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PRÊMIO CAPES DE TESE
Tese descobre como criar vacina vegetal para o cacau

- Imagem: Marca dos 20 anos do Prêmio CAPES de Tese (ASCOM/CAPES)
A utilização da biotecnologia para converter a proteína fúngica basidina em uma vacina vegetal inovadora é o tema da tese BASIDIN de afeta o desenvolvimento e resistência em plantas, ganhadora na categoria de Ciências Agrárias I do Prêmio CAPES de Tese. Realizada por Keilane Silva Farias, doutoranda da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), o estudo transforma um agente da vassoura-de-bruxa em um promotor de crescimento, que fortalece as defesas naturais do cacau e acelera sua germinação. A pesquisa trouxe inovação e resultou em um pedido de patente, com parceria comercial para a produção de bioinsumos sustentáveis. Com seus primeiros contatos com a ciência na sua trajetória na escola pública, a ex-bolsista da CAPES alinha sua caminhada com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU (ODS) e propõe a redução da dependência de defensivos químicos, protegendo a biodiversidade.
Fale da sua trajetória acadêmica, da graduação ao doutorado.
Sempre estudei em escola pública, e minha trajetória acadêmica começou com a graduação em Licenciatura em Ciências Biológicas na Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), onde tive meus primeiros contatos com a pesquisa científica, como bolsista de iniciação científica em Genética. A partir dessa experiência, despertei o interesse pela interação hospedeiro-patógeno e segui para o mestrado em Biologia e Biotecnologia de Microrganismos, na mesma instituição, no qual trabalhei com expressão heteróloga e a caracterização estrutural e funcional de proteínas efetoras de Moniliophthora perniciosa, fungo causador da vassoura-de-bruxa do cacaueiro. Posteriormente, iniciei o doutorado em Genética e Biologia Molecular na mesma instituição.
Sobre o que é a sua pesquisa? Explique o conteúdo da sua tese.
O foco do estudo é o basidina, uma proteína secretada por Moniliophthora perniciosa, patógeno de grande relevância econômica por ser o agente causal da doença vassoura-de-bruxa do cacaueiro (Theobroma cacao). Produzi essa substância em bactéria e avaliei como essa proteína efetora, em baixas concentrações, poderia influenciar o desenvolvimento vegetal e a resposta de indução de mecanismos de defesa da planta a patógenos, funcionando de forma similar às vacinas. Por meio de experimentos de caracterização funcional, demonstramos que a basidina apresenta efeitos positivos no crescimento e na germinação de sementes em diferentes espécies vegetais. Além disso, por meio da identificação de prováveis alvos receptores, demonstramos que o efetor modula a fisiologia da planta, interferindo em vários processos biológicos da planta, como o metabolismo de dissacarídeos, o transporte de lipídios, a fotorrespiração e a defesa. Com o conjunto de resultados gerados na tese e no meu mestrado, escrevemos e depositamos um pedido de patente no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). Como esta pesquisa foi desenvolvida com a colaboração de uma empresa, por meio de um contrato de parceria, essa empresa tem prioridade de uso da basidina para a formulação de biodefensivos, com a previsão de royalties em favor da universidade.
O que vale destacar de mais relevante na sua pesquisa?
O achado amplia o entendimento da patogenicidade de M. perniciosa e, ao mesmo tempo, abre novas fronteiras para aplicações biotecnológiacas do efetor na agrícultura. Essa interface entre fitopatologia e biotecnologia é o ponto mais transformador da minha tese, que gera informações e produtos alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, para a Agenda 2030.
De que forma a sua pesquisa pode contribuir para a sociedade?
Minha pesquisa contribui em duas frentes principais. A primeira é a agrícola, pois pode oferecer mecanismos para o desenvolvimento de variedades mais resistentes e de estratégias de manejo mais eficazes. Isso ajuda a reduzir prejuízos para a cacauicultura, setor vital para economias no Brasil e em outros países produtores. A segunda é a biotecnológica, que abre novas possibilidades para a criação de biofertilizantes e bioestimulantes, capazes de promover crescimento vegetal e induzir uma resposta de defesa mais rápida contra patógenos, reduzindo o uso de insumos químicos.
Qual a importância para você de sua tese ter sido escolhida a melhor na área?
Esse reconhecimento valida não apenas o esforço de anos de trabalho, mas demonstra a relevância científica e social da pesquisa. Este prêmio é uma motivação para continuar acreditando que podemos desenvolver ciência de qualidade, com resultados concretos e retorno positivo para a sociedade.
A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) é um órgão vinculado ao Ministério da Educação (MEC).
(Brasília – Redação ASCOM/CAPES)
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