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Estudo mostra efeito das mudanças ambientais na polinização das abelhas
pela Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF), Lázaro Carneiro faz atualmente em estágio pós-doutoral no French National Institute for Agriculture, Food, and Environment (INRAE). Ao longo de sua trajetória acadêmica, sempre teve interesse pela ecologia de abelhas e a relação do inseto com as mudanças climáticas. No mestrado, estudou como comunidades de abelhas de orquídeas são afetadas pelo contexto de paisagens agrícolas em áreas de cultivo de café. No doutorado, analisou como diferentes estratégias de restauração florestal influenciam o reestabelecimento de comunidades de abelhas de orquídeas na Mata Atlântica e afetam o retorno das espécies nas áreas recuperadas. Artigo de Lázaro sobre o tema foi publicado com apoio financeiro da CAPES: Forest cover outweighs restoration strategy in explaining Euglossini beta diversity in the Atlantic Forest, Brazil - ScienceDirect
Sobre o que é a sua pesquisa? Explique de forma mais detalhada o conteúdo do trabalho.
Meu foco de pesquisa sempre foi abelhas. Meus trabalhos buscam entender como mudanças ambientais e na paisagem, que são causadas por atividades antrópicas, afetam as abelhas e o serviço de polinização. Para isso, analiso como parâmetros das comunidades de abelhas, como número de indivíduos e de espécies, são afetados por variáveis como quantidade de floresta e diversidade do uso do solo na paisagem. Os resultados dessas pesquisas ajudam a entender como as abelhas estão respondendo às mudanças na paisagem relacionadas à expansão agrícola, perda de áreas florestais e urbanização. Ao mesmo tempo, tais pesquisas também são importantes para indicar ações de manejo de polinizadores, assim como da paisagem, que favoreçam a conservação e recuperação da diversidade de abelhas e, consequentemente, do serviço de polinização. Isso é muito positivo para ecossistemas que ainda estão se recuperando, porque essas abelhas são polinizadores essenciais das plantas nativas, e mostra que as florestas restauradas já têm um importante papel para manter a diversidade dessas abelhas na região.
O que vale destaca de mais relevante?
Recuperar comunidades de abelhas, em geral, não é o objetivo central de projetos de restauração florestal. Além da regeneração natural, em que a floresta cresce naturalmente sem um manejo antrópico, na região onde realizei meu doutorado, há áreas que têm sido reflorestadas ativamente pela Associação Mico-Leão-Dourado. Essas áreas restauradas são essenciais para conectar florestas anteriormente isoladas na Bacia do Rio São João, centro-norte fluminense. Mostro que, além do mico-leão-dourado, a biodiversidade associada às áreas florestais, como as abelhas de orquídeas, também é beneficiada por meio de tais estratégias de recuperar a Mata Atlântica. Do ponto de vista ecológico, os resultados são altamente relevantes porque comprovam que recuperar a floresta é eficaz para o retorno da biodiversidade. Ao mesmo tempo, é interessante pensar também em questões socioambientais. Muitas das áreas de regeneração natural e restauração ativa estão localizadas em propriedades particulares, um cenário comum ao longo de toda a Mata Atlântica. É fundamental pensarmos sobre a importância da educação ambiental junto às populações locais para enfatizar a relevância de reflorestar ativamente ou deixar a floresta regenerar naturalmente, para a recuperação da biodiversidade da Mata Atlântica e dos serviços fornecidos por essa floresta, como fornecimento de água, qualidade do ar e polinização agrícola.
Como a sua pesquisa pode contribuir para a sociedade?
O estudo tem implicações importantes no contexto da restauração da Mata Atlântica. Prova que o benefício da recuperação, mesmo quando focado em uma única espécie, beneficia toda a biodiversidade da Mata Atlântica. A pesquisa alerta que ações humanas, como o desmatamento, podem comprometer o sucesso da restauração florestal ao reduzir a cobertura vegetal. Por isso, conservar áreas legalmente protegidas é fundamental para garantir a eficácia dos projetos de restauração e alcançar a meta de recuperar milhões de hectares da Mata Atlântica até 2050. O êxito nessa missão está diretamente ligado ao bem-estar de milhões de brasileiros, que dependem dos serviços prestados por essa floresta, como a produção de alimentos, a qualidade do ar e o abastecimento de água.
Como foi o apoio da CAPES/MEC para a publicação do seu artigo e que avaliação você faz dessa oportunidade?
Eu fui bolsista da CAPES/MEC no início do meu doutorado. O benefício foi essencial para a internacionalização da minha pesquisa. A maior parte da análise dos meus dados de doutorado foi feita durante um período de dez meses no Gund Institute for Environment, University of Vermont (USA), com a bolsa de Doutorado-Sanduíche no Exterior (PDSE), programa financiado pela Coordenação. Esse apoio foi crucial para aumentar o impacto e a visibilidade da minha pesquisa, como tive contato com experts da minha área que fizeram importantes contribuições para o meu doutorado, que culminou com a publicação do artigo com as colaborações internacionais feitas durante o PDSE.
De que forma a bolsa da CAPES/MEC ajudou na sua formação?
A CAPES/MEC teve um papel crucial na minha formação enquanto pesquisador, tal qual para outros milhares de estudantes de pós-graduação no Brasil. As duas formas de financiamento que obtive através da CAPES/MEC permitiram uma dedicação exclusiva à minha pesquisa de doutorado, tanto no Brasil quanto no exterior. Isso reforça o papel da Coordenação na formação de recursos humanos altamente qualificados e que contribuem para o avanço da ciência brasileira, ao mesmo tempo que aumenta o impacto das nossas pesquisas no contexto global.
A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) é um órgão vinculado ao Ministério da Educação (MEC).
(Brasília – Redação CGCOM/CAPES)
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