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ODS 6: entenda o objetivo da ONU voltado à água e ao saneamento
ODS 6: entenda o objetivo da ONU voltado à água e ao saneamento
Quando se fala em Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), muita gente lembra apenas de temas como meio ambiente ou combate à pobreza. Mas você sabia que existe um objetivo inteiramente dedicado à água e ao saneamento?
Esse é o ODS 6, estabelecido pela Organização das Nações Unidas (ONU), que busca assegurar a disponibilidade e a gestão sustentável da água e do saneamento para todas as pessoas até 2030.
Para um país como o Brasil, que abriga cerca de 12% da água doce superficial do planeta, o desafio não é apenas ter água disponível, mas garantir que ela chegue às pessoas com qualidade, seja utilizada de forma sustentável e permaneça disponível para as próximas gerações. Além disso, é necessário fazer a gestão da água, tendo em visto sua distribuição desigual por todo o território nacional.
Mas afinal, o que são os ODS? São compromissos globais, pactuados em 2015 por todos os Estados-Membros das Nações Unidas. Ao todo, são 17 objetivos que se desdobraram em 169 metas, que orientam ações acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima e garantir que as pessoas, em todos os lugares, possam desfrutar da paz e da prosperidade. As metas são integradas e indivisíveis e equilibram as três dimensões do desenvolvimento sustentável: a econômica, a social e a ambiental.
Em 2023, o Brasil propôs a criação do ODS 18, com o objetivo de incorporar a promoção da igualdade racial à Agenda 2030, tendo como foco o enfrentamento ao racismo e a redução das desigualdades que afetam pessoas negras, indígenas e outros grupos racializados. Coordenado pelo Ministério da Igualdade Racial, o objetivo reúne metas e indicadores relacionados a áreas como trabalho, renda, educação, saúde, moradia e participação social, além de fortalecer a governança, a participação da sociedade e o monitoramento de políticas públicas voltadas à equidade e à justiça social.
Confira abaixo a lista com todos os ODS:
1) Erradicação da pobreza;
2) Fome zero e agricultura sustentável;
3) Saúde e bem-estar;
4) Educação de qualidade;
5) Igualdade de gênero;
6) Água potável e saneamento;
7) Energia limpa e acessível;
8) Trabalho decente e crescimento econômico;
9) Indústria, inovação e infraestrutura;
10) Redução das desigualdades;
11) Cidades e comunidades sustentáveis;
12) Consumo e produção responsáveis;
13) Ação contra a mudança global do clima;
14) Vida na água;
15) Vida terrestre;
16) Paz, justiça e instituições eficazes;
17) Parcerias e meios de implementação e
18) Igualdade Étnico-Racial.
O ODS 6 trata especificamente de Água Potável e Saneamento. A água, contudo, transcende os limites desse objetivo e constitui elemento estruturante e conector de diversas dimensões do desenvolvimento sustentável, relacionando-se à saúde, à produção de alimentos, à geração de energia, ao desenvolvimento econômico, à preservação ambiental e à qualidade de vida.
Um estudo intitulado “Falência Hídrica Global”, do Instituto para Água, Meio Ambiente e Saúde da Universidade da Nações Unidas revelou que o mundo entrou em uma era de falência hídrica. Segundo ele, muitos sistemas hidrológicos ao redor do planeta chegaram em um ponto onde o volume de água extraído é maior do que o volume capaz de ser reposto naturalmente. Por isso, ter ações para a gestão hídrica e para garantir o acesso à água potável e ao saneamento se torna cada dia mais importante.
O que prevê o ODS 6?
Mais do que ampliar o acesso à água potável, o ODS 6 estabelece metas para melhorar a qualidade da água, ampliar o tratamento de esgoto, aumentar a eficiência do uso da água, fortalecer a gestão integrada dos recursos hídricos, proteger rios, lagos e aquíferos e estimular a cooperação entre países e comunidades.
Em outras palavras, a proposta é garantir que a água seja utilizada de forma equilibrada, conciliando as necessidades da população, da agricultura, da indústria, da geração de energia e da conservação ambiental.
Confira as principais metas do ODS 6:
6.1) Até 2030, alcançar o acesso universal e equitativo a água potável e segura para todos
6.2) Até 2030, alcançar o acesso a saneamento e higiene adequados e equitativos para todos, e acabar com a defecação a céu aberto, com especial atenção para as necessidades das mulheres e meninas e daqueles em situação de vulnerabilidade
6.3) Até 2030, melhorar a qualidade da água, reduzindo a poluição, eliminando despejo e minimizando a liberação de produtos químicos e materiais perigosos, reduzindo à metade a proporção de águas residuais não tratadas e aumentando substancialmente a reciclagem e reutilização segura globalmente
6.4) Até 2030, aumentar substancialmente a eficiência do uso da água em todos os setores e assegurar retiradas sustentáveis e o abastecimento de água doce para enfrentar a escassez de água, e reduzir substancialmente o número de pessoas que sofrem com a escassez de água
6.5) Até 2030, implementar a gestão integrada dos recursos hídricos em todos os níveis, inclusive via cooperação transfronteiriça, conforme apropriado
6.6) Até 2020, proteger e restaurar ecossistemas relacionados com a água, incluindo montanhas, florestas, zonas úmidas, rios, aquíferos e lagos
6.a) Até 2030, ampliar a cooperação internacional e o apoio à capacitação para os países em desenvolvimento em atividades e programas relacionados à água e saneamento, incluindo a coleta de água, a dessalinização, a eficiência no uso da água, o tratamento de efluentes, a reciclagem e as tecnologias de reuso
6.b) Apoiar e fortalecer a participação das comunidades locais, para melhorar a gestão da água e do saneamento
Essas metas demonstram que a segurança hídrica depende não apenas da disponibilidade de água, mas também da qualidade dos recursos hídricos, da governança, do planejamento e da integração entre diferentes setores.
Qual é o papel da ANA?
No Brasil, a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) exerce papel estratégico para o alcance do ODS 6.
Além de atuar na gestão dos recursos hídricos e na regulação do saneamento básico, a Agência é ponto focal de sete dos onze indicadores globais que medem o avanço desse objetivo no país. Esse trabalho é realizado em parceria com instituições como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os ministérios da Saúde, das Cidades e da Integração e do Desenvolvimento Regional, além do Serviço Geológico do Brasil (SGB).
Na prática, a ANA acompanha indicadores relacionados ao acesso à água potável, saneamento, qualidade da água, uso eficiente dos recursos hídricos, gestão integrada das águas, cooperação internacional e participação social. Essas informações ajudam governos e gestores públicos a planejar investimentos e formular políticas voltadas ao alcance das metas da Agenda 2030.
Muito além do monitoramento
O trabalho da ANA não se resume à produção de indicadores.
Em 2020, a Agência iniciou uma parceria com a Universidade das Nações Unidas (UNU-INWEH) para aplicar no Brasil a ferramenta internacional SAP-ODS, desenvolvida para apoiar a tomada de decisões relacionadas ao ODS 6. A iniciativa resultou em um diagnóstico nacional sobre os pontos fortes e os desafios para a implementação desse objetivo no país.
Com base nesse estudo, a ANA estruturou uma metodologia para identificar a relação das suas ações com as metas do ODS 6. A lógica é simples: monitorar os indicadores, entender como contribuímos para o ODS 6, identificar desafios e estimular a transformação das informações em ações concretas.
Como a ANA contribui para as metas do ODS 6?
Um levantamento realizado pela própria Agência mostra que sua atuação está conectada ao cumprimento do ODS 6.
Entre 2015 e 2024, foram identificadas 1.118 ações institucionais, das quais 795 (71%) contribuíram direta ou indiretamente para o alcance das metas do objetivo.
As maiores contribuições concentram-se em três frentes:
- uso eficiente da água (ODS 6.4);
- acesso à água potável (ODS 6.1);
- gestão integrada dos recursos hídricos (ODS 6.5).
Entre as iniciativas que ajudam a impulsionar essas metas estão a emissão de outorgas de uso da água, a alocação negociada de recursos hídricos, o Monitor de Secas, a Rede Hidrometeorológica Nacional (RHN), o Atlas Águas, a implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos (PNRH) e as Normas de Referência para o setor do saneamento básico.
Informação que apoia decisões
Em 2025, a ANA publicou a terceira edição do relatório ODS 6 no Brasil – Visão da ANA sobre os Indicadores, acompanhada de um encarte especial sobre desigualdades no acesso à água, ao saneamento e às instalações de higiene, elaborado com base nos dados do Censo Demográfico de 2022.
As publicações apresentam informações para todos os 5.570 municípios brasileiros, permitindo acompanhar a evolução dos indicadores por região, sexo, raça/cor, áreas urbanas e rurais e em favelas e comunidades urbanas. Os estudos oferecem um retrato detalhado da situação do país e apoiam a definição de políticas públicas voltadas à universalização do acesso à água e ao saneamento.
Água: um objetivo que conecta todos os outros
Embora seja um dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, o ODS 6 dialoga com praticamente todos os demais.
Sem água de qualidade não há saúde pública. Sem segurança hídrica não há produção de alimentos, geração de energia, desenvolvimento econômico nem preservação dos ecossistemas.
Por isso, a ONU considera a água um dos principais elementos para acelerar o desenvolvimento sustentável.
Ao fortalecer a gestão dos recursos hídricos, ampliar o acesso ao saneamento e produzir informações que orientam políticas públicas, a ANA contribui para que o Brasil avance não apenas no ODS 6, mas também em diversos outros objetivos da Agenda 2030. Afinal, cuidar da água é cuidar do desenvolvimento, da qualidade de vida e do futuro do país.
Assessoria Especial de Comunicação Social (ASCOM)
Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA)
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