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MULHERES NA CIÊNCIA
Equidade de gênero: combate ao “efeito tesoura” e “teto de vidro” é prioridade
Ao participar do webinar “Mulheres na Ciência: da pós-graduação às publicações de alto impacto”, a presidente da CAPES, Denise Pires de Carvalho, apresentou dados sobre a participação do público feminino na pós-graduação e ressaltou a necessidade de buscar a equidade de gênero em postos de liderança no ambiente da pesquisa brasileira e mundial. O evento foi organizado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) na última segunda-feira, 16 de março.
Denise mostrou que as mulheres totalizam 54% das matrículas nos cursos de mestrado e doutorado e 45% das pessoas que fazem ciência no Brasil, mas a remuneração das pesquisadoras é 30% menor do que a dos homens. Além disso, elas são minoria no corpo docente e nos cargos de liderança, independentemente da faixa etária e da qualificação profissional.
“Não há igualdade de gênero na maior parte dos espaços de destaque em altos cargos. Por isso, políticas de equidade são fundamentais para que a gente chegue à igualdade e combata o efeito tesoura e o teto de vidro, que criam dificuldades para que as mulheres ascendam na carreira”, destacou a presidente da CAPES, que foi a primeira reitora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), depois de cem anos de existência da instituição.
No chamado “efeito tesoura”, a mulher, maioria entre os matriculados na graduação e na pós-graduação, perde participação para os homens ao avançar na carreira, seja como docente, dirigente ou liderança de pesquisa. Já o “teto de vidro” é composto por diversas barreiras que dificultam a ascensão feminina, como a falta de apoio à maternidade e os estereótipos de gênero.
“Não podemos pensar em políticas públicas sem inclusão, interiorização, equidade e diversidade”, acrescentou. Na avaliação da presidente, a diversidade também no âmbito da pós-graduação e da produção de conhecimento é fundamental. Na CAPES, está em funcionamento desde o ano passado o Comitê Permanente de Ações Estratégicas e Políticas para Equidade de Gênero com suas interseccionalidades , que sugere ações e iniciativas para aumentar a representatividade feminina em posições de decisão e de comando na pós-graduação. Programas e colegiados da agência também têm assegurado a presença das mulheres.
Publicação de artigos
No webinar, a presidente abordou ainda os acordos de leitura e publicação, assinados pela CAPES com sete editoras internacionais, para que pesquisadores possam publicar, gratuitamente, seus artigos científicos em periódicos de acesso aberto. Denise citou o exemplo da American Chemical Society (ACS), que, após o acordo, ampliou o número de artigos publicados de 678, em 2024, para 1.672, em 2025, um aumento de 146%.
“Atualmente, o Brasil lidera o número de manuscritos aceitos nas revistas da ACS no mundo. Também cresceram as citações de artigos do Brasil em quase 90% neste período e as publicações em acesso aberto na editora”, comentou. A iniciativa, realizada com recursos da agência do governo federal, contribui para dar maior visibilidade à produção da pós-graduação brasileira, de todas as regiões, no cenário global, além de assegurar amplo acesso aos resultados dos trabalhos dos cientistas do país, ampliando a disseminação do conhecimento.
O webinar teve a participação do diretor científico da SBC, Evandro Mesquita, e das professoras, doutoras e pesquisadoras Nadine Clausell, Gabriela Paixão, Andreia Biolo e Marina Okoshi, que fizeram perguntas à presidente da CAPES. O evento foi organizado pela editora-chefe dos Arquivos Brasileiros de Cardiologia (ABC Cardiol), Gláucia de Oliveira.
