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Inventário Nacional apresenta novos dados que podem subsidiar políticas para o campo e mudança do clima

Setor agropecuário é um dos cinco que compõem o Inventário Nacional de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa, cuja elaboração é coordenada pelo MCTI
Publicado em 29/06/2021 13h17
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OInventário Nacional de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa, por meio dos relatórios de referência setorial e resultados que constam no documento final, entregou no fim de 2020 um conjunto de novos fatores nacionais de emissões de gases de efeito estufa (GEE) para o setor agropecuário, um dos cinco temas cujas atividades são inventariadas. Esta é uma das principais contribuições técnico-científicas e um avanço registrado para o setor na Quarta Comunicação Nacional do Brasil à Convenção Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC). O documento brasileiro, que informa à comunidade internacional os esforços para implementar a Convenção do Clima, tem a elaboração coordenada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) e foi submetido à UNFCCC. O resultado do trabalho poderá subsidiar outras pesquisas e auxiliar o Brasil e os estados no planejamento e execução de políticas sobre agricultura, pecuária e mudanças climáticas.

“Do ponto de vista da pesquisa, para a comunidade científica é uma quantidade enorme de informações que são disponibilizadas. A contribuição para o país é que, a partir desses dados, o Brasil possa definir suas metas de reduções de emissões, suas políticas públicas relacionadas a emissões de GEE e mudanças climáticas”, analisa o coordenador técnico do setor, Stoécio Maia, que também é professor doutor do Instituto Federal de Alagoas (IFAL), onde coordena o Programa de Pós-graduação Profissional em Tecnologias Ambientais.

O setor agropecuário contabiliza as emissões de GEE de atividades pecuárias e agrícolas, conforme a metodologia do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC) de 2006. Assim, os subsetores avaliados são: Fermentação Entérica (processo de digestão), Manejo de Dejetos Animais, Cultivo de Arroz, Solos Manejados (aplicação de fertilizantes sintéticos e orgânicos), Queima de Resíduos Agrícolas (basicamente envolve a queima de palha da cana-de-açúcar), Calagem e Aplicação de Ureia (aplicação de calcário e ureia no solo para fins agrícolas).

De acordo com o coordenador, a busca por um retrato mais acurado das emissões das atividades inventariadas pelo setor, por meio de dados e parâmetros específicos e considerando as diferentes regiões do Brasil, um país de dimensões continentais e com seis biomas, envolveu pesquisa “exaustiva”. “Os fatores de emissão são importantes porque são coeficientes de diversas atividades. O setor agropecuário utilizou em grande parte fatores específicos para o Brasil. Isso foi um avanço”, explica o coordenador. Ter fatores nacionais, que envolve nível metodológico mais complexo, é considerado um avanço pois garantem que as emissões de GEE estimadas para o país não estejam super ou subestimadas.

O coordenador também enfatiza que o resultado apresentado no Inventário Nacional vai além de calcular estimativas de emissões de GEE, pois há um trabalho de pesquisa em busca de novas informações, de refinar dados, entre outras questões científicas, técnicas e metodológicas. Para exemplificar, Maia cita os desafios para inventariar as emissões do subsetor Solos Manejados, que envolve uma extensa lista de atividades em todo o território nacional, para o qual houve necessidade de reunir dados de clima, evaporação, precipitação, entre inúmeros outros aspectos para as diferentes regiões do país.

Para a área de Fermentação Entérica e Manejo de Dejetos, outro item importante para o país que é líder mundial em criação de bovinos e exportação de carne, os principais avanços foram a desagregação dos dados de atividade e do rebanho, avaliando quesitos como tipo de animal, idade, digestibilidade, peso, quantidade e qualidade de alimentos ingeridos e de energia consumida. “Não é fácil de conseguir [todos esses dados para um país de dimensão continental], pois demanda trabalho de pesquisa, ir a campo para experimentos, recursos. Isso leva tempo”, detalha sobre o esforço investido ao longo dos quatro anos de dedicação da equipe.

Os resultados de emissões do setor Agropecuária, assim como os demais setores do Inventário, também serão disponibilizados para consulta por estado, permitindo usá-los para avaliar, priorizar e implementar políticas regionalizadas.

Para concluir o trabalho e entregar esses resultados ao país, o coordenador avalia que houve o fortalecimento institucional. O setor agropecuário contou com o envolvimento de mais de 70 especialistas e 25 instituições na elaboração dos trabalhos. Apenas da Embrapa, principal órgão nacional dedicado à pesquisa agropecuária, foram sete pesquisadores envolvidos na coordenação dos estudos dos subsetores, além de outros que contribuíram com análises e subsídios adicionais. Outro fator que contribuiu para o processo foi o fato de o país dispor de uma consistente base de dados agropecuários oficiais, disponibilizada por meio do IBGE.

Na avaliação do coordenador, a principal contribuição do Inventário Nacional para a agropecuária brasileira está em disponibilizar os fatores de emissão para diferentes sistemas de manejo, ou seja, dados mais precisos acerca do ciclo da bovinocultura e da agricultura estão à disposição do setor produtivo e da comunidade científica para fomentar novas pesquisas, estimular e/ou implementar tecnologias que tragam mais eficiência e produtividade, em consonância com as necessidades impostas pela mudança do clima. “Esse é um processo que começa a ganhar força. Estou mais otimista, porque vejo o setor produtivo preocupado em procurar soluções, se adaptar a essa nova realidade e adequar seus sistemas para agricultura e agropecuária de menor emissão de carbono”, finaliza.

Acesse o documento da Quarta Comunicação Nacional do Brasil à UNFCCC

Acesse o infográfico e conheça melhor o setor agropecuário.