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PREMIAÇÃO
MGI anuncia equipes vencedoras do Desafio de Acessibilidade do SouGov.br
"A Acessibilidade do SouGov.br, nas versões web e mobile” foi o tema do primeiro desafio da iniciativa Desafios da Desin, promovida pela Diretoria de Soluções Digitais (Desin), da Secretaria de Gestão de Pessoal (SGP) do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI). A ação busca melhorar a experiência na plataforma, ampliar a acessibilidade e aprimorar a qualidade dos serviços digitais de gestão de pessoas.
A premiação acontecerá no dia 16 de novembro, durante o "Encontro Desin de Inovação e Soluções Digitais", em Brasília. Durante o evento, as equipes vencedoras apresentarão seus trabalhos. A primeira colocada receberá um troféu, enquanto as equipes em segundo e terceiro lugares receberão menções honrosas.
A participação no Encontro é gratuita, mediante inscrição via formulário eletrônico.
Desafio SouGov
Mais do que avaliar a acessibilidade do SouGov.br, este primeiro edital reuniu estudantes, professores e servidores de diferentes regiões do país em uma experiência de aprendizado e construção coletiva. Essa integração revelou diferentes formas de participação e troca de experiências.
Foram 130 participantes inscritos, organizados em 30 equipes, que produziram 19 relatórios baseados em cenários reais de uso. Os documentos abordam aspectos como identificação de barreiras de acessibilidade, avaliação das boas práticas digitais e proposição de melhorias com foco em usabilidade e inclusão, trazendo recomendações voltadas a pessoas com deficiência e diferentes perfis de usuários.
Para realizar as avaliações, as equipes utilizaram referências como as Diretrizes de Acessibilidade para Conteúdo Web (WCAG) 2.1, o Modelo de Acessibilidade em Governo Eletrônico (eMAG) 3.1, o Design System de Governo (DS-Gov) e a ABNT NBR 17225:2025. Além de aplicar critérios técnicos, a experiência mostrou que falar de acessibilidade também significa considerar as diferentes realidades de quem utiliza os serviços digitais.
Da conexão virtual à conquista coletiva
A primeira colocação ficou com a equipe Nexus, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ), formada por Ana Carolina Cruz, Fernanda Raimundo de Lima e Priscilla Birenbaum , e pelo coordenador, professor Ricardo Esteves Kneipp.
A equipe, formada por participantes de diferentes regiões do país, conciliou estudos, trabalho e responsabilidades familiares, incluindo a maternidade, mostrando que a educação à distância pode aproximar pessoas em torno de um propósito.
Por causa da distância entre seus domicílios, nenhum dos integrantes se encontrou presencialmente durante o desenvolvimento do desafio. Foi por meio de reuniões virtuais, troca de experiências e trabalho colaborativo que construíram todo o relatório apresentado na competição. As ferramentas digitais foram os recursos que possibilitaram a reunião de pessoas em torno de um objetivo comum: contribuir para uma experiência mais acessível no SouGov.br.
Ana Carolina: da intenção à prática
Formada em Desenho Industrial e atuante como designer, Ana Carolina conta que já buscava incorporar a acessibilidade ao seu trabalho, mas reconhece que essa nem sempre foi uma tarefa fácil. Segundo ela, existem barreiras que dificultam a implementação dessas práticas e, muitas vezes, a acessibilidade acaba sendo deixada para um segundo momento.
Quando soube do edital do Desafio de Acessibilidade SouGov.br, viu uma oportunidade de colocar em prática algo que já desejava desenvolver profissionalmente.
“Achei uma oportunidade muito interessante para conseguir tentar aplicar o que eu já gostaria de aplicar”, relata Ana Carolina, referindo-se à acessibilidade em seu trabalho.
Fernanda: aprender a olhar pela perspectiva do usuário
Para Fernanda, que está cursando sua primeira pós-graduação na área de Tecnologia da Informação, a participação no Desafio representou uma oportunidade de aprendizado que vai além dos aspectos técnicos. Entre as principais lições que leva dessa experiência, ela destaca a importância de considerar o usuário final desde o início do desenvolvimento de um projeto, levando a equipe a refletir sobre como a experiência pode variar de uma pessoa para outra.
“Sempre que fosse produzir algo, pensasse primeiro no usuário final e depois iniciasse o projeto”, destaca Fernanda.
A experiência de utilizar um leitor de tela, por exemplo, provocou desconforto e revelou dificuldades que poderiam passar despercebidas em uma avaliação convencional. A vivência mostrou que uma solução pode parecer funcional para quem a avalia, mas não oferecer a mesma experiência a todos.
A partir dessa percepção, Fernanda reforçou a importância de olhar para um sistema além da perspectiva habitual de uso, buscando identificar barreiras e compreender as diferentes necessidades dos usuários.
Priscilla: um interesse que ganhou nova oportunidade
Para Priscilla, a participação representou a oportunidade de retomar um interesse que havia surgido em 2024, durante uma consultoria para o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na qual atuava como analista de requisitos.
Naquele projeto, ela recebeu a demanda de documentar os requisitos de acessibilidade e começou a estudar o tema, descobrindo um universo que despertou seu interesse. Entretanto, a dinâmica do trabalho exigiu que a equipe focasse nos requisitos considerados básicos para dar continuidade ao projeto. Priscilla conta que sentiu vontade de se dedicar mais à área na ocasião, pois havia se encantado pelo assunto e gostaria de aprofundá-lo.
Quando surgiu o edital do Desafio de Acessibilidade SouGov.br, ela viu uma oportunidade de voltar a estudar o tema. Por isso, chegou à iniciativa motivada pela possibilidade de explorar a acessibilidade digital com mais profundidade.
Ricardo: o reconhecimento do trabalho da equipe
O professor Ricardo, coordenador da Nexus, ficou entusiasmado com o resultado alcançado pelas alunas. Ele já acreditava que a equipe estaria entre as três melhores colocadas e acompanhou com satisfação a conquista do primeiro lugar.
Segundo Ricardo, após o resultado, a equipe recebeu o retorno de um servidor com deficiência visual, que destacou a excelência do conteúdo produzido e manifestou o desejo de que as estudantes desenvolvessem outros trabalhos na área da acessibilidade. O reconhecimento reforçou a relevância do trabalho realizado pela Nexus e o potencial das contribuições das estudantes para a promoção da acessibilidade digital.
Do LinkedIn à final do desafio
Uma das menções honrosas ficou com a equipe da Universidade Federal do Acre (Ufac). Tudo começou com uma descoberta no LinkedIn. Foi por meio da rede social que Dayan Freitas Alves, um dos integrantes da equipe, conheceu o Desafio de Acessibilidade SouGov.br. Interessado pela proposta, ele levou a ideia ao professor Macilon Araujo Costa Neto, coordenador da equipe, e o convenceu a reunir estudantes para desenvolver propostas e participar da iniciativa.
O tema da acessibilidade rapidamente mobilizou a turma. Assim como a Nexus, a equipe da Ufac desenvolveu todo o trabalho de forma virtual, reunindo os participantes para discutir, pesquisar e construir o relatório apresentado no Desafio.
Para os estudantes, chegar entre as três equipes finalistas foi uma surpresa. “Quando vi os números — 130 participantes, 30 equipes e 19 relatórios — não acreditei, quando vi uma menção honrosa para o Acre”, conta Macilon.
A trajetória da Ufac começou por meio de uma rede social que divulgou o desafio, mobilizando estudantes e professores em torno de um tema relevante para a sociedade e aproximando o conhecimento acadêmico dos desafios enfrentados pelos serviços públicos digitais.
Acessibilidade a partir da experiência de quem usa
A outra menção honrosa ficou com a equipe SouGov4All da Universidade Federal do Ceará (UFC), que levou para o Desafio uma perspectiva diretamente ligada à experiência dos usuários. Entre os integrantes estava Allan George de Sousa Bezerra , estudante da Universidade Federal do Ceará (UFC) e servidor público, que tem baixa visão e utiliza o SouGov.br no dia a dia.
A vivência de Allan como usuário também trouxe para o trabalho questões que podem passar despercebidas para quem não enfrenta as mesmas barreiras.
Ele chamou atenção para o que denomina “taxa da bengala”, expressão utilizada para se referir aos custos e às limitações extras que pessoas com deficiência podem enfrentar no uso de tecnologias. Segundo ele, recursos e aplicativos necessários para garantir acessibilidade ocupam uma parte considerável da memória dos celulares, o que pode representar uma limitação adicional para os usuários.
Para o coordenador da equipe, Windson Viana de Carvalho, a discussão sobre acessibilidade já estava presente no cotidiano da UFC, seja nas disciplinas, nos projetos ou nas pesquisas desenvolvidas pela equipe. A participação no desafio SouGov.br ampliou esse espaço de reflexão e permitiu que a equipe contribuísse para identificar barreiras e pensar em possíveis soluções. “Espero que novos desafios venham e estamos aqui para ajudar a achar os problemas e encontrar as soluções”, afirmou Windson.
A inclusão começa pela escuta
As histórias das equipes mostram que a inclusão esteve presente não apenas no tema do desafio, mas também na diversidade de trajetórias e experiências dos participantes, que se reuniram em torno de um objetivo comum.
A iniciativa criou um espaço de aprendizagem e mostrou que ouvir diferentes perspectivas e considerar as necessidades dos usuários são atitudes essenciais para construir serviços públicos mais inclusivos.
Mais desafios
Como parte da iniciativa “Desafios da Desin”, o segundo edital, "Desafio Sigepe", já foi lançado para selecionar propostas de painéis de indicadores e metodologias de cálculo. O objetivo é acompanhar o Plano de Mensuração dos Sistemas Estruturantes de Gestão de Pessoas do Sipec. Atualmente em etapa de execução, a entrega dos trabalhos está prevista para dezembro.