Notícias
PRÊMIO CAPES DE TESE
Inteligência artificial monitora impactos ambientais na Amazônia

- Imagem: Marca dos 20 anos do Prêmio CAPES de Tese (ASCOM/CAPES)
A tese Essays on environmental and development Economics defendida por Pedro Henrique Batista, foi a ganhadora do Prêmio CAPES de Tese na área de Economia. O trabalho investigou as complexas interações entre crescimento econômico, instituições e preservação ambiental no Brasil. Com doutorado-sanduíche realizado na Johns Hopkins University, nos Estados Unidos (EUA), os métodos aprendidos foram aplicados a técnicas de aprendizado de máquina e sensoriamento remoto.
Ao analisar o impacto do cultivo de dendê e do avanço da fronteira agrícola, o estudo revelou que, sob governança eficaz, o crescimento da renda per capita e políticas como o Bolsa Família contribuíram para reduzir o desmatamento na Amazônia. Por outro lado, o trabalho alertou que o fortalecimento institucional isolado poderia favorecer a captura por elites locais, reforçando comportamentos extrativos em vez da conservação. Ao integrar teoria econômica e geotecnologias, a investigação ofereceu diagnósticos precisos para a formulação de políticas públicas baseadas em evidências.
Fale da sua trajetória acadêmica, da graduação ao doutorado.
Minha trajetória acadêmica tem a economia como eixo central, desde a graduação até o atual pós-doutorado. Ao longo desse percurso, interessei-me cada vez mais por como os processos econômicos interagem com dimensões sociais, políticas e ambientais. Esse contexto, marcado pelo paradoxo de o Brasil ser, ao mesmo tempo, um país subdesenvolvido e detentor de uma das principais riquezas ambientais do planeta, levou-me a especializar-me em economia ambiental e dos recursos naturais, particularmente em sua interseção com o desenvolvimento econômico e as políticas públicas voltadas ao desenvolvimento sustentável. No doutorado em Economia que realizei na FEA-USP, com período sanduíche na Johns Hopkins University, dediquei-me a investigar os vínculos entre desenvolvimento econômico, avanço da fronteira agrícola, instituições, políticas públicas e desmatamento no Brasil, especialmente na Amazônia.
Sobre o que é a sua pesquisa? Explique o conteúdo da sua tese
Minha tese, é composta de três capítulos e tem como eixo central investigar em que condições o desenvolvimento pode ser conciliado com a conservação ambiental no Brasil, especialmente na Amazônia. O primeiro capítulo analisa o avanço do cultivo de óleo de palma (dendê) na Amazônia brasileira, um caso emblemático da expansão recente da fronteira agrícola. No segundo, revisito a relação entre crescimento econômico e desmatamento na Amazônia, em um período de instituições ambientais relativamente estáveis e de forte queda na perda florestal. No terceiro capítulo, investigo os impactos causais das instituições locais sobre o desmatamento no Brasil, uma relação ainda pouco clara, apesar de as evidências mostrarem que instituições influenciam a extração de recursos naturais e o desenvolvimento econômico
O que vale destacar de mais relevante na sua pesquisa?
Primeiro, destaco a contribuição ao debate público sobre as relações entre desenvolvimento econômico, políticas públicas, instituições e conservação ambiental. As evidências da tese mostram que políticas setoriais bem reguladas podem gerar efeitos positivos, que o crescimento econômico pode ser compatível com esforços de preservação — quando considerados efeitos sistêmicos —, e que o fortalecimento institucional, se não acompanhado de instrumentos adequados de governança, pode inclusive reforçar dinâmicas extrativas. A pesquisa também mostra o potencial da combinação entre teoria econômica e metodologias como inferência causal, machine learning, geoprocessamento e sensoriamento remoto para compreender como dimensões econômicas, sociais e políticas se inter-relacionam com os esforços de conservação ambiental.
De que forma a sua pesquisa pode contribuir para a sociedade?
Minha pesquisa contribui ao oferecer diagnósticos que ajudam a desenhar políticas públicas mais eficazes para equilibrar crescimento econômico, melhoria institucional e conservação ambiental no Brasil. Ao revelar mecanismos concretos, o trabalho oferece subsídios para formuladores de políticas, gestores e a sociedade civil. Além disso, ao combinar diferentes ferramentas e metodologias que permitem monitorar e avaliar impactos, o trabalho cria métodos replicáveis que podem ser usados em outros contextos, fortalecendo a capacidade de identificar impactos socioambientais e apoiar decisões baseadas em evidências.
Qual a importância para você de sua tese ter sido escolhida a melhor na área?
É uma honra imensa e de enorme importância pessoal ter minha tese reconhecida como a melhor da área de Economia do país. Passei anos pesquisando, refletindo e desenvolvendo metodologias com o objetivo de produzir um trabalho sólido do ponto de vista científico. Apesar das orientações e interações que fazem parte de todo processo acadêmico, sempre pairou a incerteza individual sobre se estava, de fato, no caminho certo — especialmente no meu caso, dado o caráter interdisciplinar que a economia do meio ambiente exige. Por isso, receber um prêmio como este significou um alívio e um reforço à convicção de que dedicação e compromisso com a produção de ciência de qualidade são o caminho certo. Ao mesmo tempo, interpreto essa conquista como um convite para continuar desenvolvendo pesquisas econômicas e sociais que dialoguem com os grandes desafios do nosso tempo.
De que forma a bolsa da CAPES/MEC contribui para sua formação?
O apoio da CAPES/MEC foi fundamental para a minha formação. Recebi uma bolsa durante o mestrado, o que me permitiu dedicar-me exclusivamente ao aprendizado e à pesquisa, criando a base essencial para o doutorado. Além disso, também fui beneficiado pela bolsa de internacionalização PrInt, que possibilitou um período de estudos na Johns Hopkins University, onde pude interagir com grandes pesquisadores da minha área. Sem dúvida, foi uma experiência enriquecedora, que contribuiu diretamente para consolidar minha trajetória e alcançar os resultados que levaram a este reconhecimento. Por isso, sou muito grato à CAPES/MEC e à sociedade brasileira.
A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) é um órgão vinculado ao Ministério da Educação (MEC).
(Brasília – Redação CGCOM/CAPES)
A reprodução das notícias é autorizada desde que contenha a assinatura CGCOM/CAPES
