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PRÊMIO CAPES DE TESE
Pesquisa aborda oferta de atividade física no SUS

- Imagem: Marca dos 20 anos do Prêmio CAPES de Tese (ASCOM/CAPES)
Desenvolvida na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com suporte fundamental da CAPES, a tese Implementação das Recomendações para o Desenvolvimento de Práticas Exitosas de Atividade Física na Atenção Primária à Saúde: Resultados da Pesquisa SAFE de Francisco Timbo de Paiva Neto, ou Tim Neto, foi a ganhadora do Prêmio CAPES de Tese na área de Educação Física. Utilizando o rigor da Ciência da Implementação, o estudo analisa como qualificar a oferta de atividade física na Atenção Primária à Saúde. A investigação parte da trajetória pessoal do autor, que saiu de Reriutaba (CE) para se especializar nos Estados Unidos da América (EUA). Por meio de um modelo que se adapta e promove a participação, a pesquisa acompanhou nove intervenções reais que revelaram quais barreiras estão presentes, além de identificar facilitadores específicos a serem aplicados no contexto brasileiro. Um dos pontos fortes da pesquisa é o reforço e o fortalecimento do acompanhamento multiprofissional e intersetorial. O trabalho entrega um guia prático para que o SUS se torne mais eficiente na promoção de estilos de vida saudáveis. A premiação reconhece uma ciência que reduz a lacuna entre a evidência e a prática.
Sobre o que é a sua pesquisa? Explique o conteúdo da sua tese.
Minha pesquisa de doutorado buscou implementar um modelo inovador para o planejamento, a execução e a avaliação de iniciativas de atividade física no âmbito da Atenção Primária à Saúde (APS) do Sistema Único de Saúde (SUS). Trata-se de uma investigação que parte da importância da APS como espaço estratégico para promover saúde em um país diverso e desigual como o Brasil, propondo caminhos concretos para incentivar estilos de vida mais saudáveis. A tese teve como foco a implementação das Recomendações para o Desenvolvimento de Práticas Exitosas de Atividade Física na APS, testadas em nove ações, nas cinco regiões do país, ao longo de seis meses. Durante esse período, foram coletados dados mensais que permitiram identificar barreiras, facilitadores e percepções dos atores envolvidos, revelando avanços significativos no fortalecimento dessas práticas multiprofissionais.
O que vale destacar de mais relevante na sua pesquisa?
O grande destaque desta pesquisa é que ela vai além de simplesmente apontar o que precisa ser feito, como costumam fazer guias e recomendações gerais. O estudo sugere, de maneira prática e detalhada, como deve ser feito, quais recursos são necessários, quanto tempo é demandado e de que forma as ações podem ser operacionalizadas e ajustadas ao longo do processo. Esse olhar é fundamental para transformar recomendações em práticas concretas e viáveis.
De que forma a sua pesquisa pode contribuir para a sociedade?
Essa pesquisa contribui diretamente para a sociedade ao oferecer a profissionais e equipes de saúde da Atenção Primária um modelo concreto de desenvolvimento e implementação de iniciativas de promoção de atividade física no contexto da saúde comunitária — um espaço estratégico dentro do Sistema Único de Saúde (SUS). A partir desse modelo, as equipes passam a contar com orientações claras e aplicáveis que fortalecem a organização, o planejamento e a execução de iniciativas voltadas a tornar a população mais ativa. Na prática, isso significa ampliar as oportunidades para que a sociedade utilize, de forma mais efetiva, os espaços públicos e comunitários, promovendo maior engajamento e compromisso coletivo com estilos de vida saudáveis. Além disso, o estudo evidencia a relevância de políticas públicas de incentivo e do investimento contínuo em recursos, capacitação de profissionais e fortalecimento da expertise local, assegurando que essas iniciativas sejam sustentáveis e equitativas.
Qual a importância para você de sua tese ter sido escolhida a melhor na área?
Esse reconhecimento é importante porque amplia a mensagem de que precisamos garantir oportunidades para que todas as pessoas tenham acesso a estilos de vida mais ativos e saudáveis. Assim, se alguém decide não participar, isso será uma escolha pessoal, e não uma limitação estrutural ou social. Para mim, esse prêmio reforça a relevância de promover a saúde em uma perspectiva preventiva e holística, em que o cuidado com o corpo e com a qualidade de vida ocupa o centro do debate, em contraponto a um modelo de saúde que, historicamente, se apoia apenas em tratamentos e medicamentos.
De que forma a bolsa da CAPES/MEC contribuiu para sua formação?
Fui bolsista da CAPES/MEC em três momentos fundamentais da minha trajetória acadêmica: no mestrado, no doutorado e no doutorado-sanduíche. Posso afirmar, sem exagero, que, se não fosse a CAPES/MEC, eu não teria conseguido sair do interior do Ceará e me manter em um grande centro científico. Eu não tinha nenhuma outra fonte de renda. Foi a bolsa que me permitiu pagar aluguel, quitar minhas contas e ter condições mínimas de dedicar-me integralmente à pesquisa. Durante todo o mestrado, por exemplo, eu vivia exclusivamente do que a Coordenação me concedia, sem qualquer outra fonte de renda. No doutorado, consegui conciliar com outras atividades, mas foi a CAPES/MEC que sustentou a base do meu percurso. Sou profundamente grato por isso, porque a existência de políticas como essa não é apenas um investimento em indivíduos, mas em todo o país. É a chance de pegar alguém de uma cidade pequena, enxergar seu potencial, colocá-lo em contato com os melhores ambientes de produção científica, estimular sua mente, desafiá-la e permitir que ela floresça. Foi essa oportunidade que me trouxe até aqui e me possibilitou desenvolver uma tese que hoje é reconhecida nacionalmente. Além disso, foi a Fundação que viabilizou minha experiência internacional no doutorado-sanduíche, permitindo que eu adquirisse conhecimento inédito, como no campo da Ciência da Implementação, e retornasse ao Brasil para qualificar ainda mais a ciência produzida aqui.
A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) é um órgão vinculado ao Ministério da Educação (MEC).
(Brasília – Redação ASCOM/CAPES)
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