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Estudos que embasaram a Quarta Comunicação Nacional do Brasil à UNFCCC são publicados por revista científica

Os 12 artigos científicos abordam temas-chave sobre impactos, vulnerabilidade e adaptação à mudança do clima no Brasil e podem ser consultados na revista Sustentabilidade em Debate, publicada pela UnB
Publicado em 04/01/2021 16h41
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A edição da revista científica Sustentabilidade em Debate (https://periodicos.unb.br/index.php/sust/issue/view/2174), publicada na quinta-feira (31/12) pela Universidade de Brasília (UnB), reúne 12 artigos inéditos em um dossiê denominado “Impactos, Vulnerabilidade e Adaptação à Mudança do Clima no Brasil: uma abordagem integrada”. Os estudos foram desenvolvidos no âmbito da Quarta Comunicação Nacional do Brasil à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês), documento cuja elaboração é coordenada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) e que foi submetido à Convenção do Clima em 31/12.

O conjunto de estudos aborda em profundidade temas-chave que envolvem impactos, vulnerabilidade e adaptação à mudança do clima no Brasil: mudanças de temperatura e das chuvas, oportunidades de adaptação para a segurança hídrica, implicações na composição da matriz energética, impactos na produção agrícola brasileira, riscos e vulnerabilidades socioambientais, incluindo aspectos de saúde (doenças respiratórias e cardiovasculares, propagação de doenças causadas por vetores - insetos), desastres relacionados a eventos extremos, ecossistemas e zonas costeiras.

De acordo com um dos editores da revista, Marcel Bursztyn, cada um dos artigos publicados foi revisado por pelo menos outros dois cientistas, em um processo denominado double blind peer review (na tradução livre, dupla revisão cega por pares). Tal processo indica a qualidade e rigor científico da publicação e dos artigos submetidos.

A publicação de pesquisas dentro dos padrões científicos, segundo Bursztyn, serve como subsídio para a tomada de decisão no âmbito de políticas públicas, e corrobora com a qualidade do conteúdo do documento da Quarta Comunicação Nacional do Brasil à UNFCCC. “Para um documento [Comunicação Nacional] que tem a chancela do MCTI, esta é uma validação importante”, avalia Bursztyn. “Políticas públicas necessitam estarem amparadas em conhecimento científico. É a contribuição da ciência e que ocorreu segundo um método integrador”, complementa o editor.

A perspectiva integradora à qual o editor refere-se aborda a agenda de mudança do clima de maneira interdisciplinar a partir dos eixos estratégicos das seguranças hídrica, energética, alimentar e socioambiental, e evidencia a interrelação entre os temas. Essa perspectiva foi a base do método utilizado para explorar os aspectos de impactos, vulnerabilidade e adaptação nos temas citados. Essa opção metodológica propicia elaborar estudos com enfoque integrado e permite avaliar interfaces, complementariedades e conflitos que possam ocorrer entre diferentes políticas públicas.

Outro aspecto relevante apontado pelo editor e que é decorrente da utilização de uma perspectiva integradora, é que os artigos são assinados por equipes interdisciplinares. Cada estudo é assinado por um conjunto de pesquisadores ligados à Rede Brasileira de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas Globais (Rede CLIMA), do MCTI, e integrantes de institutos de pesquisa de diferentes regiões do país, como Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE/MCTI), Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden/MCTI), Universidade de Brasília (UnB), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Instituto Federal de Alagoas (IFAL), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Universidade de São Paulo (USP), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), entre outras.

Para o supervisor do capítulo de Impactos e Vulnerabilidades da Comunicação Nacional do Brasil à UNFCCC, Diogo Santos, o fato de os dados que integram o documento brasileiro estarem embasados em estudos científicos e disponíveis em uma publicação internacional para a comunidade científica permite dar continuidade às pesquisas. “Essa publicação respalda os dados publicados pela Comunicação Nacional do Brasil e permite desdobramentos da aplicação dos resultados pela comunidade acadêmica e acesso aos dados e metodologias de modo mais detalhado, pois o documento da Comunicação Nacional é mais sintético”, explica Santos.

Sobre a revista - A revista Sustentabilidade em Debate publica três edições por ano em formato eletrônico.  Os textos originais, baseados em pesquisa interdisciplinar, são capazes de alcançar forte impacto sobre os estudos conduzidos nos campos do desenvolvimento sustentável e nas políticas de sustentabilidade em escala global.


Para ler a revista na íntegra, nas versões inglês e português, acesse: https://periodicos.unb.br/index.php/sust/issue/view/2174


Acesse o documento da Quarta Comunicação Nacional do Brasil à UNFCCC:

https://issuu.com/mctic/docs/quarta_comunicacao_nacional_brasil_unfccc

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