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ANA, SGB e Marinha realizam visita técnica à embarcação Uiara
A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), o Serviço Geológico do Brasil (SGB) e a Marinha do Brasil promoveram, nesta quarta-feira (26), visita institucional à embarcação Uiara e à Estação Hidrológica de Manacapuru (AM), infraestrutura concebida especialmente para apoiar o monitoramento hidrológico dos grandes rios amazônicos.
A agenda e a visitação contaram com a participação da diretora-presidenta interina da ANA, Cristiane Battiston, além de representantes do Serviço Geológico do Brasil (SGB), da Marinha do Brasil e do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR).
Para Battiston, a embarcação representa uma conquista conjunta das instituições envolvidas e contribui para que as informações produzidas se revertam em benefícios para a sociedade. “A Uiara foi uma conquista muito grande, conjunta das nossas instituições. Foi uma parceria e todo um trabalho para fazer a diferença para a população brasileira”, declarou.
A visita teve como objetivo proporcionar às autoridades presentes uma visão sobre como a Rede Hidrometeorológica Nacional (RHN) produz informação sobre as águas na Amazônia, conectando a estação hidrológica de Manacapuru, o trabalho das equipes de campo e a capacidade operacional proporcionada pela embarcação. O propósito do encontro foi mostrar que a informação hidrológica utilizada nas decisões sobre segurança hídrica começa no campo: Manacapuru mostrou como esses dados são produzidos e a Uiara mostrou como o Estado brasileiro amplia sua capacidade de realizar esse trabalho com segurança, autonomia e eficiência nos grandes rios amazônicos.
A diretora ressaltou a relação entre o monitoramento hidrológico e a atuação dos órgãos responsáveis pela prevenção e pela resposta a desastres, especialmente diante da intensificação dos eventos extremos.
“Os dados hidrológicos, muitas vezes, especialmente nos dias de hoje e com todos os eventos extremos que estamos vivendo, são muito relacionados à nossa capacidade de gerar alertas e de avisar a população e de permitir que a Defesa Civil faça o trabalho dela junto à população de uma forma tempestiva, para salvar vidas, para salvar patrimônios”, explicou.
Battiston defendeu ainda que a população brasileira conheça a importância da Rede Hidrometeorológica Nacional. “É um trabalho que acaba sendo muito conhecido em áreas técnicas, em áreas de engenharia, mas que a gente precisa fazer um trabalho amplo para que a população brasileira conheça a sua importância e nos apoie sempre na defesa da Rede Hidrometeorológica Nacional”, declarou.
A diretora-presidenta interina também enfatizou o caráter coletivo dessa infraestrutura. “A Rede Hidrometeorológica Nacional tem a coordenação da ANA, mas não é da ANA. É da Marinha, é do Serviço Geológico e, mais que tudo, é do nosso país, da nossa população”, concluiu.
Uma embarcação inédita para a Amazônia
A Uiara é a primeira embarcação nacional projetada especialmente para o monitoramento das águas na bacia Amazônica. Ela simboliza a consolidação de uma parceria inédita entre ANA, SGB e Marinha do Brasil, unindo ciência, tecnologia e soberania em prol da gestão dos recursos hídricos da região. O projeto foi executado por meio de um Acordo de Cooperação Técnica entre a ANA e a Marinha, responsável por supervisionar e assessorar tecnicamente a construção, garantindo a qualidade da embarcação e os padrões navais.
O comandante do 9º Distrito Naval, vice-almirante André Félix, responsável pela área que abrange os estados do Amazonas, Acre, Roraima e Rondônia, destacou o alcance do projeto. “Para nós também é uma honra estar aqui participando desse projeto, que engrandece não só o Brasil, porque esses dados são públicos para o mundo. No futuro, essa capacidade de observação e de monitoramento pode ser atingida em todas as regiões aqui do estado do Amazonas ou em toda a região da Amazônia Legal”, afirmou.
Incorporada à operação da RHN no final de 2025, a Uiara está equipada com instrumentação hidrológica de última geração, permitindo medições de vazão, qualidade da água e transporte de sedimentos; informações essenciais para prever cheias e estiagens e subsidiar a gestão integrada dos recursos hídricos. Mais do que um meio de transporte, funciona como uma plataforma móvel de hidrometria, reunindo espaço para equipamentos, laboratório, instalações para permanência das equipes, sistemas de navegação, geração de energia e condições para campanhas prolongadas, servindo também de base para pesquisas hidrográficas e estudos geomorfológicos dos rios da Amazônia Ocidental.
Considerando os roteiros de operação da RHN para os rios Amazonas e Solimões, a Uiara pode atender, em cada ciclo trimestral completo dessas campanhas, cerca de 36 pontos de monitoramento, percorrendo aproximadamente 5 mil quilômetros pelos dois rios. No rio Amazonas, o roteiro de referência contempla até 22 pontos de monitoramento ao longo de aproximadamente 3.430 quilômetros, incluindo estações e localidades como Itacoatiara, Urucará, Parintins e Boa Vista do Ramos. No rio Solimões, são previstos até 14 pontos em cerca de 1.550 quilômetros, passando por locais estratégicos como Iranduba, Manacapuru, Beruri, Codajás, Coari e a região da foz do rio Purus. A partir de 2027, a expectativa é ampliar ainda mais o raio de atuação da embarcação, com possibilidade de incorporação de campanhas no rio Madeira.
Reforço do monitoramento em ano de El Niño
Érico de Castro Borges, coordenador de Análise de Ações de Prevenção e Mitigação do Departamento de Prevenção e Mitigação do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), afirmou que a visita reforça a relação da Defesa Civil com a rede, especialmente diante da criação de um novo departamento de Prevenção e Mitigação no órgão. “Nós já somos usuários, mas vamos aumentar a utilização dos dados. Conhecer todo o processo é muito importante, até porque também podemos nos juntar, no futuro, para fortalecer a manutenção de ações como essa”, disse.
A atuação da Uiara ganha relevância em um momento de atenção ampliada às condições hidroclimáticas do país. Em junho de 2026, foi oficialmente confirmado o estabelecimento de condições de El Niño no Pacífico equatorial. Segundo o primeiro boletim do Painel El Niño 2026-2027, do qual participam ANA, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o SGB e a Defesa Civil, os modelos indicavam mais de 90% de probabilidade de persistência do fenômeno até pelo menos o início de 2027, com possibilidade elevada de um episódio de intensidade muito forte.
Diante desse cenário, a disponibilidade de uma embarcação com capacidade para apoiar medições em grandes rios amplia a possibilidade de verificar em campo as condições hidrológicas na Amazônia, região onde cheias e vazantes apresentam grande amplitude, complementando as informações provenientes das estações automáticas em um período em que dados tempestivos e confiáveis são ainda mais importantes para subsidiar o acompanhamento dos eventos hidrológicos.
A rede por trás dos dados
O superintendente adjunto de Gestão da Rede Hidrometeorológica da ANA, Wesley Gabrieli, que conduziu a visita técnica, explicou que as informações produzidas pela rede têm aplicações que vão muito além da previsão climática. “Os dados também são utilizados para a emissão de alertas, para a elaboração de estudos, para subsidiar a gestão de recursos hídricos, para orientar as atividades econômicas”, afirmou, com destaque para a navegação: “é por aqui que escoam, pelos rios que escoam, os mantimentos, os alimentos, remédios, combustíveis, insumos essenciais para a vida aqui na Amazônia”, destacou.
A RHN é coordenada pela ANA conforme estabelecido pela Lei nº 9.984/2000, em parceria com instituições como o SGB, e constitui uma das principais infraestruturas públicas de produção de informações sobre as águas brasileiras.
Chefe da Divisão de Hidrologia Básica do SGB, Arthur Moreira de Abreu ressaltou o papel dos observadores hidrológicos que atuam nas estações de todo o país. “Eles são os nossos olhos nas estações quando as equipes não estão em campo”, afirmou, avaliando ainda que a Uiara representa “um novo paradigma, uma nova era em relação à segurança e também ao bem-estar das pessoas e das equipes que trabalham no monitoramento” hidrológico na Amazônia.
Sob responsabilidade direta da Agência, a rede reúne atualmente 2.564 pontos com monitoramento pluviométrico (P), 1.553 com monitoramento fluviométrico (F), 437 com monitoramento de descarga sólida/sedimentos (S) e 433 com monitoramento de qualidade da água (Q), totalizando 4.456 estações, sendo 2.836 pluviométricas e 1.620 fluviométricas.
É dessa infraestrutura que se originam séries históricas fundamentais para conhecer o comportamento dos rios brasileiros e acompanhar tanto as condições regulares quanto situações críticas. Entre essas estações está a de Manacapuru, que desde 1972 produz dados de cota e medições de vazão em uma área de drenagem de aproximadamente 2,2 milhões de quilômetros quadrados.
Na estação de Manacapuru, foram apresentados o pluviômetro convencional, a seção de réguas utilizada para acompanhar o nível do rio, as referências físicas que garantem a continuidade histórica das medições e a estação telemétrica, capaz de coletar e transmitir automaticamente as informações.
A demonstração evidencia uma característica fundamental da RHN: a complementaridade entre tecnologia e trabalho de campo. Enquanto a telemetria agiliza a transmissão dos dados, as inspeções, medições, referências topográficas, observações locais e procedimentos de controle asseguram a qualidade e a continuidade das séries históricas.
Assessoria Especial de Comunicação Social (ASCOM)
Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA)
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