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Nanotecnologia pode ser saída para a queda de cabelo

Miguel Gontijo Siqueira Palmieri faz doutorado–sanduíche na Itália para testar nova estratégia contra a alopecia
Publicado em 13/10/2021 16h15 Atualizado em 19/10/2021 13h56

Farmacêutico graduado pela Universidade Presidente Antônio Carlos (MG), Miguel Gontijo Siqueira Palmieri tem mestrado em Ciências Farmacêuticas pela Universidade Federal de Juiz de Fora (MG) e, atualmente, desenvolve pesquisa de doutorado também na mesma instituição. O bolsista encontra-se  na Itália, onde faz parte de seu doutorado-sanduíche na Universidade de Pisa. Seus estudos buscam uma nova estratégia para o tratamento da alopecia – conhecida popularmente como queda de cabelo –  a partir de  um medicamento nanotecnológico, de uso tópico, que não provoque efeitos colaterais.

Por que estudar a alopecia?
O problema da queda de cabelo afeta milhões de pessoas no Brasil e no mundo. Portanto, o impacto de um produto que melhore os resultados do tratamento, na sociedade como um todo, é enorme.

Qual a principal causa da alopecia?
A principal causa desse tipo específico de alopecia que estamos estudando, e que não por acaso é o tipo mais comum de alopecia, é a presença de hormônios andrógenos, como a testosterona, e a predisposição genética. Pessoas geneticamente predispostas expressam mais receptores androgênicos e, em consequência, possuem uma sensibilidade maior aos efeitos destes.

Os tratamentos disponíveis não alcançam resultados satisfatórios?
Não podemos afirmar que os resultados dos tratamentos disponíveis sejam insatisfatórios. Entretanto, podemos dizer que existe uma incidência significativa de efeitos colaterais importantes e devem ser seriamente considerados. Esses efeitos colaterais ocorrem por diversos motivos. Um deles pode ser explicado pela composição do veículo no qual uma substância é incorporada. Em algumas formulações, o excesso de álcool e/ou propilenoglicol pode causar irritação na pele por exemplo. Em outros casos, as características farmacológicas da própria substância que está sendo administrada é a causa desses efeitos. A ingestão oral de substâncias como a finasterida, uma substância antiandrogênica que atua diminuindo a quantidade de testosterona disponível, está associada a alterações no humor e até impotência sexual.

Qual estratégia de pesquisa que você decidiu desenvolver?
A estratégia que decidimos foi desenvolver um veículo nanotecnológico adequado, biocompatível, ecologicamente sustentável e de fácil produção em larga escala para incorporação da finasterida. Almejamos provar, através da pesquisa científica, o potencial dessa nova formulação, comparando-a com outras formulações para a mesma finalidade.

Você já fez testes para verificar os efeitos da sua linha de pesquisa?
Sim. O Laboratório LDnano da UFJF é referência em nanotecnologia no Brasil e ali pude iniciar minha pesquisa em 2019 onde demos os primeiros passos.

Quais os resultados encontrados até o momento?
Já temos resultados, como, por exemplo, o tamanho da nanopartícula e a estabilidade da formulação, além de teste de toxicidade. Temos também resultados demonstrando em detalhes a composição da nanopartícula com testes utilizando cromatografia.

Quais as vantagens e benefícios da nanotecnologia?
No caso da formulação que estamos desenvolvendo, o uso da nanotecnologia permite que possamos desenvolver uma formulação que tenha composição semelhante com as células da nossa pele, tornando-a mais compatível. Por consequência, o potencial de gerar efeitos colaterais diretos diminui. Além disso, as nanopartículas permitem a liberação lenta e gradual da substância ativa, no caso a finasterida, permanecendo no local de ação por mais tempo. Vale ressaltar que pelo mesmo motivo citado por último, a quantidade de finasterida incorporada nas nanopartículas pode ser menor, o que explica a diminuição da incidência de efeitos adversos.

Os resultados encontrados na pesquisa valem para todas as pessoas?
Sim, apesar da alopecia androgenética ter maior prevalência em homens, mulheres também são afetadas por esta condição. Portanto, os benefícios podem valer para todos que venham precisar de tratamento para esse problema.

Você já publicou ou divulgou sua pesquisa em periódicos científicos?
Sim. Os primeiros resultados dessa pesquisa já foram publicados na revista científica Brazilian journal of health and pharmacy e neste artigo demonstramos o potencial da formulação. O artigo pode ser conferido em: http://revistacientifica.crfmg.emnuvens.com.br/crfmg/article/view/57/29

Qual a contribuição da CAPES para sua trajetória profissional?
A CAPES foi fundamental para o meu desenvolvimento como pesquisador. Sem essa ajuda teria sido praticamente inviável, visto que o tempo, empenho e a dedicação para realizar projetos de grande impacto são grandes.

Quais seus planos para o futuro? 
Pretendo seguir em frente com esse projeto até que realmente se torne um produto patenteável, que possa entrar no mercado e beneficiar a sociedade como um todo. Além disso, desejo ajudar na formação de novos pesquisadores para que boas ideias como essa possam ser realizadas.

Legenda das imagens:
Banner e imagem 1: Miguel Palmieri está fazendo Doutorado-Sanduíche na Universidade de Pisa, na Itália (Foto: Arquivo pessoal)
Imagem 2: Pesquisa desenvolvida estuda a causa mais comum de alopecia, que é a presença de hormônios andrógenos, como a testosterona (Foto: Arquivo pessoal)

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) é um órgão vinculado ao Ministério da Educação (MEC).
(Brasília – Redação CCS/CAPES)
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