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RECOMENDAÇÃO 17/2026
[TLP:CLEAR]
1. O CTIR Gov alerta para a existência de uma campanha ativa conduzida por agentes de ameaça que explora vulnerabilidades em servidores web de instituições governamentais brasileiras (.gov.br).
O ataque baseia-se na injeção de rotas dinâmicas e módulos maliciosos (técnica de Cloaking). O servidor comprometido intercepta requisições de robôs de busca (como o Googlebot) e injeta em tempo real centenas de links apontando para casas de apostas, cassinos ilegais e esquemas fraudulentos. Enquanto o administrador ou cidadão visualiza o portal íntegro em navegação direta, os mecanismos de busca indexam conteúdos ilícitos aproveitando a autoridade e reputação do domínio institucional.
2. O envenenamento de Search Engine Optimization (SEO) é a evidência visível de uma intrusão no sistema operacional e na aplicação, afetando os seguintes componentes:
- Servidores web de instituições governamentais e educacionais hospedados em infraestrutura Linux;
- Módulos e binários do servidor web Apache modificados ou compilados indevidamente (como o uso de proxies maliciosos integrados, ex: opsproxy.c);
- Aplicações web em portais .gov.br expostas na internet.
3. A exploração bem-sucedida visa o comprometimento profundo do sistema operacional e da aplicação. O impacto engloba:
- Vetor Ativo para Distribuição de Malwares: A infraestrutura de proxy e redirecionamento instalada nos servidores governamentais pode ser alterada instantaneamente pelos invasores para distribuir Trojans de Acesso Remoto (RATs), ladrões de credenciais (Infostealers) ou aplicativos móveis maliciosos (APKs);
- Presença de Backdoors e Privilégios Elevados: A injeção de código reflete que os atacantes obtiveram execução arbitrária no servidor. O grupo implanta rotineiramente ferramentas de persistência no Linux, incluindo binários com privilégios de root, interceptadores de credenciais e backdors com múltiplos canais de comando e controle;
- Risco de Movimentação Lateral e Exfiltração: A partir do servidor web comprometido, os invasores possuem acesso para explorar redes internas, mapear bancos de dados institucionais, comprometer credenciais administrativas e realizar o vazamento de bases de dados ou implantação de ransomware.
4. Recomenda-se que os administradores executem os comandos Linux abaixo diretamente no terminal para verificar se o domínio está entregando conteúdo malicioso oculto:
Teste 1: Simular a requisição do Googlebot (Identificação de Cloaking)
Simula a visita do indexador do Google e busca palavras-chave de apostas e cassinos:
curl -s -A "Mozilla/5.0 (compatible; Googlebot/2.1; +http://www.google.com/bot.html)" "https://SEU_DOMINIO.gov.br/" | grep -iE "(bet|casino|slot|aposta|pix|jogo|tiger|roleta|fortune|luck)"
Resultado Esperado (Limpo): Nenhuma saída de texto retornada.
Resultado Indicativo de Comprometimento: Listagem de tags HTML contendo links com termos de apostas (ex: rotas /luckydom/..., /luckspin/..., pegobet, 1xbet).
Teste 2: Simular acesso vindo de busca com dispositivo móvel
Verifica se o servidor realiza redirecionamentos condicionados à origem da busca:
curl -sIL \ -e "https://www.google.com/" \ -A "Mozilla/5.0 (iPhone; CPU iPhone OS 17_0 like Mac OS X) AppleWebKit/605.1.15" \ "https://SEU_DOMINIO.gov.br/"
O que observar: Verifique se há respostas 301 Moved Permanently ou 302 Found com o cabeçalho Location: apontando para endereços externos.
Teste 3: Comparação direta de conteúdo entregue (Diff)
Gera uma comparação entre a resposta entregue a um navegador comum e a um robô de busca:
curl -s "https://SEU_DOMINIO.gov.br/" > /tmp/normal.html curl -s -A "Mozilla/5.0 (compatible; Googlebot/2.1; +http://www.google.com/bot.html)" "https://SEU_DOMINIO.gov.br/" > /tmp/googlebot.html diff /tmp/normal.html /tmp/googlebot.html
Observação: Ressalta-se que, embora existam indícios de comprometimento do servidor para fins de manipulação de SEO, esse fato, por si só, não implica a ocorrência de exfiltração de dados ou de outras atividades maliciosas além do redirecionamento de usuários anteriormente descrito.
5. Diante de infecções avançadas por agentes persistentes em ambientes Linux, a tentativa de limpeza manual de arquivos é insuficiente e contraindicada, pois ferramentas como rootkits em nível de kernel, binários SUID ocultos e backdoors compilados podem permanecer indetectáveis. A solução recomendada é a substituição do servidor por uma instalação limpa criada do zero:
- Isolamento Imediato da Instância Afetada: Desconecte a máquina virtual ou servidor físico da rede interna de produção. Preserve uma cópia (snapshot) do disco estritamente para fins de perícia forense antes de desativar o ativo.
- Provisionamento de um Novo Servidor Limpo do Zero: Instale uma nova máquina a partir de uma imagem base oficial e atualizada do sistema operacional. Restaure a aplicação a partir de repositórios de código-fonte confiáveis (Git/CI-CD) devidamente auditados, garantindo que o código não contenha arquivos residuais da máquina anterior. Restaure apenas os dados essenciais (banco de dados e arquivos de mídia estáticos), realizando a validação prévia de integridade dos registros para assegurar que não haja injeções de scripts maliciosos.
- Revogação e Rotação Completa de Credenciais: Gere novas senhas para todas as contas de sistema operacional e usuários de serviço. Recrie todos os pares de chaves SSH autorizadas, descartando as chaves anteriores. Redefina as credenciais do banco de dados, chaves de API, certificados digitais e senhas de acesso aos painéis administrativos de CMS.
- Desindexação Emergencial no Google Search Console: Acesse o Google Search Console correspondente ao domínio do órgão. Solicite a remoção temporária urgente de URLs das rotas maliciosas indexadas (ex: /luckydom/*, /luckspin/*) para limpar os resultados nos buscadores e acelerar a recuperação da reputação do domínio.
6. Para assegurar que o novo servidor permaneça protegido contra reinfeções (Hardening):
- Permissões Rígidas no Sistema de Arquivos: Configure a aplicação web de modo que o usuário do servidor web (www-data, nginx ou apache) tenha exclusivamente permissão de leitura sobre o código-fonte, bloqueando permissões de escrita em diretórios que executem scripts.
- Montagem Segura de Partições Temporárias: Configure os pontos de montagem /tmp, /var/tmp e /dev/shm com as opções noexec, nosuid, nodev no arquivo /etc/fstab, impedindo a execução de binários e scripts a partir de diretórios temporários.
- Restrição de Compiladores: Remova ou restrinja o acesso a compiladores (gcc, make, clang) no ambiente de produção (chmod 700 /usr/bin/gcc).
- SELinux ou AppArmor em Modo Enforcing: Mantenha os módulos de segurança do kernel ativos para confinar o servidor web, bloqueando a execução de processos não autorizados ou conexões de rede anômalas.
- Monitoramento de Integridade de Arquivos (FIM): Implemente agentes como Wazuh, OSSEC ou AIDE para alertar em tempo real sobre qualquer alteração em arquivos de configuração ou adição de novos arquivos no sistema.
- Gestão de Vulnerabilidades e WAF: Mantenha o sistema operacional, linguagens de execução (PHP, Node, Python) e CMSs rigorosamente atualizados com os últimos patches de segurança e proteja o tráfego com Web Application Firewall (WAF).
7. Caso seja identificada qualquer atividade anômala, indícios de SEO, tentativa de acesso não autorizado ou suspeita de comprometimento relacionado a esta campanha, o órgão deve reportar imediatamente ao CTIR Gov pelo e-mail ctir@ctir.gov.br.
[TLP:CLEAR]