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Estudo cria sistemas farmacêuticos inovadores a partir da biodiversidade amazônica
Kariane Mendes Nunes é doutora pela Universidade de São Paulo (USP), com foco em Tecnologia Farmacêutica e Inovação a partir da biodiversidade amazônica, e mestra em Ciências Farmacêuticas pela Universidade Federal do Pará (UFPA).
Durante o doutorado, desenvolveu estudos envolvendo sistemas lipídicos estruturados, especialmente cristais líquidos baseados em lipídios, voltados à liberação controlada de fármacos.
Após a conclusão do doutorado, Kariane realizou pós-doutorado na Universidade Federal do Pará (UFPA), ampliando a aplicação de biomateriais amazônicos no desenvolvimento de biocosméticos (Carta patente Nº BR 102014021702-9). Além disso, desde 2014, atua como professora na Universidade Federal do Oeste do Pará, onde coordena projetos de pesquisa e inovação voltados ao desenvolvimento de fitoterápicos e biocosméticos, integrando ciência, tecnologia e bioeconomia.
Sobre o que é a sua pesquisa? Explique o conteúdo da sua tese.
Minha pesquisa está inserida no desenvolvimento de sistemas de liberação de fármacos e bioativos, com foco em estruturas lipídicas organizadas, como os sistemas líquido-cristalinos.
Na tese de doutorado, investiguei o uso de lipídios anfifílicos, como a monooleína, na formação de fases líquido-cristalinas capazes de modular a liberação de fármacos para aplicação na bolsa periodontal. O trabalho envolveu a caracterização estrutural desses sistemas, a avaliação reológica, estudos de liberação, além da correlação entre microestrutura e desempenho farmacotécnico.
Esse conhecimento foi posteriormente transposto para biomateriais amazônicos, especialmente manteigas vegetais, como murumuru e ucuúba, demonstrando que esses insumos podem atuar como alternativas sustentáveis a excipientes sintéticos, com desempenho tecnológico promissor e potencialmente comparável ao de excipientes sintéticos consolidados
O que vale destacar de mais relevante na sua pesquisa?
O principal diferencial da minha pesquisa é a substituição de excipientes sintéticos por biomateriais amazônicos em sistemas avançados de liberação.
Demonstrei que manteigas vegetais da biodiversidade amazônica possuem capacidade intrínseca de organização supramolecular, formando estruturas líquido-cristalinas estáveis, com propriedades físicas adequadas e potencial para liberação controlada.
Além disso, o estudo integra inovação tecnológica com sustentabilidade, ao valorizar cadeias produtivas locais e promover o uso racional da biodiversidade. Esse modelo contribui simultaneamente para avanços científicos e impacto socioeconômico regional.
Outro ponto relevante é a geração de propriedade intelectual, com patentes concedidas, e a translação do conhecimento para aplicações reais, incluindo produtos farmacêuticos e cosméticos.
De que forma a sua pesquisa pode contribuir para a sociedade?
A pesquisa contribui em múltiplas dimensões: na saúde pública, com o desenvolvimento de formulações mais seguras, eficazes e potencialmente acessíveis, incluindo aplicações em saúde íntima feminina e cicatrização; na sustentabilidade, por meio da substituição de insumos sintéticos por matérias-primas renováveis da biodiversidade amazônica; na bioeconomia, ao fortalecer cadeias produtivas locais, com geração de renda e valorização de comunidades tradicionais; e no sistema de inovação, ao promover a transferência tecnológica e a interface entre universidade, setor produtivo e políticas públicas.
Além disso, há potencial de integração com o Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente no desenvolvimento de fitoterápicos e tecnologias sociais em saúde, alinhadas às diretrizes nacionais.
Foi bolsista da CAPES/MEC? Se sim, de que forma a bolsa contribui para sua formação?
Sim, fui bolsista da CAPES durante toda a minha formação. A bolsa foi fundamental para garantir dedicação exclusiva à pesquisa, possibilitando o aprofundamento científico, a produção de conhecimento de alto nível e a inserção em ambientes acadêmicos de excelência.
Além disso, a CAPES viabilizou minha formação em uma perspectiva ampla, incluindo a participação em eventos científicos, o desenvolvimento de publicações e a construção de redes de colaboração. Esse suporte foi determinante para a consolidação da minha trajetória como pesquisadora e para a geração de resultados com impacto científico, tecnológico e social.
A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) é um órgão vinculado ao Ministério da Educação (MEC).
(Brasília – Redação CGCOM/CAPES)
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