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Casa de Governo
Garimpo perde força na Terra Yanomami após dois anos de operações permanentes do Governo Federal
Ministro Rui Costa e diretor Nilton Tubino
“Tá muito difícil entrar lá [na Terra Indígena Yanomami]. Eles [a polícia] tá todo dia lá dentro (sic). Quando a gente menos espera, eles aparecem”, relatou um garimpeiro em depoimento à Polícia Federal.
O relato resume a mudança ocorrida nos últimos dois anos, marcada pela intensificação das operações federais de combate ao garimpo ilegal.
A cronologia foi iniciada em janeiro de 2023, após a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Roraima, que classificou a situação encontrada como uma grave emergência sanitária e humanitária, marcada pelo avanço do garimpo ilegal, aumento dos casos de malária, desnutrição e presença de invasores dentro da terra indígena.
A partir desse diagnóstico, o Governo Federal iniciou a estruturação de uma resposta permanente para enfrentar o garimpo ilegal e restabelecer a presença do Estado na região. Esse processo culminou, em fevereiro de 2024, com a criação da Casa de Governo em Roraima, formalizada pelo Decreto nº 11.930, de 27 de fevereiro de 2024, responsável por coordenar a atuação integrada de diferentes órgãos federais nas ações de desintrusão da Terra Indígena Yanomami (TIY). No âmbito dessas medidas, o Governo Federal autorizou, por meio do Decreto nº 11.405, de 30 de janeiro de 2023, a criação da Zona de Identificação de Defesa Aérea (ZIDA 41) sobre o espaço aéreo da região Yanomami, permitindo ao Comando da Aeronáutica adotar medidas de controle e intervenção contra aeronaves suspeitas de envolvimento em atividades ilícitas.
Início das operações e bloqueio das rotas do garimpo em 2024

- Inauguração da Casa de Governo

- Ministro Rui Costa e ministra Sônia Guajajara

- Oficializada a criação da Casa de Governo
Com a instalação da Casa de Governo, foi estruturado um sistema permanente de coordenação das ações federais na TIY, reunindo ministérios, forças de segurança, órgãos ambientais e instituições de fiscalização em reuniões diárias para planejar e executar operações de combate ao garimpo ilegal. Nesse processo, o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), órgão veiculado ao Ministério da Defesa, passou a apoiar o monitoramento da terra indígena por meio de imagens de satélite e análise de dados geoespaciais, o que possibilitou a identificação de áreas de garimpo, pistas clandestinas e rotas utilizadas por invasores.
Nos primeiros meses de atuação, as operações se concentraram na retomada do controle da área e na interrupção da logística que sustentava o garimpo ilegal. O monitoramento passou a atingir corredores utilizados pelos garimpeiros nos rios Uraricoera e Mucajaí e foi posteriormente ampliado para outras rotas estratégicas, como os rios Couto Magalhães e Catrimani. Essa estratégia dificultou a reorganização das frentes de exploração ilegal dentro da terra indígena.
Ao longo de 2024 foram realizadas 3.547 ações de combate ao garimpo ilegal na TIY. As operações resultaram na apreensão de 226 quilos de mercúrio pela Polícia Federal na cidade de Bomfim, município localizado no nordeste de Roraima, na fronteira entre o Brasil e a Guiana, uma rota utilizada para a entrada de mercúrio empregado no garimpo ilegal.

- Ouro apreendido
Também foram apreendidos 32 quilos de ouro em ações da Polícia Federal (PF) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Desse total, 21 quilos foram apreendidos pela PRF em 28 de novembro de 2024, durante fiscalização na BR-174, rota logística entre Manaus (AM) e Boa Vista (RR). Outros 11,7 quilos foram apreendidos pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de Boa Vista ao longo de 2024, em operações distintas envolvendo ouro transportado em voos comerciais sem comprovação de origem.
No mesmo período, as operações inutilizaram 1.095 motores, 129 mil litros de óleo diesel, 22 aeronaves e 421 acampamentos utilizados por garimpeiros, provocando prejuízos estimados em R$ 267 milhões apenas no primeiro ano de atuação da Casa de Governo.
Para garantir a segurança das comunidades e das equipes que atuam na terra indígena, a Força Nacional mantém presença permanente em bases operacionais distribuídas pela região, instaladas em Parafuri, Parima, Waikás, Palimiú, Pakilapi, Kataróa, Xexena, Surucucu, Maraxiú, Xitei, Homoxi, Paapiú, Moxihatetea, Alto Catrimani, Kayanaú, Walo Pali e Maracá. A presença dos agentes de segurança assegura a proteção das comunidades e as condições para o trabalho das equipes de saúde nas aldeias.
Além da presença permanente nas bases, o controle da região também depende do monitoramento aéreo. A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) mantém um contrato específico para o emprego de aeronaves em apoio às operações realizadas na TIY. As aeronaves são utilizadas em missões de fiscalização, monitoramento aéreo e ações de combate ao garimpo ilegal, com acompanhamento de equipes da Força Nacional e da própria Funai. Desde o início das operações, essas aeronaves já acumulam 2.466 horas e 16 minutos de voo em missões operacionais dentro da Terra Indígena Yanomami, um volume que corresponde, aproximadamente, a 24 voltas completas ao redor do planeta.
Ampliação das operações em 2025
Ao longo de 2025, a estratégia construída no ano anterior passou a operar em escala maior. Com as bases já instaladas e a presença institucional consolidada em diferentes regiões do território indígena, as operações passaram a pressionar de forma mais direta a logística que sustentava o garimpo ilegal.
A atuação nos rios continuou sendo um dos principais eixos das ações. Barreiras e patrulhas fluviais mantiveram vigilância constante em rotas utilizadas para o transporte de combustível, alimentos e equipamentos destinados às frentes de mineração ilegal, enquanto as ações aéreas foram intensificadas.
A Marinha do Brasil mantém presença na região do rio Catrimani, onde embarcações realizam patrulhamento fluvial e apoio logístico às operações.
Durante o período, pistas de pouso utilizadas pelo garimpo foram fiscalizadas e inutilizadas pelo Comando Operacional Conjunto Catrimani II. Aeronaves empregadas para abastecimento das frentes ilegais também foram inutilizadas, reduzindo a mobilidade aérea que durante anos sustentou o avanço do garimpo na TIY.

- Forças policiais atuam no combate ao garimpo ilegal

- Destruição de infraestrutura utilizada pelo garimpo ilegal
Com a inauguração do Destacamento Especial de Fronteira (DEF) de Waikás, em janeiro de 2025, foi ampliada a presença das forças de segurança em uma das regiões estratégicas da Terra Indígena. A partir dessa base, as patrulhas fluviais no rio Uraricoera tornaram-se mais frequentes e equipes passaram a atuar em áreas de difícil acesso no interior da floresta.
Ao longo do ano, as operações inutilizaram 836 motores, 337 acampamentos, 19 aeronaves e 10 quadriciclos utilizados pelo garimpo ilegal. Além disso, 215 quilos de ouro foram apreendidos pela PRF após o reforço da fiscalização nas rotas logísticas utilizadas para o escoamento do minério transportado a partir de outros estados em direção a Roraima.
Comando e controle: balanço de dois anos
Dois anos após sua criação, a Casa de Governo consolidou um modelo de atuação baseado na presença permanente do Estado na Terra Indígena Yanomami, com patrulhamento regular dos rios, controle de pistas clandestinas e integração entre diferentes órgãos federais.
Entre março de 2024 e março de 2026 foram realizadas 9.623 ações de combate ao garimpo ilegal na TIY. Nesse período, as operações inutilizaram 808 acampamentos, 2.050 motores, 46 aeronaves, 10 dragas de grande porte e 185 antenas de internet via satélite, além da inutilização de 191 toneladas de cassiterita. O prejuízo estimado às estruturas da mineração ilegal ultrapassa R$ 663 milhões.
O efeito mais visível dessas ações foi a redução de aproximadamente 98,9% da área de garimpo ativo dentro da Terra Indígena entre 2024 e março de 2026, resultado de uma estratégia baseada na presença constante do Estado, no bloqueio logístico e na atuação integrada das instituições federais.
Paralelamente às ações dentro da TI, operações de fiscalização também são realizadas no entorno da área com apoio de órgãos federais e sistemas de monitoramento que permitem identificar rotas logísticas utilizadas pelo garimpo ilegal.
A atuação coordenada pela Casa de Governo reúne diferentes instituições federais, entre elas as Forças Armadas, a Força Nacional de Segurança Pública, a Polícia Judiciária da Força Nacional, a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), o Ibama, o ICMBio, a Agência Nacional do Petróleo (ANP), a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin).