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Universidade do Amazonas inicia primeiro mestrado para indígenas
Exclusivo para enfermeiros indígenas, a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) iniciou o seu primeiro mestrado profissional do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem no Contexto Amazônico. O curso, com duração de dois anos, é ofertado em São Gabriel da Cachoeira (AM) e a aula inaugural aconteceu no dia 18 de março na Maloca da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro.
Selecionado por meio do edital nº 28/2024 da parceria entre a CAPES/MEC e o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), o curso conta com 10 enfermeiros das etnias Tukano, Baré, Muro, Dessana e Piratapuia. Eles atuam na rede de saúde do município do Amazonas. Na região do alto Rio Negro há atualmente 85 indígenas com graduação em Enfermagem.
“A turma de mestrado profissional nasce de uma demanda do movimento indígena que luta para ter profissionais qualificados que atuem junto aos seus povos”, argumenta o diretor da Escola de Enfermagem, Esron Soares Carvalho Rocha. “O objetivo é formar enfermeiros mestres aptos para a proposição e ao desenvolvimento de tecnologias e inovações, com habilidades e competências para a tomada de decisão em situações complexas no âmbito da gestão e do cuidado de Enfermagem no contexto amazônico”, acrescenta a coordenadora do Programa de Graduação em Enfermagem no Contexto Amazônico da Ufam, Hadelândia Milon de Oliveira, uma das responsáveis pela elaboração do projeto selecionado.
Na avaliação da coordenadora adjunta dos Programas Profissionais da Área de Enfermagem da CAPES, Luciana Fonseca, a criação desse curso faz parte do compromisso da área de Enfermagem, da Ufam e da CAPES para a interiorização da pós-graduação brasileira e com a formação de profissionais altamente qualificados nas regiões mais remotas do país. “Essa formação é estratégica para a soberania da saúde indígena brasileira e leva em consideração as particularidades culturais, geográficas e sociais do contexto amazônico”, destaca.
A mestranda Liliane Ferreira reforça que a formação profissional irá refletir na qualidade do atendimento às populações indígenas. “É fundamental reconhecer que as atribuições da enfermagem vão muito além de procedimentos técnicos. Somos também pesquisadores que constroem conhecimento e que contribuem para o fortalecimento da saúde em nossas comunidades. Teremos, ao longo desses dois anos, a oportunidade de compartilhar experiências, saberes e vivências na construção coletiva do conhecimento”, enfatiza.
Para Luciana, a iniciativa inédita representa uma reparação de valor imensurável do ponto de vista social e científico. “Esses enfermeiros já possuem o saber tradicional e o domínio do território. O mestrado propiciará ferramentas científicas para que eles traduzam e integrem a ciência moderna com as práticas de cura indígenas, fortalecendo a saúde intercultural e melhorando a eficácia dos atendimentos”, ressalta.
Sobre o Programa CAPES/Cofen
O Programa CAPES/Cofen é uma ação que se destina a apoiar projetos que qualifiquem enfermeiros com registro ativo nos seus respectivos conselhos e vínculo empregatício em estabelecimentos assistenciais de saúde da rede pública municipal, estadual e federal, além das instituições privadas e filantrópicas que prestam serviços ao Sistema Único de Saúde (SUS). Para além da formação, há o objetivo de incentivar o desenvolvimento de pesquisas tecnológicas, com ênfase na aplicação prática dos resultados.
A iniciativa, que teve início em 2016, também busca reduzir as desigualdades regionais na formação de enfermeiros, atendendo principalmente às regiões da Amazônia Legal e os estados que ainda não oferecem cursos de mestrado e doutorado profissional em Enfermagem. O programa ainda promove a internacionalização, com possibilidade de intercâmbio no exterior, e fortalece a produção técnico-científica para a melhoria da saúde pública no Brasil.
A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) é um órgão vinculado ao Ministério da Educação (MEC).
(Brasília – Redação ASCOM/CAPES)
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