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Pesquisador avalia impactos de incêndios na Mata Atlântica
Biólogo graduado pela Universidade Federal de Alfenas (Unifal), Bruno Adorno cursou o mestrado na mesma instituição da cidade mineira e doutorado na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Ex-bolsista da CAPES, também fez estágio sanduíche na Universidade de Lisboa, em Portugal. Desde a graduação, atua na área de Ecologia, com foco na compreensão dos impactos das atividades humanas na vida de aves. No doutorado, avaliou como os incêndios afetam as comunidades desses animais e investigou os padrões de ocorrência do fogo em diferentes tipos de ambientes, o que contribuiu para o entendimento da dinâmica em paisagens tropicais.
Sobre o que é a sua pesquisa? Explique de forma mais detalhada o conteúdo do trabalho.
Minha pesquisa buscou avaliar os impactos dos incêndios no bioma da Mata Atlântica, uma região tropical que, ao contrário de ambientes como o Cerrado, não possui adaptações evolutivas ao fogo. Para isso, analisei como diferentes tipos de ambientes, como florestas maduras, florestas em regeneração, pastagens e cultivos agrícolas, variam em sua vulnerabilidade ao fogo. Utilizei mapas de uso e cobertura do solo combinados com registros de áreas incendiadas ao longo dos anos. A sobreposição desses dados permitiu calcular um índice de vulnerabilidade com base em um método de proporções, que considera não apenas a área total queimada em cada tipo de ambiente, mas também a proporção queimada em relação à extensão do ambiente na paisagem. Esse método permite identificar se os incêndios ocorrem de forma aleatória ou se apresentam certa “seletividade”, com alguns ambientes sendo mais propensos à ocorrência de queimadas. Também investiguei os impactos do fogo sobre a biodiversidade. Os resultados obtidos contribuem para o planejamento de ações mais eficazes de prevenção e controle de incêndios em paisagens tropicais, especialmente em áreas em processo de restauração.
O que vale destacar de mais relevante na sua pesquisa?
O principal resultado foi identificar que a vulnerabilidade ao fogo varia bastante entre os diferentes ambientes estudados. Florestas maduras se mostraram mais resistentes ao fogo, enquanto as florestas secundárias, aquelas em processo de regeneração, apresentaram maior vulnerabilidade. Esse achado tem duas implicações muito importantes. Primeiro, ele revela que essas áreas em regeneração estão extremamente suscetíveis ao fogo, o que pode comprometer seriamente os esforços de restauração da Mata Atlântica. Segundo, encontramos indícios preocupantes de que essas áreas estejam sendo intencionalmente incendiadas para impedir que avancem para estágios mais maduros de sucessão ecológica. Isso porque, à medida que as florestas se tornam mais antigas e estruturadas, passam a ser mais protegidas pela legislação ambiental. Ou seja, o fogo pode estar sendo usado como uma ferramenta para barrar a recuperação florestal, algo não só ilegal, mas extremamente grave do ponto de vista ecológico.
De que forma a sua pesquisa pode contribuir para a sociedade?
O estudo traz recomendações relevantes para o manejo do fogo e pode contribuir diretamente para políticas públicas voltadas à prevenção de incêndios e à restauração florestal. Uma das principais propostas é que as paisagens agrícolas sejam planejadas de forma estratégica, posicionando áreas com menor propensão ao fogo próximas daquelas mais vulneráveis. Essas zonas de menor risco funcionariam como barreiras naturais, ajudando a conter a propagação do fogo e protegendo os ambientes mais sensíveis.
Além disso, destaco a importância do manejo adequado das áreas agrícolas, com ações como a manutenção de aceiros (faixas sem vegetação que dificultam o avanço das chamas) e o controle de capins exóticos, que são altamente inflamáveis e frequentemente invadem áreas de vegetação nativa. Medidas como essas, embora simples, podem reduzir significativamente tanto o risco de ignição quanto a intensidade dos incêndios. Outro ponto importante revelado pela pesquisa é que a alocação de recursos para combate e prevenção deve priorizar as áreas mais vulneráveis ao fogo, de forma a aumentar a eficiência das ações e minimizar os impactos socioambientais. Nesse sentido, os dados produzidos pelo estudo podem auxiliar na definição de zonas prioritárias para investimento e atuação do poder público.
De que forma a bolsa da CAPES contribui para sua formação?
A CAPES teve um papel fundamental na minha trajetória acadêmica. Durante o mestrado, fui contemplado com uma bolsa da instituição, o que me permitiu dedicar-me exclusivamente à pesquisa. No doutorado, apesar de contar com bolsa do CNPq, recebi apoio da CAPES por meio do programa CAPES-PrInt, que viabilizou meu estágio sanduíche na Universidade de Lisboa, em Portugal. Esse período foi especialmente importante, pois foi em Lisboa que grande parte dos dados do projeto foi organizada, processada e analisada, contribuindo de forma decisiva para a consolidação científica da tese e para o fortalecimento de colaborações internacionais. Além disso, a CAPES esteve presente, ainda que de forma indireta, em diversas etapas da minha formação ao financiar bolsas para outros pesquisadores que contribuíram com meu trabalho. Professores, estudantes de iniciação científica, mestrandos e colegas de grupo de pesquisa desempenharam papéis importantes ao longo da minha trajetória. O investimento contínuo na formação de recursos humanos qualificados foi essencial para viabilizar colaborações e enriquecer os resultados da pesquisa.
A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) é um órgão vinculado ao Ministério da Educação (MEC).
(Brasília – Redação CGCOM/CAPES)
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