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ANA apresenta cenário dos principais rios e reservatórios do Brasil e da seca no contexto do fenômeno climático El Niño
Boletim de julho de 2026 do Painel El Niño
A segunda edição do Boletim Mensal do Painel El Niño, referente a julho de 2026, já está disponível para consulta nos sites da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) nesta sexta-feira, 31 de julho. No documento a ANA aponta que reservatórios em bacias estratégicas – como a do São Francisco, Tocantins e Paranapanema – operam na Faixa Normal e sem restrições de vazões defluentes (liberadas). Além disso, as bacias dos rios Madeira e Xingu, na região Norte, entraram no período natural de vazante (redução de vazões).
Em termos de seca, o acompanhamento realizado pelo Monitor de Secas aponta o abrandamento do fenômeno no Centro-Oeste, Norte e Sul numa comparação entre julho de 2023 e julho de 2026. No sentido oposto, o Nordeste e o Sudeste registraram intensificação da seca nesse mesmo período comparativo. Além disso, a ANA informa que em agosto haverá uma série de reuniões de avaliação e das salas de crise e de acompanhamento que contemplam a situação de bacias hidrográficas de Norte a Sul do Brasil com transmissão ao vivo por meio do canal da Agência no YouTube: www.youtube.com/anagov.br.
Reservatórios em bacias estratégicas operam na Faixa Normal e sem restrições de vazão liberada
De acordo com o levantamento da ANA, em 27 de julho de 2026 o volume armazenado nos reservatórios do Sistema Interligado Nacional (SIN) registrou 75,1% da capacidade útil, que é o 2º maior valor observado para essa data desde 2015. Na Região Sul a maior parte dos reservatórios das hidrelétricas do SIN opera a “fio d’água”, ou seja, sem capacidade de armazenamento suficiente para regularizar as vazões do rio. Por esta razão, a quantidade de água liberada costuma ser semelhante à quantidade que chega aos reservatórios.
No Sistema Hídrico do Rio Paranapanema, as usinas hidrelétricas de Jurumirim (SP), Chavantes (PR/SP) e Capivara (PR/SP) operavam em 27 de julho dentro da Faixa Normal, sem restrição de vazão, com volumes úteis respectivamente de 49,9%; 56,2% e 98,5%.
No rio Madeira, na região Norte, as usinas de Jirau (RO) e Santo Antônio (RO), que vinham operando perto de seus níveis máximos ao longo do primeiro semestre, estão em seu período natural de redução de vazões. Os dois aproveitamentos hidrelétricos vêm, ainda, liberando vazões acima do mínimo exigido em suas outorgas de direito de uso de recursos hídricos de modo a garantir a navegabilidade da hidrovia do rio Madeira.
Na bacia do rio Tocantins, a ANA destacou que em 27 de julho houve o 9º maior armazenamento na usina de Serra da Mesa (GO) para essa data no histórico da hidrelétrica: 57,2% do volume útil. Com esse patamar de armazenamento, acima de 20%, Serra da Mesa opera na Faixa Normal em que não há restrição de vazão média máxima mensal defluente turbinada. Além disso, está vigente o período de operação especial de Serra da Mesa associado à Temporada de Praias no rio Tocantins, no Estado do Tocantins, que ocorre anualmente entre 10 de junho e 20 de agosto. Também instalada nessa bacia, no mesmo período o reservatório da hidrelétrica Tucuruí (PA) armazenava 86,2% de seu volume útil.
No rio Xingu, associado ao Complexo de Belo Monte (PA), os níveis seguem dentro dos limites operativos, com vazões no Trecho de Vazão Reduzida (TVR) em redução gradual, acompanhando o período de vazante naturalmente característico de julho. As vazões no TVR apresentaram elevação no período úmido (outubro a abril), com posterior redução a partir de maio, acompanhando o comportamento sazonal do rio, até atingirem, em julho, os patamares mínimos previstos.
No Sistema Hídricos do Rio São Francisco, os reservatórios das hidrelétricas de Três Marias (MG) e Sobradinho (BA) operavam na Faixa Normal, sem restrição de vazão máxima defluente (liberada) mensal, com respectivamente 92,5% e 80,8% dos volumes úteis armazenados. Com isso, o armazenamento de Três Marias é o maior já observado para a 27 de julho desde 1993 e o de Sobradinho é o 15º maior em 47 anos de dados.
A ANA também monitora, por meio do Sistema de Acompanhamento de Reservatórios (SAR), 377 reservatórios distribuídos pelos nove estados do Nordeste e por Minas Gerais, que em 27 de julho somavam cerca de 52% de sua capacidade total — com destaque para a Bahia, com 67% de armazenamento, e para Pernambuco, no patamar mais baixo, com 37%.
Monitor de Secas indica melhora no Centro-Oeste, Norte e Sul e piora no Nordeste e Sudeste
Outro instrumento conduzido pela ANA em parceria com demais órgãos, o Monitor de Secas, mostrou que, na comparação entre junho de 2023, último ano com El Niño, e junho de 2026, o Centro-Oeste está neste ano com um terço da área que foi observada com seca em 2023 e com uma condição mais branda do fenômeno por ter o predomínio de seca fraca e estar sem áreas com seca grave. Na região Norte, a condição também está mais amena em junho deste ano por não registrar seca grave. No Sul a seca também está mais branda em junho de 2026 do que o que foi observado em 2023 e a ocorrência de cheias pode vir a ser maior do que em 2023 em função do El Niño. No sentido contrário, em junho deste ano, o Nordeste e o Sudeste tiveram uma seca que cobriu maior parte de suas áreas do que em comparação com a situação verificadaem 2023 e com maior intensidade do fenômeno.
Salas de Crise e reuniões para monitoramento de bacias e sistemas hídricos em agosto
A ANA mantém Salas de Avaliação, Acompanhamento e Crise em diversas regiões e bacias hidrográficas do País, com a possibilidade de instituir novas salas conforme a evolução do cenário. Coordenadas pela Agência, as reuniões integram informações hidrológicas e meteorológicas para subsidiar decisões diante de eventos extremos que possam afetar a segurança hídrica e os múltiplos usos da água, contando com o apoio técnico do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (CEMADEN), do Serviço Geológico do Brasil (SGB) e do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
Entre os encontros já agendados para agosto, destacam-se a 8ª Reunião da Sala de Acompanhamento do Sistema Hídrico do Rio São Francisco (04/08), a 113ª Reunião do Grupo de Assessoramento à Operação do Sistema Hidráulico Paraíba do Sul (11/08), a 8ª Reunião da Sala de Crise da Região Sul (25/08). Haverá, ainda, reuniões com foco na bacia do Alto Paraguai, no Sistema Hídrico do Rio Paranapanema, região Norte, Sistema Hídrico do Rio Tocantins e Sistema Hídrico do Rio Paraná. Todos os encontros são transmitidos ao vivo e ficam disponíveis no canal da ANA no YouTube: www.youtube.com/anagovbr.
Recomendações aos estados, municípios e à população
Diante do cenário de El Niño, o Painel recomenda que estados e municípios revisem e atualizem seus Planos de Contingência; fortaleçam os processos de monitoramento e alerta; e intensifiquem a articulação com os demais sistemas setoriais ligados a recursos hídricos, meio ambiente, saúde e assistência social. À população, a orientação é que permaneça atenta às previsões, avisos e alertas oficiais e que realize o cadastro para recebimento de avisos das defesas civis locais, disponíveis por WhatsApp, Telegram ou SMS. Os cidadãos também devem buscar informações sobre os planos de contingência de seus municípios, que contêm os locais seguros e as rotas de fuga em caso de eventos críticos.
O Boletim Mensal
Iniciado em julho deste ano, o Boletim Mensal do Painel El Niño apresenta informações sobre o monitoramento e as previsões relacionadas ao fenômeno climático El Niño, que acontece com o aumento da temperatura da superfície do mar no Oceano Pacífico Equatorial, para o período de 2026 e 2027, assim como os possíveis impactos associados. O material resulta da ação conjunta de várias instituições: INMET, INPE, ANA, CEMADEN, SGB, a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (SEDEC) e o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (CENSIPAM).
Assessoria Especial de Comunicação Social (ASCOM)
Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA)
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