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Pesquisa incentiva práticas responsáveis e conscientes no turismo
Jakson Renner Rodrigues Soares é graduado em Administração pela Universidade Federal do Ceará (UFC), mestre e doutor em Planejamento do Turismo pela Universidade da Coruña (UDC), na Espanha, e possui pós-doutorado em Inovação no Turismo de Base Comunitária pela Universidade Estadual do Ceará (UECE). Bolsista da CAPES, sua pesquisa é focada na análise do comportamento de consumo no turismo.
Sobre o que é a sua pesquisa?
Ao concluir o doutorado, consegui um pós-doutorado na Universidade do Minho, Portugal, para pesquisar os impactos do turismo em destinos patrimoniais. A partir daí, percebi que era necessário entender melhor a experiência turística para minimizar os impactos negativos dessa atividade econômica e maximizar os benefícios para residentes, visitantes e do setor. Desde 2016, trabalho colaborativamente com pesquisadores de vários países, analisando a experiência turística sob três perspectivas:
Turistas – Investigamos como promover mudanças no comportamento do consumidor para um turismo mais responsável.
Comunidade local – Buscamos maneiras de melhorar a qualidade de vida das pessoas que residem no destino turístico.
Setor turístico – Identificamos formas de tornar as empresas mais responsáveis pela continuidade da atividade.
De 2018 a 2022, aprofundei meus conhecimentos sobre inovação no setor turístico com a bolsa de pós-doutorado para Jovens Doutores - Edital FUNCAP/CAPES 02/2017. Desenvolvi esse trabalho no mestrado de Turismo da Universidade Estadual do Ceará, com foco na perspectiva da comunidade local e em seus conhecimentos. No turismo de base comunitária, identificamos inovações sociais que depois foram compartilhadas em outros países da América Latina, como México, República Dominicana, Belize, Honduras, Equador entre outros. Na academia, falamos sobre economia circular, responsabilidade social e coopetição, por exemplo, conceitos que os povos tradicionais já aplicam há anos sem necessariamente tê-los estudado formalmente.
O que você destacaria de mais relevante na sua pesquisa?
Nos últimos anos, tenho trabalhado muito com o comportamento de consumo no turismo. Às vezes, parece que "tudo vale" quando estamos de férias, e não refletimos sobre nossa pegada na vida do outro. É justamente nisso que estou focado no momento: pesquisando sobre turismo consciente para informar as pessoas sobre o impacto que causam ao viajar.
Acredito que trabalhar com experiência turística nos permite buscar soluções para os problemas do turismo de maneira prática, indo além das teorias. Se traçarmos um paralelo com outras ciências, como a biologia, vemos que elas não apenas estudam conceitos, mas buscam soluções para os problemas identificados. No grupo de pesquisa que lidero, seguimos essa mesma lógica: aprofundamo-nos nos conceitos, pois isso é essencial para o meio acadêmico, mas também buscamos soluções concretas. Por isso, as implicações práticas da minha pesquisa e sua divulgação são aspectos presentes em todos os estudos em que participo.
De que forma a sua pesquisa pode contribuir para a sociedade?
Primeiramente, acredito que podemos provocar uma mudança no comportamento de consumo, incentivando um turismo mais responsável e consciente. Felizmente, tive a oportunidade de prestar consultoria tanto na Espanha quanto na América Latina, propondo soluções para problemas relacionados ao turismo.
Acredito firmemente que o turismo pode transformar pessoas, desconstruir preconceitos e aproximar culturas. Penso que o desenvolvimento deve ser à escala humana, como diria Manfred Max-Neef, economista chileno que defendia que as pessoas devem ser sujeitos da economia, e não objetos dela. Assim, se aqueles que estão comigo compreendem essa ideia, espero que também a transmitam adiante, formando uma rede de profissionais que pensam e atuam em um setor economicamente forte, socialmente justo e ambientalmente responsável.
De que forma a bolsa da CAPES contribui para a sua formação?
A bolsa me permitiu fortalecer meus vínculos com a academia brasileira, ampliar minhas publicações em revistas e editoras internacionais e expandir a internacionalização do meu currículo por meio de congressos e palestras no exterior.
E, claro, essa bolsa continua contribuindo para minha formação até hoje. Ela valida minha trajetória e fortalece minha participação em editais nacionais e internacionais. A pesquisa brasileira é extremamente forte e reconhecida mundialmente, e ter sido bolsista FUNCAP/CAPES faz diferença. Esse "crachá" eu levo para sempre, pois ele abre portas.
A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) é um órgão vinculado ao Ministério da Educação (MEC).
(Brasília – Redação CGCOM/CAPES)
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