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Detecção da Covid-19 na rede de esgoto é capaz de prever tendência de casos da doença

Projeto desenvolvido pela Universidade Federal do ABC é financiado pelo MCTI por meio de edital em parceria com o CNPq/MCTI e o Ministério da Saúde
Publicado em 11/02/2021 17h41 Atualizado em 12/02/2021 14h38
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Com apoio da RedeVírus MCTI, pesquisadores da Universidade Federal do ABC (UFABC) promovem o monitoramento do vírus da Covid-19 por meio de análise nos esgotos de 5 pontos da região do ABC paulista. Os dados do projeto, iniciado em junho de 2020, permitem antecipar o aumento de casos da doença em 2 a 14 dias, principalmente quando a análise é feita em pontos com menor população, como vilas, bairros e condomínios.

O estudo também estima que a quantidade de infectados assintomáticos, que não entram nas estatísticas oficiais de testagem, seja de 2 a 3 vezes os casos notificados. Segundo o coordenador da iniciativa, professor Rodrigo de Freitas Bueno, os resultados podem ser usados para criar um sistema de alerta precoce, identificar pontos críticos da Covid e orientar ações de saúde pública, como estratégias de testagem, rastreamento de casos e preparação da infraestrutura de saúde.

“Os resultados obtidos nos últimos 7 meses do estudo permitem observar claramente os locais onde não havia a presença do RNA viral e que nas últimas semanas passaram a ter uma elevada carga viral, que posteriormente foi refletida nos números das Secretarias de Saúde. Nesse sentido, os resultados podem ser usados para alertar as comunidades, rastrear a propagação e direcionar ações de enfrentamento à pandemia, como limitar o tamanho das reuniões, vagas de edifícios e modalidades escolares, além de avaliar o sucesso de tais intervenções”, afirma.

Outros países também contam com projetos desse tipo em combate à pandemia. A análise epidemiológica em águas residuais também é uma estratégia para combate ao poliovírus, que causa a poliomielite. “Semelhante ao poliovírus, o RNA da Covid-19 é eliminado por muitos indivíduos infectados nas fezes e é relativamente estável no esgoto. Os métodos geralmente envolvem a concentração de partículas virais no esgoto e ensaios de biologia molecular como por exemplo o PCR em tempo real que permite detectar pequenas concentrações de RNA do vírus”, diz Bueno.

O secretário de Pesquisa e Formação Científica do MCTI, Marcelo Morales, destaca a articulação entre instituições que deu vida ao projeto. "
 "A Rede de Monitoramento de Covid-19 em águas residuais é resultado das tratativas que vinham acontecendo entre o MCTI, a Agência Nacional de Águas (ANA) e o Ministério de Saúde desde o inicio da pandemia. A proposta de criação da rede foi apresentada aos coordenadores dos projetos durante o Seminário Marco Zero da Chamada Pública MCTI/CNPq/FNDCT/MS/SCTIE/Decit nº 07/2020, ocorrido de forma virtual em outubro de 2020. A ideia é aproximar os atores envolvidos nos projetos apoiados por meio desta Chamada Pública com as coordenadores das iniciativas apoiadas pela Agência Nacional de Águas (ANA) para avançar com mais eficiência nesta temática".

O projeto

O próximo passo do estudo é ampliar o número de pontos de monitoramento e integrar o projeto a ações da Secretaria Municipal de Saúde. O projeto foi escolhido pelo edital do MCTI em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), fundação vinculada à pasta, e o Ministério da Saúde, e tem duração de 2 anos.

O monitoramento acontece em regiões com diferentes classes sociais, acesso a hospitais e infraestrutura de saneamento. O esgoto é coletado semanalmente em locais específicos, que vão desde estações de tratamento de esgoto que atendem mais de 1 milhão de pessoas até locais restritos, como um bairro de 570 habitantes.

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