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Dispositivo auxilia tratamento do câncer de colo do útero
Gabryele Moreira é formada em Física Médica pela Universidade Federal de Sergipe (UFS), onde ingressou por meio das cotas raciais. Na graduação, participou de três projetos de iniciação científica com o desenvolvimento de dispositivos médicos ligados ao tratamento do câncer, com foco em radioterapia. No mestrado em Ciências, na Universidade de São Paulo (USP), integrou o Programa de Tecnologia Nuclear, no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), bem como o Programa Marie Skłodowska Curie da Agência Internacional de Energia Atômica, vinculada à ONU, com estágio em Portugal. Já no doutorado, também no Ipen/USP, dá continuidade à pesquisa com o desenvolvimento de um dispositivo que auxilia no tratamento do câncer de colo do útero. Segundo ela, o sistema permite maior precisão, custo mais baixo e possibilidade de personalização. “A principal contribuição social está na melhoria da qualidade do tratamento do câncer ginecológico, com potencial redução de efeitos colaterais e aumento da segurança para as pacientes”, explica a pesquisadora, que atualmente é bolsista do Programa Doutorado-Sanduíche no Exterior (PDSE) da CAPES, na Universidade de Pisa, na Itália.
Sobre o que é a sua pesquisa? Explique o conteúdo do seu trabalho.
A minha pesquisa envolve a Tecnologia Nuclear aplicada à área da Medicina. Aborda o desenvolvimento de um novo dispositivo utilizado no tratamento do câncer de colo do útero, uma doença que ainda afeta muitas mulheres. Esse dispositivo é empregado na braquiterapia, um tipo de radioterapia em que a fonte de radiação é colocada muito próxima da região a ser tratada, tornando o tratamento mais eficaz. O diferencial do meu trabalho foi criar esse aplicador usando impressão 3D, o que permite maior precisão e possibilidade de personalização para cada paciente. Além disso, o aplicador foi projetado com materiais especiais que ajudam a controlar a radiação, direcionando melhor a dose para o tumor e reduzindo a exposição de órgãos saudáveis, como a bexiga e o intestino.
O que vale destacar de mais relevante na sua pesquisa?
Um ponto especialmente importante é o baixo custo da tecnologia utilizada. A impressão 3D permite produzir esse tipo de aplicador por um preço muito mais barato do que os dispositivos convencionais, usando materiais acessíveis e amplamente disponíveis. Isso abre a possibilidade de produção local, inclusive em hospitais públicos, sem a necessidade de importar equipamentos caros. A pesquisa mostra que é possível aliar inovação e economia, ampliando o acesso a tratamentos de qualidade, especialmente em regiões com menos recursos, e contribuindo para um sistema de saúde mais eficiente e justo.
De que forma a sua pesquisa pode contribuir para a sociedade?
A principal contribuição social está na melhoria da qualidade do tratamento do câncer ginecológico, com potencial redução de efeitos colaterais e aumento da segurança para as pacientes. Ao propor tecnologias mais acessíveis e personalizáveis, a pesquisa também contribui para a democratização do acesso a tratamentos avançados, fortalecendo o sistema de saúde e incentivando o desenvolvimento científico e tecnológico nacional na área da saúde e da energia nuclear aplicada à medicina.
De que forma a bolsa da CAPES/MEC contribui para sua formação?
Sou bolsista da CAPES/MEC pelo Programa de Doutorado-Sanduíche no Exterior (PDSE), na Universidade de Pisa, na Itália. A bolsa tem sido fundamental para minha formação, pois possibilitou a realização de um período de seis meses de pesquisa na instituição italiana, ampliando minha experiência acadêmica e científica em um contexto internacional. Representa, portanto, um investimento estratégico na formação de recursos humanos altamente qualificados, com impacto direto no desenvolvimento científico e tecnológico do Brasil.
A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) é um órgão vinculado ao Ministério da Educação (MEC).
(Brasília – Redação ASCOM/CAPES)
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