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PRÊMIO CAPES DE TESE
Monitoramento de bactérias em rios é tema de pesquisa premiada

- Imagem: Marca dos 20 anos do Prêmio CAPES de Tese (ASCOM/CAPES)
O descarte inadequado de antibióticos e efluentes (resíduos gerados por atividades humanas) nos rios do Cerrado está criando um ambiente propício para superbactérias. Foi o que comprovou o biomédico Igor Romeiro em sua tese “Poluentes emergentes em águas do Cerrado goiano: indicadores ecotoxicológicos, presença de antimicrobianos e multirresistência bacteriana” desenvolvida na Universidade Estadual de Goiás (UEG), trabalho vencedor do Prêmio CAPES de Tese na área de Ciências Ambientais. O pesquisador isolou a bactéria Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA) — causadora de infecções graves e resistente a medicamentos — nas águas dos rios Extrema e Meia Ponte, em Goiás. O trabalho, resultado de uma sólida trajetória acadêmica que une saneamento, biotecnologia e biofísica, vai além do diagnóstico: sugere que o Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) atualize seus critérios de qualidade da água, incluindo o monitoramento de patógenos resistentes para proteger tanto os ecossistemas aquáticos quanto a saúde da população.
Sobre o que é a sua pesquisa? Explique o conteúdo da sua tese.
A tese avaliou a qualidade da água de efluentes e rios do Cerrado goiano utilizando múltiplos indicadores (físico-químicos, microbiológicos e ecotoxicológicos), além da detecção de antimicrobianos e do isolamento de Staphylococcus aureus multirresistentes. Os dados obtidos sugerem que a nascente do Rio Extrema, na cidade de Anápolis em Goiás, sofre com o descarte de poluentes provenientes das indústrias circunvizinhas. Os indicadores ecotoxicológicos mostraram-se sensíveis e confirmaram o potencial tóxico. O descarte de efluentes industriais contendo antimicrobianos promove a seleção de cepas bacterianas multirresistentes nesse ambiente aquático. Já o Rio Meia Ponte, ao longo do estado de Goiás, também vem sofrendo com a poluição. Os indicadores ecotoxicológicos apontaram potencial tóxico no perímetro urbano de Goiânia, provocado pelo fluxo de resíduos domésticos, químicos e esgotos industriais. O estudo destacou a urgência do monitoramento no curso das águas da foz, que sofre com os resíduos da atividade agropecuária. Além disso, antimicrobianos e Staphylococcus aureus resistentes à meticilina (MRSA) foram detectados no Rio Meia Ponte.
O que vale destacar de mais relevante da sua pesquisa?
É a primeira vez que cepas MRSA são isoladas em águas superficiais e efluentes no Brasil. Trata-se de uma das bactérias do grupo ESKAPE (um acrônimo para as principais bactérias causadoras de infecções hospitalares e multirresistentes: Enterococcus faecium, S. aureus, Klebsiella pneumoniae, Acinetobacter baumannii, Pseudomonas aeruginosa e Enterobacter spp.), sendo responsável por uma variedade de infecções, desde cutâneas até condições mais graves como pneumonia, infecções do coração e dos ossos, representando um grande desafio para a saúde pública. Isso é importante para entender as rotas de transmissão dessas bactérias multirresistentes do ambiente hospitalar (HA-MRSA) e da comunidade (CA-MRSA) para o meio ambiente.
Aliado a isso, a presença de antimicrobianos em rios é uma preocupação global crescente, pois eles são lançados no ambiente por meio de efluentes domésticos e hospitalares e pelo descarte inadequado de medicamentos, não sendo totalmente removidos pelas estações de tratamento de esgoto. Essa poluição farmacêutica contribui para o desenvolvimento de bactérias resistentes aos antimicrobianos e pode ter efeitos adversos nos ecossistemas aquáticos.
De que forma a sua pesquisa pode contribuir para a sociedade?
O Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) institui análises microbiológicas para classificar a balneabilidade de águas doces e salinas por meio da Resolução nº 274/2000 e estabelece parâmetros para a qualidade das águas em geral na Resolução nº 357/2005. As análises determinam a presença de microrganismos indicadores, como coliformes fecais e E. coli, e os limites de suas concentrações, o que define se uma água é própria para utilização ou se apresenta risco à saúde pública. A tese apontou que o monitoramento da água, isolando outros patógenos e a avaliação da resistência a antimicrobianos, pode ser útil para identificar contaminações. A complementação das análises tradicionais estabelecidas pelo Conama, incorporando a avaliação de patógenos multirresistentes, pode ser valiosa para melhorar a infraestrutura de abastecimento, otimizar processos de tratamento e garantir que os padrões de qualidade sejam atendidos.
Qual a importância para você da sua tese ter sido escolhida a melhor da área?
Ter a tese escolhida como a melhor na área de Ciências Ambientais é motivo de orgulho, reforçando a qualidade das pesquisas desenvolvidas no estado de Goiás. Com isso, a Universidade Estadual de Goiás, o Laboratório de Biotecnologia (LaBiotec) e o Programa de Pós-Graduação em Recursos Naturais do Cerrado (Renac) ganham notoriedade nacional pelo compromisso com o desempenho acadêmico. Nesta edição, a UEG foi a única instituição goiana a receber a premiação. Essa conquista fortalece o compromisso com a proteção dos ecossistemas aquáticos, garantindo a saúde e a conservação dos corpos d'água. Ao longo dos três anos de doutorado, os recursos financeiros provenientes do Programa Pesquisa para o SUS: gestão compartilhada em saúde – PPSUS, do Ministério da Saúde, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg) e da Secretaria de Estado da Saúde foram primordiais para a ampliação do Laboratório de Biotecnologia (LaBiotec) e para a continuidade das pesquisas nessa área.
A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) é um órgão vinculado ao Ministério da Educação (MEC).
(Brasília – Redação ASCOM/CAPES)
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