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Previsão de Tempo e Clima
Testes do Monan no supercomputador Jaci mostram precisão e nitidez inéditas de eventos meteorológicos
Trajetória de Melissa simulada pelo MONAN, para as simulações iniciando em 25/10 (esquerda) e 27/10 (direita), em várias resoluções. Foto: Divulgação/INPE
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) fez simulações globais em altíssima resolução espacial (3 km) no supercomputador Jaci com o Modelo para Previsões de Oceano, Terra e Atmosfera (Monan). O desempenho da máquina foi testado com sucesso na representação de eventos extremos, como o furacão Melissa. Os experimentos tiveram duração de 72 horas (25 a 27 de outubro de 2025), período em que o Melissa se desenvolveu no Mar do Caribe e entrou em fase de rápida intensificação.
De acordo com informações do Inpe, unidade de pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a execução do Monan em 3 km em escala global é considerada um marco técnico. Essa distância exige enorme capacidade computacional e eficiência de paralelização. Ao reduzir o espaçamento da grade, é preciso ter um equipamento eficiente para sustentar o crescimento acelerado do número de pontos do globo a serem calculados e também a frequência de atualização do modelo, multiplicando o custo computacional.
Simulação global a 3 km: por que essa resolução importa?
A faixa de aproximadamente 3 km é frequentemente chamada de “convecção-permitida”, pois passa a representar explicitamente parte importante das tempestades convectivas, reduzindo a dependência de parametrizações necessárias em grades mais grosseiras. Na prática, isso melhora a descrição de estruturas intensas e localizadas, como bandas de precipitação, linhas de instabilidade e núcleos de vento extremo, decisivas para estimar riscos de alagamentos, deslizamentos e danos por rajadas, especialmente em eventos severos.
No contexto de ciclones tropicais, essa resolução também favorece uma representação mais realista de elementos como assimetrias do campo de vento, organização das bandas de chuva e evolução do núcleo convectivo, aspectos diretamente ligados à intensidade e ao potencial de impactos em terra.
Um modelo brasileiro para os desafios climáticos do século XXI
O Monan é o primeiro modelo comunitário do sistema terrestre desenvolvido especificamente para as condições tropicais e subtropicais da América do Sul. Diferente dos modelos globais genéricos, o Monan é construído por uma ampla comunidade científica brasileira e latino-americana, integrando componentes acoplados do sistema terrestre — atmosfera, oceanos, superfície continental e gelo marinho. Seu desenvolvimento e implementação no novo ambiente de supercomputação Jaci visam consolidar a capacidade operacional e científica do Inpe em escalas global e regional, com ganhos diretos para a previsão de eventos extremos e o suporte a sistemas de alerta precoce.
Do experimento à melhoria contínua das previsões
Além das rodadas de teste em 3 km, o Monan iniciou suas operações regulares em uma resolução de 10 km no supercomputador Jaci. O avanço em curso inclui o aumento da resolução em uma grade regional de 3-5 km focada na América do Sul e no Caribe, bem como a implementação de um sistema de previsão por conjuntos (ensemble). Esse sistema permitirá uma melhor quantificação da incerteza e confiabilidade das previsões, oferecendo um leque de cenários possíveis para apoiar a tomada de decisão por órgãos de defesa civil e setores sensíveis ao clima.
A realização bem-sucedida desses experimentos complexos no Jaci valida tanto o desempenho do novo supercomputador quanto a maturidade e o potencial do modelo Monan, posicionando o Brasil na fronteira da modelagem climática de alta resolução e reforçando o compromisso do Inpe e do MCTI com uma ciência de impacto para a sociedade.