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BOLSISTA EM DESTAQUE
Pesquisa analisa relação da densidade mamária com o câncer
Na semana em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, a série Bolsista em Destaque mostra o trabalho de Camila Engler, que iniciou sua trajetória acadêmica no curso de Tecnóloga em Radiologia e, após a conclusão, fez uma segunda graduação em Física Médica, na Universidade Federal de Sergipe (UFS). Na sequência, realizou o mestrado e o doutorado no Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN), uma unidade de pesquisa da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Ex-bolsista da CAPES/MEC, pesquisou a relação entre a densidade mamária e o câncer de mama. Ela explica que mulheres com mamas mais densas têm maiores chances de serem diagnosticadas com a doença quando a enfermidade está em um estágio mais avançado. “Isso ocorre porque o tecido denso da mama pode causar um mascaramento dos nódulos mamários fazendo com que eles não sejam vistos em um exame de mamografia, pois este, tem sua sensibilidade diminuída para mamas de alta densidade”, argumenta a pesquisadora, que já recebeu dois prêmios pelo seu trabalho. Desde 2024, quando finalizou o doutorado, Camila faz parte de um programa de pós-doutorado no CDTN. Atualmente, investiga o posicionamento da mama no momento do exame e a qualidade da imagem de mamografia em novas tecnologias.
Sobre o que é a sua pesquisa? Explique de forma mais detalhada o conteúdo do trabalho.
A densidade mamária é um fator de risco para o câncer de mama. Mulheres com mamas mais densas têm maiores chances de desenvolver a doença e de serem diagnosticadas em estágio mais avançado. Isso ocorre porque o tecido denso da mama, ou tecido glandular, pode causar um mascaramento dos nódulos mamários fazendo com que eles não sejam vistos em um exame de mamografia, pois o exame tem sua sensibilidade diminuída para mamas de alta densidade. A pesquisa investigou a densidade mamária em mulheres que realizam mamografia de rastreamento em Belo Horizonte, buscando identificar quais fatores influenciam essa variação e se as pacientes recebem informações dos médicos. Apliquei um questionário com variáveis clínicas, reprodutivas e socioeconômicas em 963 pacientes que realizavam o exame de rastreamento em uma instituição privada e em uma pública. Os resultados demonstraram que as variáveis: idade, espessura da mama comprimida, índice de massa corporal, número de gestações, idade na primeira gestação, idade da menopausa, tempo de uso de anticoncepcional, tempo de uso de terapia de reposição hormonal, paciente nunca ter sido acometida pelo câncer de mama, renda familiar e a etnia branca mostraram-se fatores que diminuem a densidade mamária. Por outro lado, mulheres que já tiveram câncer de mama, que tiveram maior tempo de utilização de anticoncepcional e mulheres da etnia parda, mostraram-se fatores que contribuem para o aumento da densidade mamária.
O que vale destacar de mais relevante na sua pesquisa?
O ponto mais relevante da minha pesquisa foi mostrar que a densidade mamária não é uma característica homogênea entre as mulheres e que diversos fatores influenciam significativamente essa variação. Além disso, foi demonstrado que mulheres com menor escolaridade têm menos chances de receber informações sobre a própria densidade mamária, mesmo quando essas informações são fundamentais para a paciente compreender seu risco individual e ser ativa na tomada de decisão sobre o exame mais adequado para ela, de forma individualizada.
De que forma a sua pesquisa pode contribuir para a sociedade?
Minha pesquisa pode contribuir para a sociedade ao reforçar a importância de um rastreamento específico para mulheres com mamas densas. Como existem exames que não têm sua sensibilidade comprometida para esse grupo, como o ultrassom de mama, é fundamental que eles também sejam oferecidos amplamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no rastreamento do câncer de mama. No estudo, evidenciei que existem perfis diferentes de densidade mamária entre as mulheres e, além disso, que alguns grupos, como aqueles com menor escolaridade, têm menos chances de receber informações sobre sua própria densidade mamária. Considerar esses dois aspectos é essencial para aprimorar os programas de rastreamento do câncer de mama.
De que forma a bolsa da CAPES/MEC contribui para sua formação?
A CAPES/MEC teve um papel fundamental na minha formação acadêmica, pois foi a agência de fomento que financiou a minha bolsa de pesquisa tanto no mestrado quanto no doutorado. Assim como acontece com muitos outros estudantes e pesquisadores, a bolsa era e é a minha única fonte de renda. Por isso, acredito que é essencial que essas bolsas sejam sempre reajustadas e mantidas, já que garantem as condições necessárias para que pesquisas importantes como a minha possam ser desenvolvidas.
A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) é um órgão vinculado ao Ministério da Educação (MEC).
(Brasília – Redação ASCOM/CAPES)
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