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Primeiras jacutingas criadas no INMA devem ser devolvidas à natureza ainda neste ano
Segundo o ICMBio, a jacutinga tem uma população de menos de 2,5 mil indivíduos adultos em território brasileiro Foto: Clarissa Schwartz/INMA
Vinte e cinco jacutingas, espécie de ave ameaçada de extinção, serão entregues à natureza ainda neste ano. Elas nasceram e foram criadas no Zoológico do Instituto Nacional da Mata Atlântica e são fruto de um projeto que visa a reprodução desses animais sob cuidados humanos. O início do trabalho ocorreu em 2023, quando sete aves foram transferidas para o Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA), unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), no Espírito Santo (ES).
Segundo o Instituto Chico Mendes para a Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a jacutinga, com nome científico Aburria jacutinga, tem uma população de menos de 2,5 mil indivíduos adultos em território brasileiro. “Ela é encontrada apenas na Mata Atlântica. No Brasil, a espécie vivia do sul da Bahia até o Paraná, mas já não é mais vista na Bahia, no Espírito Santo e no Rio de Janeiro. Hoje, só a vemos nos estados de São Paulo e de Minas Gerais em projetos de reintrodução da ave na natureza”, explica a ornitóloga e pesquisadora do INMA, Flávia Chaves.
Desde a chegada das aves ao Zoológico do INMA, em Santa Teresa (ES), já nasceram 28 jacutingas. “Quando as primeiras chegaram, percebemos que elas estavam saudáveis e desempenhando comportamentos típicos de período reprodutivo, como oferta de alimento no bico dos machos para as fêmeas, além de fêmeas abrindo a cauda no formato de um leque. Então, montamos uma estrutura adequada para que, dentro dos recintos, os indivíduos pudessem construir os ninhos para a postura dos ovos”, conta Flávia. Com uma dieta balanceada e monitorada, as aves foram fazendo a postura dos ovos e, posteriormente, os filhotes passaram a conviver com os outros, formando um grupo.
Para a pesquisadora, o projeto é a esperança para o retorno da espécie em vida livre. “O projeto com as jacutingas não foca apenas em produzir indivíduos para serem introduzidos na natureza. Essa é apenas uma etapa. Mantemos indivíduos em segurança, permitindo o manejo de genes para aumentar a variabilidade genética, assim como nos aproximarmos da sociedade, explicando sobre a importância da ciência, do papel de um zoológico, de uma instituição de pesquisa e de como diminuir as ameaças que fazem com que a ave deixe de existir. Combater as ameaças é tão importante quanto gerar indivíduos para que sobrevivam em vida livre”, finaliza.
As jacutingas são aves de grande porte, sem diferença visível entre os machos e as fêmeas. Com as penas majoritariamente negras, apenas as pontas de suas asas e suas cabeças são brancas e a pele ao redor de seus olhos são azuis. Em seus pescoços ainda há uma carúncula vermelha que se destaca.