integral, conforme as atividades e as regras de cada instituição.
O planejamento permite estabelecer responsabilidades, acompanhar resultados e identificar necessidades de ajustes nas atividades das equipes. Para apoiar os participantes, o MGI disponibiliza o sistema PGD Petrvs, além de consultoria e da Rede PGD, que promove a troca de experiências entre os órgãos. Mais do que acompanhar tarefas, a proposta é tornar mais clara a contribuição de cada profissional para os objetivos da instituição.