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Pesquisadora atua com educação musical acessível na Amazônia
Rafaela Alcantara Barata é licenciada em Música e mestre em artes pela Universidade Federal do Pará (UFPA), etapa cumprida com bolsa da CAPES/MEC. Atualmente no doutorado, a pesquisadora é mais uma vez beneficiária da Coordenação, no mesmo programa de pós-graduação. A também técnica em Música com habilitação em violoncelo pelo Instituto Estadual Carlos Gomes integra a Orquestra de Violoncelistas da Amazônia – Inclusiva e atua no Grupo de Pesquisa em Transtornos do Desenvolvimento e Dificuldades de Aprendizagem, no qual se dedica a fortalecer práticas de educação musical mais acessíveis na Amazônia.
Fale da sua trajetória acadêmica, da graduação ao doutorado.
Na Licenciatura em Música, obtive uma formação abrangente em estágios e projetos de extensão que me aproximaram da realidade educacional da Amazônia. Concluí o curso com láurea acadêmica ao investigar o processo de ensino-aprendizagem do violoncelo articulado a questões de acessibilidade e inclusão. Meu interesse se aprofundou ao ingressar no Grupo de Pesquisa em Transtornos do Desenvolvimento e Dificuldades de Aprendizagem, sob orientação do professor Áureo DeFreitas.
No mestrado, com apoio da CAPES/MEC, ampliei a investigação para as duas instituições musicais públicas especializadas do Estado. O estágio supervisionado em uma orquestra inclusiva foi decisivo para construir o projeto de doutorado. No último ano, apresentei proposta de credenciamento ao Mestrado Profissional em Artes em Rede Nacional e, desde então, atuo como docente, orientadora e integrante de bancas e comissões acadêmicas.
Sobre o que é a sua pesquisa? Explique de forma mais detalhada o conteúdo do trabalho.
Minha pesquisa investiga como as práticas psicopedagógicas da Orquestra de Violoncelistas da Amazônia - Inclusiva contribuem para democratizar o ensino musical entre pessoas neuroatípicas e neurotípicas. Analiso o percurso do grupo desde 1998, suas propostas metodológicas e as condições de acesso criadas para participantes com condições como TEA, TDAH, Síndrome de Down, dislexia, epilepsia, baixa visão e esquizofrenia.
Acompanho o uso de tecnologias assistivas sustentáveis, como acessórios para os dedos, coletes e cadeiras adaptadas para prevenir lesões decorrentes de dificuldades motoras e sensoriais, e examino a adaptação de partituras segundo o desenvolvimento individual, repertórios prévios e formas singulares de aprendizagem. Busco compreender como esse conjunto de práticas, desenvolvidas na Escola de Música da UFPA, amplia o acesso e transforma abordagens tradicionais do ensino musical no contexto amazônico.
O que vale destacar de mais relevante?
Considero particularmente relevante a capacidade da Orquestra de reinventar o ensino musical de forma acessível sem perder qualidade artística. As tecnologias assistivas sustentáveis, as adaptações de repertório, o respeito ao tempo de aprendizagem de cada integrante e a convivência cotidiana com a diversidade transformam esse espaço em um ambiente de experimentação psicopedagógica e humana. O repertório variado, que inclui obras populares, eruditas, regionais e didáticas, rompe com o elitismo tradicional do ensino instrumental e demonstra que a inclusão pode caminhar com excelência artística.
Quais resultados obteve?
Os resultados parciais evidenciam transformações importantes na vida dos integrantes. Observa-se maior autonomia musical, desenvolvimento de habilidades sociais e ampliação do engajamento com práticas culturais e educativas. Muitos participantes passaram a buscar formação superior, ingressaram em cursos de graduação e manifestam interesse em seguir para a pós-graduação. Houve também maior participação em atividades acadêmicas, apresentações públicas e iniciativas de inserção social.
A orquestra tem influenciado a própria instituição, estimulando reflexões sobre acessibilidade, permanência e enfrentamento ao capacitismo. As apresentações em eventos científicos e culturais em contexto local, nacional e em perspectiva internacional ampliaram ainda mais a visibilidade e o impacto do grupo.
Como a sua pesquisa pode contribuir para a sociedade?
A pesquisa ajuda a demonstrar que o ensino musical pode ser organizado de forma mais acessível e coerente com a diversidade humana. Ao analisar práticas vivas de inclusão, reforço a necessidade de que instituições revejam suas práticas, que muitas vezes mantêm o ensino instrumental restrito e distante de pessoas com deficiência ou de perfis considerados fora de padrão.
O objetivo não é apresentar a Orquestra como um modelo ideal, mas mostrar, a partir de suas práticas, que ambientes mais acolhedores e flexíveis permitem que a aprendizagem musical se torne menos elitizada e mais conectada ao desenvolvimento pessoal e social de cada um. Quando essas experiências circulam pela comunidade, ampliam a percepção sobre o potencial artístico e humano das pessoas participantes e fortalecem seus direitos de acesso e permanência.
De que forma a bolsa da CAPES/MEC ajudou na sua formação?
A bolsa da CAPES/MEC foi fundamental para garantir continuidade, qualidade e profundidade à pesquisa. O apoio permitiu acompanhar sistematicamente o trabalho do grupo musical, participar de atividades acadêmicas, desenvolver tecnologias assistivas e realizar deslocamentos necessários para apresentações e eventos científicos. Além de viabilizar as condições materiais da investigação, a bolsa fortaleceu minha formação como pesquisadora, permitindo maior dedicação ao estudo da inclusão na educação musical e à produção científica que dele decorre.
A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) é um órgão vinculado ao Ministério da Educação (MEC).
(Brasília – Redação ASCOM/CAPES)
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