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PRÊMIO CAPES DE TESE

Pesquisa aponta potente antiviral para tratar o zika vírus

Ainda não existe vacina ou medicamento especifico para tratar a doença, provocada pelo mosquito Aedes aegypti
Publicado em 19/11/2020 11h37 Atualizado em 24/11/2020 14h12

Estudo realizado pelo pesquisador Felipe Rocha da Silva, do Programa de Biotecnologia da Universidade Federal de São João del Rei (UFSJ) avaliou medicamentos que possuem grande potencial para se tornar um antiviral no tratamento do zika vírus. A pesquisa de doutorado foi a vencedora do Prêmio CAPES de Tese 2020 na área de Biotecnologia. 

O zika é um vírus transmitido pelo mosquito Aedes aegypti e provoca sintomas como dor de cabeça, febre baixa, dores leves nas articulações, manchas vermelhas na pele, coceira e vermelhidão nos olhos. Casos de microcefalia também estão ligados à  doença que ainda não tem tratamento ou vacina específica no Brasil. 

A tese foi elaborada de maneira interdisciplinar, abrangendo as áreas de virologia, bioinformática e química medicinal. Os estudos mostraram que clorciclizinaanti-histamínico aprovado pela Agência Sanitária Americana (FDA) para o tratamento de alergias, possui grande potencial para se tornar um antiviral.  

“O anti-histamínico teve resultado promissor, pois encontramos compostos orgânicos que inibiram a multiplicação do vírus no organismo e podem reduzir as complicações decorrentes da infecção”, explicou Felipe Rocha. Ainda segundo o pesquisador, como todas as características do medicamento já estão bem descritas na literatura, é possível aproveitar as informações e desenvolver um tratamento de forma mais rápida. Ele ainda ressalta que outros fármacos aprovados pelo mercado apresentaram afinidade com a pesquisa e poderão ser analisados, abrindo portas para outros alunos continuarem o trabalho. 

Para Rocha, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) foi importante para o desenvolvimento do trabalho. O prêmio vai permitir dar continuidade ao projeto e espero em um futuro próximo ter esse fármaco no mercado para tratar o vírus zika. É uma pesquisa que vai ajudar o Brasil ”acredita. 

Prêmio CAPES de Tese 2020
A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) divulgou no dia 1º de outubro o resultado do Prêmio CAPES de Tese 2020, oferecido às melhores teses de doutorado defendidas em 2019. No total, 49 trabalhos foram premiados e outros 94  receberam menções honrosas.

Criado em 2005, o Prêmio CAPES de Tese é fruto da parceria entre a CAPES, a Fundação Carlos Chagas, a Comissão Fulbright, o Instituto Serrapilheira e, mais recentemente, a Dimensions Sciences (DS), uma organização não governamental norte-americana que irá condecorar doutoras no Prêmio CAPES de Tese. Esta é a primeira vez que a Coordenação apoia uma premiação voltada especificamente às mulheres.

Os critérios de seleção consideram a originalidade do trabalho, sua relevância para o desenvolvimento científico, tecnológico, cultural, social e de inovação. Dentre os agraciados sairão os vencedores do Grande Prêmio, oferecido ao destaque de cada uma das três grandes áreas do conhecimento: Ciências da Vida, Humanidades e Exatas. A cerimônia de premiação acontecerá em dezembro.

Legenda das imagens:
Imagem 1: Imagem do zika vírus (Foto: Arquivo pessoal) 
Imagem 2: Felipe Rocha da Silva, doutor em Biotecnologia (Foto: Arquivo pessoal)
Imagem 3: Imagem microscópica do zika vírus (Foto: Arquivo pessoal)

(Brasília – Redação CCS/CAPES)
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