O Projeto do Corredor Logístico Sustentável visa implementar modelo de infraestrutura sustentável e inovadora no setor rodoviário federal, alinhado às diretrizes do Programa de Sustentabilidade para Infraestrutura de Rodovias e Ferrovias da ANTT (Resolução nº 6.057/2024) e da Portaria MT nº 622/2024, que estabelece parâmetros para investimentos em infraestrutura resiliente, mitigação de emissões de GEE e transição energética.
Sandbox regulatório: ambiente de experimentação em que a concessionária testa novas abordagens operacionais, tecnológicas e ambientais, sob acompanhamento direto da ANTT.
O trecho da BR-277 entre Curitiba e Paranaguá tem potencial estratégico para a logística nacional, pois conecta o interior do Paraná e o Centro-Oeste brasileiro ao Complexo Portuário de Paranaguá, responsável por relevante parcela das exportações agrícolas e industriais do país. Trata-se, porém, de uma via antiga e geologicamente sensível, situada na Serra do Mar, sujeita a interdições recorrentes por eventos climáticos e geotécnicos, sem alternativas viárias equivalentes.
Diante desse cenário, o projeto "Conexão Litoral" propõe transformar essa rota em um corredor logístico sustentável e resiliente, integrando soluções de engenharia, tecnologia e gestão ambiental.
Objetivos centrais da iniciativa
1
Promover a redução das emissões de carbono e a transição energética no transporte de cargas e passageiros.
2
Aumentar a segurança e resiliência climática da rodovia frente a eventos extremos.
3
Implementar tecnologias inteligentes de monitoramento, comunicação e conectividade.
4
Fomentar a integração logística porto–rodovia, com ganhos de fluidez e eficiência operacional.
5
Testar, em ambiente regulado, mecanismos de mensuração de sustentabilidade (PDS e IDS), que poderão servir de base para futuras revisões normativas.
O Termo de Referência organiza o projeto em quatro eixos estratégicos interligados — Meio Ambiente, Mobilidade e Segurança Viária, Tecnologia e Conectividade, e Resiliência Climática —, cada qual com objetivos próprios, metas de desempenho e instrumentos de monitoramento, concebidos de forma transversal e complementar.
Detalhamento dos eixos
Eixo Meio Ambiente
O Eixo Meio Ambiente constitui o núcleo de sustentabilidade ecológica do projeto e foi estruturado para reduzir os impactos ambientais diretos e indiretos da operação rodoviária e promover uma transição para uma operação de baixo carbono. O conjunto de ações previstas abrange desde medidas de conservação da biodiversidade — como a implantação de passagens de fauna e barreiras ambientais — até programas de recuperação e preservação da vegetação nativa em áreas marginais à rodovia. O eixo também contempla a introdução de sistemas inteligentes de prevenção de incêndios florestais e sensores ambientais distribuídos ao longo do trecho, capazes de antecipar riscos e subsidiar a gestão ambiental integrada. O uso de energia limpa, especialmente de fontes solar e eólica, é priorizado para alimentar sistemas operacionais e de iluminação, reduzindo a dependência de fontes fósseis. No âmbito da transição energética, prevê-se a implantação de pontos de recarga elétrica e de abastecimento com combustíveis alternativos de baixa emissão de carbono, criando condições concretas para a eletrificação veicular e a descarbonização progressiva da frota usuária da rodovia.
Eixo Mobilidade e Segurança Viária
O Eixo Mobilidade e Segurança Viária intenta ampliar a capacidade e a fluidez do tráfego, reduzir acidentes e assegurar a integração logística entre o corredor rodoviário e o Porto de Paranaguá. A proposta parte de um diagnóstico técnico detalhado que identifica gargalos de capacidade e vulnerabilidades de segurança, sobretudo nos trechos de serra, onde a geometria da via e o tráfego de cargas pesadas exigem soluções estruturais e operacionais específicas. As principais intervenções compreendem a duplicação e ampliação de faixas em segmentos críticos, a construção de vias marginais e novos acessos que segregam o tráfego local do fluxo de longa distância e a implantação de uma nova área de escape para caminhões em declives acentuados. Além das obras físicas, o projeto introduz medidas de gestão operacional, como a criação de pátios logísticos e Pontos de Parada e Descanso (PPDs) equipados com serviços, segurança e monitoramento eletrônico, fortalecendo a política de dignidade do caminhoneiro e a ordenação do fluxo de acesso ao porto. Estudos complementares abordam a otimização dos acessos urbanos e portuários em Paranaguá, visando reduzir congestionamentos e tempos de espera, integrando o projeto à malha urbana de forma harmônica e sustentável.
Eixo Tecnologia e Conectividade
O Eixo Tecnologia e Conectividade constitui o vetor de modernização digital do corredor, responsável por transformar a rodovia em um sistema inteligente de transporte (ITS) plenamente conectado. O projeto prevê a cobertura integral do trecho com câmeras de monitoramento e sensores térmicos para detecção de anomalias operacionais e ambientais em tempo real, além da implantação de um sistema de iluminação cromática inteligente, capaz de sinalizar aos usuários diferentes condições de visibilidade, acidentes ou riscos na pista. Complementarmente, o projeto prevê a instalação de sistemas de pesagem em movimento (High Speed Weigh in Motion – HS-WIM), que substituem a pesagem estática e aumentam a eficiência da fiscalização, bem como o uso de pedagiamento eletrônico sem barreiras (free flow), promovendo fluidez, redução de paradas e menor consumo de combustível. A infraestrutura tecnológica será suportada por conectividade total de rede (4G e 5G), integrando os dados de tráfego, sensores e dispositivos à Central de Controle Operacional da concessionária e a uma plataforma digital de gestão logística que conecta, em tempo real, a concessionária, os usuários, as autoridades de trânsito, os operadores portuários e os órgãos de fiscalização. Este eixo representa, portanto, a dimensão de inovação tecnológica e de transformação digital do corredor, com potencial de gerar ganhos mensuráveis de segurança, eficiência e redução de emissões.
Eixo Resiliência Climática
O Eixo Resiliência Climática foi estruturado para enfrentar os riscos geotécnicos e hidrometeorológicos característicos da Serra do Mar e garantir a continuidade operacional do corredor frente aos efeitos das mudanças climáticas. O trecho entre os quilômetros 31 e 46, reconhecido como o mais crítico da concessão, será objeto de obras estruturais de contenção de encostas, drenagem profunda e estabilização de taludes, com uso de tecnologias de engenharia geotécnica avançadas e monitoramento permanente por sensores. Além das obras preventivas, o projeto prevê o desenvolvimento de uma rota redundante estratégica, concebida para assegurar o tráfego de pessoas e mercadorias durante interdições prolongadas, reduzindo os custos econômicos e sociais de eventos extremos. A resiliência também será incorporada aos protocolos operacionais, com a criação de um plano de contingência climática detalhado, contemplando indicadores de continuidade, tempo de resposta, restabelecimento de tráfego e mitigação de danos. Esse eixo consolida o caráter preventivo e adaptativo do projeto, fazendo da resiliência climática não apenas um requisito técnico, mas um princípio estruturante da gestão da infraestrutura.