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AVALIAÇÃO
Pós-graduação brasileira registra aumento da qualidade
O Ministério da Educação (MEC) e a CAPES/MEC divulgaram nesta terça-feira, 10 de fevereiro, o resultado da Avaliação Quadrienal 2021-2024. Oitocentos e oito programas de pós-graduação (PPGs) alcançaram notas de excelência (6 e 7), um aumento de 21% em relação ao quadriênio 2017-2020, quando 667 programas atingiram esse conceito. O maior aumento percentual ocorreu nas regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste. Foram avaliados 4.555 programas, por 1.980 consultores, de 50 áreas.
Segundo o levantamento, o primeiro programa de pós-graduação na modalidade profissional a alcançar avaliação de excelência, com nota 6, é o programa na área de Propriedade Intelectual do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi). A excelência, aliás, está mais presente nas instituições públicas (18,6% dos PPGs) do que nas privadas (13,1% dos programas).
“Essa avaliação mostrou que as melhores pós-graduações estão nas universidades públicas — federais, estaduais e municipais —, e nas instituições comunitárias. Também revelou que mais da metade das instituições privadas não alcançou nota suficiente para a manutenção dos cursos”, disse o ministro da Educação, Camilo Santana, ao divulgar os números, em Vitória (ES). “Isso evidencia a necessidade de as universidades privadas com fins lucrativos investirem mais na qualidade da formação, além de mostrar que essas instituições não investem em pós-graduação. Dessa forma, são as instituições públicas que garantem a pesquisa e a inovação em nosso país. Essa é a realidade”.
Em uma análise dos resultados por região, o Norte registrou o maior aumento na quantidade de PPGs ativos no Sistema Nacional de Pós-Graduação (SNPG), com notas entre 3 e 7, de 12% (de 275 para 308). Em seguida, vêm o Centro-Oeste, com aumento de 4,9% (de 385 para 404), e o Nordeste, com 3,4% (910 para 941). As regiões Sul e Sudeste ficaram estáveis em relação ao ciclo avaliativo anterior.
A presidente da CAPES/MEC, Denise Pires de Carvalho, observou que a pós-graduação brasileira cresceu em um ambiente que perpassou subfinanciamento e pandemia. “Esses números provam a resiliência e a qualidade da ciência e da pós-graduação brasileiras. Passamos por situações de pouco orçamento, com um vírus mortal limitando as ações nas instituições de ensino, e ainda assim entregamos excelência logo que o financiamento foi restituído. É um setor que responde rápido à retomada de investimentos”, afirmou.
Para o diretor de Avaliação da Coordenação, Antonio Gomes de Souza Filho, a expansão da pós-graduação deve seguir alinhada com às demandas da sociedade brasileira. “O Sistema Nacional de Pós-Graduação tem um histórico de crescimento constante, que se deu por demanda espontânea e em alguns casos por demanda induzida. O desafio agora é fortalecer a demanda induzida, elaborada em colaboração com os setores da sociedade, tendo como eixo orientador os desafios que a sociedade brasileira enfrenta em diferentes dimensões”, disse.
Números – Entre os programas de mestrado e doutorado avaliados, 1.272 (28%) aumentaram a nota e 2.721 (60%) mantiveram a pontuação anterior. Parte disso se explica pela melhoria observada em 70% dos PPGs que historicamente apresentavam nota 3 e receberam investimentos do Programa de Redução de Assimetrias da Pós-Graduação (PRAPG), financiado pelo MEC por meio da Coordenação.
Em relação ao ciclo de 2017-2020, o número de PPGs avaliados com nota 3 caiu de 928 para 622, uma queda de 33%, o que resultou em aumento nos demais níveis. A quantidade de PPGs nota 4 subiu de 1.752 para 1.859 e, os de nota 5, de 1.032 para 1.218. Já os de excelência cresceram de 407 para 482, na nota 6, e de 260 para 326, na nota 7.
Cento e oitenta novos PPGs ingressaram no Sistema Nacional de Pós-Graduação (SNPG). Já os programas de pós-graduação stricto sensu que reduziram a nota totalizaram 382 (8%). Quarenta e oito deles (1% do total do SNPG) foram avaliados com notas 1 ou 2 e acabaram descredenciados pelo Ministério da Educação.
Avaliação – A Avaliação Quadrienal analisa, a cada quatro anos, a qualidade dos programas de pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado), com o objetivo de garantir padrões de excelência, orientar o aperfeiçoamento dos programas e subsidiar decisões de fomento, regulação e expansão do SNPG. Promovida e coordenada pela CAPES/MEC, a avaliação conta com a participação ativa de representantes da comunidade acadêmica de todas as áreas do conhecimento, organizadas em 50 Áreas de Avaliação.
Os resultados da avaliação são apresentados por meio de um parecer de uma comissão avaliadora para cada Área de Avaliação, o qual contém análise de desempenho do Programa de Pós-Graduação, bem como a nota atribuída (1 a 7) na escala avaliativa indicativa do nível de qualidade. Esse processo permite a regulação da pós-graduação stricto sensu no Brasil, subsidiando os atos de autorização, reconhecimento e renovação de reconhecimento dos cursos de mestrado e doutorado pelo MEC.
O processo de avaliação da pós-graduação é estruturado a partir de seis princípios fundamentais:
- Avaliação por pares, realizada por especialistas e respeitando as especificidades de cada área de avaliação;
- Comparabilidade, com a adoção de critérios que permitem analisar o desempenho de um programa em relação aos demais da mesma área;
- Análise retrospectiva, baseada na avaliação a posteriori do desempenho dos programas a partir dos dados coletados pela CAPES/MEC ao longo do ciclo avaliativo;
- Classificação, que distingue os programas em diferentes níveis de desempenho por meio de uma escala de notas de 1 a 7;
- Colaboração, assegurada pela participação efetiva da comunidade acadêmico-científica;
- Transparência, garantida pela divulgação das informações coletadas durante o ciclo de referência, promovendo o controle social do processo.
Acesse o resultado em: http://capes.gov.br/resultadoavaliacao2025
A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) é um órgão vinculado ao Ministério da Educação (MEC).
(Brasília – Redação ASCOM/CAPES)
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