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ENGAJAMENTO
AmazonFACE publica síntese da primeira oficina de engajamento sobre interface entre ciência e políticas públicas
O programa científico AmazonFACE publicou o sumário executivo com a síntese das principais mensagens da primeira oficina de engajamento realizada em 2025, em Brasília (DF). O documento apresenta os resultados do encontro entre cientistas e formuladores de políticas para enfrentar os desafios da crise climática, bem como as lacunas e oportunidades de conhecimento para fortalecer o uso do conhecimento científico na formulação, implementação e avaliação de políticas climáticas.
A oficina faz parte do processo estruturado de engajamento conduzido pela área de pesquisa socioambiental do programa, cujo papel é integrar o conhecimento científico produzido com o estímulo à interdisciplinaridade e a interface entre ciência e política. A área investiga ainda o impacto na provisão de serviços ecossistêmicos pela floresta para as populações amazônicas e para o mundo com o aumento do CO₂ na atmosfera.
Em 2025, o encontro reuniu representantes de ministérios, da academia e da sociedade civil organizada com o objetivo de apresentar o programa, coletar expectativas e lacunas de informações.
“Esse esforço é um compromisso relevante para a construção de uma ciência que transforma, que pode ter impacto direto na vida das pessoas. E esse passo só é possível com o envolvimento de todos. Da mesma forma, que o enfrentamento à mudança do clima exige”, afirma o coordenador geral de Ciência do Clima do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Márcio Rojas, e coorganizador da oficina.
Um dos apontamentos é de que a incorporação de evidências científicas em políticas climáticas é um processo não-linear e demanda capacidades de articulação institucional, de tradução e mecanismos permanentes de interação. A oficina reforçou a importância estratégica da Amazônia para ações de mitigação, que envolve a redução de emissões de gases de efeito estufa, e de adaptação à mudança do clima, destacando o bioma e as populações locais como centrais.
Para o coordenador da oficina e colíder da área de pesquisa socioambiental do programa AmazonFACE, Marko Monteiro, o principal avanço possibilitado pela primeira oficina de engajamento foi o aumento da visibilidade do programa científico para a comunidade formuladora de política e o melhor conhecimento sobre o escopo de polícias e ações que estão sendo feiras. “Começamos a montar redes de trocas e interação que pretendemos mobilizar ao longo do experimento, e essa oficina inicial foi muito importante para começar o processo”, explica o pesquisador e professor do Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
O processo estruturado de engajamento prevê novas edições das oficinas de engajamento. “Percebemos é que precisamos engajar os diferentes níveis da política pública, especialmente o corpo técnico muito bem qualificado que conduz as políticas. Isso implica em tentar fazer oficinas menores e mais focadas”, detalha Monteiro.
Para 2026 a previsão é de que seja realizada em Manaus (AM) oficina territorial para aprofundar futuros desejados, desafios e ações para fortalecer a interface entre as ciências, políticas e sociedade na Amazônia. “Uma das nossas prioridades é também engajar conhecimentos locais e indígenas, elementos centrais do esforço em pensar e agir a respeito da Amazônia, mas que muitas vezes não são ouvidos com o mesmo cuidado”, antecipa. A expectativa é ir além de compreender melhor as dificuldades e potenciais formas de inserção de conhecimentos indígenas nas políticas climáticas. Um dos resultados pretendidos é conseguir elaborar recomendações práticas e concretas de como executar essa inserção.
A oficina prevista para 2027 deve ser de âmbito nacional e pretende articular escalas, consolidar redes e orientar recomendações estratégicas para políticas públicas
Sobre o programa AmazonFACE: O AmazonFACE é um programa científico do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), criado em 2015 para investigar como a floresta amazônica será impactada pelo aumento do dióxido de carbono (CO₂) na atmosfera nas próximas décadas. O programa que é coordenado por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em parceria com o Met Office (Instituto Meteorológico do Reino Unido). É o principal projeto de cooperação científica entre Brasil e Reino Unido.
O programa está organizado em seis componentes científicas, Além da socioambiental, há a componente Carbono, que estuda os fluxos e o armazenamento de carbono nos diferentes compartimentos da floresta; Nutrientes, com foco na ciclagem de nitrogênio e fósforo e suas limitações frente ao aumento de CO₂; Água, que analisa as alterações no ciclo hidrológico da floresta; Biodiversidade, que busca entender como espécies vegetais tropicais com diferentes características funcionais respondem ao ambiente enriquecido com CO₂; e Modelagem, voltada à integração dos dados obtidos no experimento em modelos computacionais capazes de projetar cenários futuros para a Amazônia, testando hipóteses ecológicas, identificando lacunas de conhecimento e subsidiando políticas climáticas com base em simulações robustas. Juntos, esses componentes formam uma base interdisciplinar para compreender como a Amazônia responderá às mudanças climáticas nas próximas décadas.
Acesse a íntegra do sumário executivo da oficina neste link.
Acesse o site do programa científico: https://amazonface.unicamp.br/