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MONITORAMENTO
Região Sudeste concentrou quase 50% dos alertas emitidos pelo Cemaden em 2025
A região Sudeste do Brasil concentrou aproximadamente 50% dos alertas emitidos pelo Centro Nacional de Monitoramento e Desastres Naturais (Cemaden) em 2025. A unidade vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) emitiu 2.505 alertas no ano passado, considerando 1.133 municípios monitorados. O número é o menor nos últimos seis anos, ou seja, desde 2019, quando foram registrados 2.194 e o centro monitorava 958 municípios. A média de avisos diários no ano passado foi de 6,86.
Os dados consolidados foram divulgados pelo Cemaden nesta quarta-feira (14) durante a reunião mensal de Avaliação e Previsão de Impactos de Extremos de Origem Hidro-Geo-Climático em Atividades Estratégicas para o Brasil.
“Mesmo com a redução observada em 2025, o volume foi significativo. Logo, é fundamental o monitoramento contínuo, incluindo manutenções das redes observacionais e ações de redução de riscos, de modo a tornar as cidades e as populações mais resilientes aos eventos extremos de chuvas”, avalia a diretora do Cemaden, Regina Alvalá. “Destaca-se ainda que a região Sudeste do Brasil, que concentrou quase 50% dos alertas é também a região que inclui o maior número de municípios monitorados e de população exposta aos riscos de desastres geo-hidrológicos”, explica.
Dos 2,5 mil alertas, 56% (1.395) estiveram associados a alertas hidrológicos, envolvendo inundações, enxurradas e alagamentos, e 44% (1.110) associados a geo-hidrológicos, como deslizamentos de terra.
Em termos de severidade, 88% (2.212) se concentraram no nível moderado e estiveram relacionados a episódios recorrentes de chuvas. Os alertas de nível alto somaram 10% (269), enquanto 0,95% (24) foram de nível muito alto. Na avaliação do Cemaden, embora menos frequentes, os avisos de nível muito alto estiveram associados a cenários críticos, com impacto potencial de grande porte e maior probabilidade de danos severos à população, infraestruturas e aos serviços essenciais.
Ocorrências de desastres
O Cemaden registrou 1.493 ocorrências de desastres em 2025 nos municípios monitorados. O número é o menor desde 2020, quando foram registradas 1.456 ocorrências, e o centro monitorava 958 municípios.
Embora o número de alertas seja o menor dos últimos cinco anos, eles reforçam a tendência de aumento estrutural das ocorrências ao longo do período analisado. “A trajetória observada sugere que as oscilações anuais observadas refletiram predominantemente a intensidade e a distribuição espacial dos eventos geo-hidrológicos, em especial o contexto de maior exposição territorial e vulnerabilidades, além de maior capacidade de registro dos impactos associados a esses eventos”, destaca o tecnologista da Sala de Situação do Cemaden Rafael Luiz.
Do total de ocorrências no ano passado, houve predomínio dos episódios de origem hidrológica, com 68% (1.014) frente a 32% (479) de origem geológica. A região Sudeste concentrou 43% das ocorrências.
Em termos de impacto, 89% das ocorrências foram classificadas como de pequeno porte. De acordo com o Cemaden, esses registros envolvem episódios isolados com danos restritos ao nível de ruas e bairros, com danos localizados e de menor abrangência espacial e são caracterizados por resposta rápida das estruturas locais.
Sobre o Cemaden
O Cemaden monitora ininterruptamente riscos de desastres, considerando mapeamentos de áreas de risco geo-hidrológicos e as chuvas registradas em cada município monitorado, isto é, foca os riscos de deslizamentos de terra, inundações, enxurradas, enchentes, alagamentos. Os alertas são enviados pela sala de situação do Cemaden às defesas civis dos municípios alertados e à Defesa Civil Nacional, responsável por coordenar as ações com as defesas civis dos estados e municípios no que concerne às ações de respostas.
Atualmente, o órgão monitora 1.133 municípios brasileiros, o que corresponde a 20% das cidades brasileiras e cerca de 60% da população do País. De acordo com o Cemaden, a meta para 2026 é ampliar a rede de monitoramento para 2.095 municípios, onde vivem 75% da população.
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