Notícias
MULHERES E MENINAS NA CIÊNCIA
Projeto aproxima meninas e mulheres da área de transição energética

- Imagem: A equipe da escola de Osório (RS); Liége Dalprá Flores e Luiza da Rosa Machado são as duas agachadas, à frente (Divulgação)
O projeto “Energizando a Equidade: meninas e mulheres impulsionando a transição energética” aproxima alunas do 9º ano do ensino fundamental e professoras de escolas públicas periféricas do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina da ciência. Idealizadora e coordenadora da iniciativa, Aline Cristiane Pan é integrante do Comitê Permanente de Ações Estratégicas e Políticas para Equidade de Gênero com suas interseccionalidades da CAPES/MEC.
Iniciado em dezembro de 2024, o trabalho conecta as Universidades Federais do Rio Grande do Sul (UFRGS), de Santa Maria (UFSM) e de Santa Catarina (UFSC), o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado do Rio Grande do Sul (Crea-RS), as Redes Brasileiras de Mulheres na Energia Solar (MESol) e Mulheres do Biogás, e escolas públicas. A ação é destaque nesta quarta-feira, 11 de fevereiro, Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência.
A transição energética é um desafio em todo o mundo. Trata-se da troca de combustíveis fósseis, como o petróleo, por fontes renováveis, como a energia solar. Para isso, é necessária a produção de conhecimento nas áreas STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática), nas quais a presença feminina é menor do que em outras áreas do conhecimento. A “transição energética justa” serve para garantir que a mudança para energias renováveis não só reduza desigualdades, mas também ajude a corrigi-las, incluindo quem sempre ficou de fora das decisões, dos benefícios e das oportunidades.
“As mulheres são sub-representadas na área de energia. Os dados do mercado de energia solar, por exemplo, apontam que a participação feminina se limita a 20% das vagas”, explica Aline Pan, que é professora do Mestrado Nacional Profissional em Ensino de Física (MNPEF) — um dos Programas de Pós-Graduação Profissionais para Qualificação de Professores da Rede Pública de Educação Básica (ProEB), da CAPES/MEC — no Campus Litoral Norte da UFRGS. “Nosso objetivo é inspirar meninas e professoras de escolas públicas periféricas para atuarem na transição energética de forma ativa”.
Uma das participantes do projeto foi Luiza da Rosa Machado, estudante da Escola Estadual de Educação Básica Prudente de Morais, em Osório (RS). A garota, de 14 anos, e outras quatro colegas desenvolveram, ao longo de 2025, o trabalho “Fogão solar: aproveitamento da energia solar e fundamentos físicos envolvidos”. O quinteto juntou uma antena parabólica, cola spray e manta térmica e criou um fogão aquecido com energia solar. O utensílio seria uma solução de baixo custo para aquecer alimentos.

- Imagem: Aline Pan (mulher loira, em pé, ao centro) coordena o Energizando a Equidade, que aproxima meninas da área de transição energético (Divulgação)
As cinco receberam bolsa de Iniciação Científica Júnior. Fizeram quatro encontros mensais do projeto, de forma paralela às aulas. O cronograma incluía reuniões com a professora da escola, aulas com a equipe que coordena o projeto, visitas a laboratórios da UFRGS e apresentações semanais do que aprenderam. Luiza ficou com a parte dos experimentos práticos, que consistiu em construir o fogão e testá-lo, assando marshmallows ao sol.
“Quando eu ouvia a palavra ‘cientista’, sempre pensava em um homem misturando poções num laboratório”, afirma a estudante. “Com esse projeto, vi que vai muito além disso e que tem espaço também para mulheres trabalharem”, afirmou a garota. Luiza, aliás, se diz “mais de exatas que de humanas” e tem na Matemática a sua disciplina preferida. Apesar de não saber de fato a área na qual atuará profissionalmente, a jovem diz que ser cientista está no radar.
Professora de Matemática de Luiza no 6º ano, Liége Dalprá Flores a reencontrou no ano passado. Foi a supervisora das atividades na escola. Aluna de Aline Pan no MNPEF, a educadora conta que conheceu o projeto no mestrado. Tornou-se bolsista de Apoio Técnico à Pesquisa, de nível superior, e atuou como elo entre a instituição de ensino de Osório e a equipe da UFRGS.
Liége leciona Matemática e Física para alunos neurotípicos e para estudantes surdos. Esse era o mote de seu projeto a ser aplicado em sala de aula pelo MNPEF. A experiência com o Energizando a Equidade, no entanto, foi transformadora. “Meu projeto já era voltado para a inclusão, mas consegui aumentar o escopo. É um tripé, pensado tanto para surdos, quanto para pessoas de baixa renda, periféricas, e mulheres”, afirma.
O trabalho é financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e foi selecionado pela Chamada nº 31/2023. Foram repassados para o projeto R$ 933.480,00, valor que engloba a concessão de sete bolsas de Apoio Técnico à Pesquisa, de nível superior e duração de três anos, quatro de Iniciação Científica e 105 bolsas de Iniciação Científica Júnior, além de duas bolsas para Pós-Doutorado Júnior e uma para divulgação científica. O montante também viabiliza oficinas de metodologia científica, energias renováveis e gestão da energia, além de atividades de extensão.
A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) é um órgão vinculado ao Ministério da Educação (MEC).
(Brasília – Redação ASCOM/CAPES)
A reprodução das notícias é autorizada desde que contenha a assinatura ASCOM/CAPES